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11 de Agosto | O dia do estudante não pode ser ao lado dos patrões e banqueiros que precarizam a educação

No Dia do Estudante, será lançada a “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”, assinada não só por intelectuais e artistas, como por ex-ministros do STF como uma gama de setores burgueses que fazem parte da FIESP, Febraban, Natura, Itaú, entre outros. Uma carta que coloca setores que foram parte do golpe institucional e de abrir caminho para Bolsonaro chegar ao poder, como o STF, junto com o grande capital que, ainda que se oponham politicamente aos discursos mais golpistas de Bolsonaro, querem manter as suas reformas, cortes e privatizações, com o véu de grandes “defensores da democracia”. O movimento estudantil precisa ter uma posição independente, apontando um caminho para derrotar Bolsonaro, os cortes na educação e as reformas pela via da nossa luta ao lado da classe trabalhadora, com atos, paralisações, greve e muita mobilização.

Faísca Revolucionária@faiscarevolucionaria

quinta-feira 4 de agosto | Edição do dia

O dia do estudante não pode ser entregue nas mãos desses odiosos inimigos da juventude e dos trabalhadores. Sobretudo frente à grave crise que vivem as universidades federais após sucessivos cortes que vêm desde de o governo Dilma e se aprofundaram muito desde o golpe institucional, com Temer e Bolsonaro. Hoje, 17 universidades federais anunciaram risco iminente de parar as atividades em 2022. Em 5 anos, 96% da verba de investimentos nas universidades foi cortada. Com os recentes cortes de Bolsonaro nas verbas discricionárias (manutenção e custeio) são os estudantes e trabalhadores mais precarizados os que têm pagado a conta, com as reitorias sendo implementadores dessa política.

Universidades como a UFRJ afirmam só ter verba até setembro, a UFSC até novembro. Em várias universidades a falta de auxílios e bolsas é sentida dia a dia. Por exemplo, na UFRN, a demanda por auxílios passou de 7 mil para 14,5 mil alunos com o retorno presencial esse ano, sem que uma bolsa nova sequer e o valor esteja congelado há muitos anos. Uma mostra de que os estudantes não estão nem um pouco alheios ao cenário de crise, aumento da inflação e do desemprego que o conjunto da população sente. As duplas e triplas jornadas entre o trabalho, em sua maioria precários, universidade e casa, são cada vez mais comuns. Um cenário que leva a um aumento da taxa de evasão das universidades federais, assim como nas universidades privadas, que se combina com o aumento do endividamento da juventude pelo FIES.

Nas federais ainda estamos assistindo diversas reitorias, como a UFRGS com o interventor Bulhões, mas também em outras como a UFF e UFRN como também em universidades estaduais como a Unicamp, aplicando uma política de demissão e redução no quadro de trabalhadores terceirizados, seja na limpeza, manutenção ou nos restaurantes. Funções vitais para que a universidade abra todos os dias e que é exercida majoritariamente por mulheres negras, que é utilizada para reduzir os custos não pagando direitos ou demitindo diretamente como estamos vendo. Alguns desses reitores, como o da própria Unicamp, que demite centenas de terceirizados na universidade, também farão parte do ato de lançamento da carta no dia 11.

Cada estudante consciente que é preciso dar uma resposta para essa crise enfrentando a extrema-direita de Bolsonaro e suas ameaças golpistas nas ruas, não pode aceitar que o Dia do Estudante seja utilizado para promover demagogia dos agentes dos ataques. Que sirva pra FIESP, famosa por seus patos amarelos do golpismo, posar de defensora da democracia ao mesmo tempo que defende a reforma trabalhista, responsável por termos que aceitar empregos cada vez mais precários, por termos que abandonar nossos estudos para trabalhar em empregos precários e não morrer de fome. Também não podemos confiar no judiciário, através da figura de ex-ministros do STF, que além de ter sido agente da prisão de Lula, também foi responsável pela terceirização irrestrita, e que historicamente foi fundado como um instituição racista e de origem escravocrata.

Para defender as universidades é necessário impor uma luta pela revogação de cada um dos cortes e da PEC do Teto do Gastos, que serve para banqueiros da Febraban sugarem cada vez mais recursos da educação através da dívida pública e aumentarem suas fortunas. E defender junto a revogação da reforma trabalhista, da previdência, o que só pode se dar contra, e não junto com esses empresários que até ontem eram parte de sustentar Bolsonaro, mesmo em meio à sua política genocida na pandemia.

Demandas que Lula-Alckmin já anunciaram que não vão levar a frente se forem eleitos.
E para conquistar essas demandas precisamos defender sim uma ampla unidade nas ruas, que é o contrário de uma unidade com um punhado de capitalistas parasitas das riquezas, um unidade da classe trabalhadora, dos estudantes e dos movimentos sociais que como disse o professor Ricardo Antunes, traga a burguesia para o nosso ringue: a luta de classes. Unificando desde a base de cada universidade, junto aos DCEs e os CAs, para recuperar o legado do movimento estudantil de luta contra a ditadura, e nos auto-organizando desde as assembleias de base e unificando com as lutas operárias, que de fato podemos criar a única força social capaz de derrotar a extrema-direita e os ataques às universidades e ao conjunto da população. Esse legado que toda a imprensa quer apagar quando tira a poeira uma carta de empresários de 1977 como referência a que está sendo articulada agora como responsável pela derrota da ditadura.

História | "Carta aos Brasileiros" de 77 e 2022: a serviço da legitimação da oposição burguesa e patronal

Foram exemplos como os estudantes da Marcha dos 100 mil e a batalha por fundir-se às greves de Contagem e Osasco dos anos 60 e o ascenso operário iniciado no ABC nos anos 70, com enorme apoio de artistas e setores populares, o que colocou a ditadura de joelhos.

A política da UNE de se somar ao conteúdo da convocatória ao mote “Fora Bolsonaro! Em defesa da democracia e eleições livres” ”, serve junto às burocracias sindicais da CUT e CTB à política do PT de conciliação com a direita golpista de Alckmin e reconciliação com os grandes empresários. Diversos DCEs e CAs, que se dizem oposição a direção majoritária da UNE, como o DCE da USP, com gestão composta pela Correnteza, Juntos e UJC e independentes. Colaboram para transformar o Dia do Estudante em palanque para Lula dar maior legitimidade à sua aliança com esses atores burgueses que atacam a juventude, os trabalhadores e setores populares. Como se expressa também no mote da UNE, que defenderam que fosse o mote unificado da manifestação em Natal. Já na USP, onde são direção do DCE, defenderam uma consigna que tampouco se delimita dos setores que assinam a carta.

Desde as manifestações de 2021 a UNE, dirigida pela UJS/PCdoB, a juventude do PT, Kizomba e o Levante foi canalizando o descontentamento contra os cortes para as urnas, desorganizando a batalha necessária para organizar desde a base a revogação dos cortes e reformas de Bolsonaro. Agora, querem que o Dia do Estudante seja mais um dia de atos eleitorais domesticados, que não imponham perigo aos cortes das universidades, propondo que os estudantes se unam aos seus algozes nas ruas. Uma política que constrói a paralisia do movimento estudantil que se subordina somente ao calendário das eleições e é estéril para enfrentar as ameaças golpistas e principalmente para defender as universidades da crise.

É preciso exigir da UNE que rompa com essa política e construa manifestações independentes dos empresários no Dia 11 contra as ameaças golpistas de Bolsonaro, os cortes nas universidades e as reformas. As organizações que se dizem contra a conciliação, como a Correnteza, UJC, ao invés de levantarem a mesma política de defesa das eleições, ao lado do Juntos que faz campanha para Lula-Alckmin ao lado da REDE, deveriam se colocar a serviço dessa exigência e mover as entidades que dirigem pelo país, como o DCE da USP, da UFRJ, UFRN e outros, a ser exemplo de organização desde a base de blocos por essa política de independência em relação aos empresários e o STF.

Desde a Faísca é essa a defesa que fazemos em cada reunião de construção do dia 11, chamando a unidade com os estudantes e organizações que se colocam como críticas à conciliação petista e a saída meramente eleitoral para Bolsonaro e seus ataques. E é também a defesa que levamos a frente na construção das candidaturas do MRT pelo Polo Socialista e Revolucionário em diversos estados do país, levantando um programa de revogação integral das reformas e do teto de gastos, e pela redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários, para que todes possam ter condições de trabalhar e estudar.

Editorial MRT | Contra o golpismo de Bolsonaro e as reformas: manifestações e greves sem banqueiros e empresários




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