Opinião

O olhar dos oprimidos e explorados para transformar o mundo

terça-feira 24 de março de 2015| Edição do dia

Neste primeiro dia do Esquerda Diário no ar, inauguramos a seção GÊNERO E SEXUALIDADE expressando a importância deste instrumento para dar voz ao setores oprimidos na luta por seus direitos e no combate ao machismo e homo-lesbo-transfobia.

Sabemos que são apenas alguns diários nacionais e internacionais da grande mídia que apresentam estes temas cotidianamente, e quando o fazem, tratam do ponto de vista da ideologia dominante. E em algumas raras exceções, apresentam suplementos semanais direcionados aos setores oprimidos.

A maneira desses meios de comunicação manterem o atual “estado de coisas” é golpeando a subjetividade das mulheres e LGBT dizendo como devem “ser” e “fazer” sempre. E para isso oferecem, na maioria das vezes, artigos de cozinha, moda, saúde, beleza, consumo, ou dão conselhos sobre sexo em que os corpos e o prazer são mera mercadorias. E ainda omitem na maioria das vezes os motivos da violência que sofremos pelo simples fato de sermos mulheres e LGBT.

Com colaboradores e colunistas por meio de entrevistas, textos de opinião, crônicas, relatos e denúncias queremos apresentar o ponto de vista dos oprimidos numa perspectiva de esquerda, pois como dizia Karl Marx não basta “interpretar o mundo” de diversos pontos de vista, pois o objetivo final é “transformá-lo”.

Nas Jornadas de Junho de 2013 vários jovens e ativistas de movimentos LGBT e de mulheres saíram às ruas reivindicando direitos sociais como saúde e educação, mas também o direito à identidade de gênero e a exercer livremente sua sexualidade, denunciando os setores reacionários, principalmente os que utilizam dogmas religiosos de minorias como “valores universais” de toda a sociedade. Opinamos que faltou um norte orientador que aliasse a luta pelos direitos sociais da maioria da população e pelos direitos democráticos (civis) de setores oprimidos com a luta dos trabalhadores, pois nossos inimigos de classe e seu estado capitalista são os mesmos que querem saciar a sede de lucro a favor da exploração, sofrimento, humilhação, opressão e discriminação.

Vimos, antes, na região árabe e depois na Europa, milhares de mulheres se levantarem junto com os trabalhadores e a juventude contra os efeitos da crise econômica internacional que os patrões e os governos tentam descarregar sobre as costas da classe trabalhadora e dos oprimidos. Na América Latina os trabalhadores se alinham na linha de frente da luta contra os “ajustes” dos governos, com a indispensável participação das mulheres trabalhadoras.

O grande revolucionário Leon Trotsky dizia que era preciso “enxergar a vida com o olhar das mulheres”. Por isso faremos desta ferramenta a voz destas mulheres, para denunciar a violência e precarização nos locais de trabalho, que tanto são omitidas pela grande mídia em interesse dos governos e patrões, e para mostrar que não estão sozinhas e nem devem ficar de cabeça baixa.

Queremos levantar o tapete e sacudir a poeira que esconde a história de resistência e luta de tantas mulheres que estiveram à frente de batalhas reivindicando o Pão, mas também as Rosas, contribuindo para que sejam fonte de inspiração para novas gerações.

Queremos também que o Esquerda Diário seja um campo de batalha de ideias para os que anseiam dar um grito de basta de violência e assassinatos de mulheres, LGBT, e, também, basta de mulheres mortas por abortos clandestinos por que o governo Dilma se nega a legalizar esse direito democrático básico para “pagar” suas alianças com os reacionários de toda ordem.

É nesta perspectiva que queremos fazer deste instrumento uma contribuição diária para formar uma opinião de esquerda. Um diário militante para contribuir para que a espetacular força política da classe trabalhadora organizada se interponha na vida política do país, pois somente assim encontraremos caminhos para lutar contra essa sociedade de exploração e opressão. Para isso a classe trabalhadora necessita integrar e organizar em suas organizações de luta o enorme contingente de mulheres (mais da metade da população), assim como os setores sociais oprimidos LGBT.

Convidamos todas e todas que queiram contribuir neste caminho a ser parte deste grande e apaixonante desafio, colaborando para que Esquerda Diário ecoe a voz dos explorados e oprimidos nos locais de trabalho, escolas, faculdades, bairros e espaços culturais onde estão os que fazem funcionar essa sociedade, mas apenas têm deveres sem direitos enquanto uma minoria tem direitos sem deveres.

Sejam bem-vindos, e mãos à obra!




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