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ELEIÇÕES RECIFE

O candidato do PSB à prefeitura do Recife, João Campos, é expulso com vaias da Comunidade Caranguejo Tabaiares

Hoje (26) o candidato à prefeitura do Recife pelo PSB, João Campos, tentou fazer campanha eleitoral na Comunidade Caranguejo Tabaiares em Recife e foi expulso ao som de vaias do local. A atual gestão da prefeitura que é também do PSB com Geraldo Julio, surpreendeu os moradores em julho de 2019 com uma ordem de desapropriação. Hoje os moradores mostraram ao candidato que possuem memória e ele não é bem vindo no local.

quinta-feira 26 de novembro de 2020| Edição do dia

Sabemos que os políticos dos patrões costumam pisar nas vilas, favelas e comunidades apenas de 2 em 2 anos. De maneira equivocada poderíamos até falar que estas são localidades “esquecidas” pelas distintas gestões, pois aí ficam amontoadas milhares de famílias da nossa classe em condições bastante precárias. Digo equivocada pois sabemos que não é bem assim, estes locais sempre são lembrados quando se trata da especulação imobiliária e de possibilidades de gerar lucros para os empresários amigos da gestão de turno.

Não foi diferente na Comunidade Caranguejo Tabaiares, localizada em uma ZEIS - Zona Especial de Interesse Social - em Recife. As ZEIS são regiões habitacionais de famílias de baixa renda, surgidas de forma espontânea ou propostas pelo poder público. Segundo dados do plano diretor do Recife, atualmente a cidade conta com 75 zonas do tipo ZEIS. No dia de hoje, o candidato à prefeitura da cidade pelo PSB João Campos tentou fazer campanha eleitoral na Comunidade onde há pouco mais de 1 ano, em julho de 2019, houve uma forte resistência dos moradores contra uma ordem de desapropriação oriunda do atual prefeito, Geraldo Julio, do mesmo partido. João Campos foi vaiado e expulso da comunidade, que mostrou que possui memória e que sabem quais interesses o PSB representa.

Em 2019, os moradores conseguiram através de sua organização e luta reverter a ordem de desapropriação, mas o poder público segue tentando retirar moradias do local, alegando que o espaço é de interesse público.

A questão da habitação é um dos grandes problemas no Recife. Sendo a cidade cortada por rios e manguezais, é comum encontrar na paisagem as famosas casas em palafitas, construídas sobre os charcos e as margens dos rios e mangues. Geralmente construções precárias onde falta saneamento básico e inclusive a energia elétrica não é garantida, resultando em gambiarras perigosas. O diretor Claudio de Assis consegue nos transportar brilhantemente para este cenário nas primeiras cenas de A Febre do Rato, produção de 1999, onde com a câmera livre representando olhar do poeta Zizo, caminhando sobre os labirintos de madeira e trapos, apresenta pra audiência estas que são muito similares às moradas milhares de famílias do Recife [1].

De acordo com a prefeitura, o deficit habitacional na cidade é de 71 mil casas. Sabemos que nenhuma das duas variantes que hoje disputam a prefeitura do Recife apresentam um projeto concreto para a questão da moradia. Revitalização e parcerias com empresas privadas, que são as propostas de ambos, não conseguem responder às necessidades concretas destes milhares de famílias que vivem em condições precárias. Nenhum dos candidatos se refere no que seria realmente central para resolver o problema da moradia em Recife: o não pagamento da ilegal e fraudulenta dívida pública que transfere as riquezas do país para o mercado financeiro e impedem através da lei de responsabilidade fiscal que sejam transferidos recursos para os municípios que poderiam por exemplo custear uma reforma urbana radical que estivesse a serviço de atender às necessidades da população. Uma medida que não pode ser levada adiante por nenhum político burguês, pois não está em seu projeto se enfrentar com os patrões e sim governar para os mesmos.

Marilia Arraes tenta vender uma imagem à esquerda do PSB, mas esconde que seu partido, o PT, faz parte da gestão estadual com este partido e está coligado com nada mais nada menos que o partido que elegeu Bolsonaro, o PSL, em mais de 140 cidades, além de ser parte, junto com João Campos, de uma das famílias que representa a oligarquia política que governa a região.

Os moradores de Caranguejo Tabaiares marcaram uma posição no dia de hoje, mostraram que têm memória e que não querem a ladainha eleitoral do PSB em ano de eleição. É preciso confiar apenas na força da nossa mobilização e na nossa organização independente dos partidos dos patrões, dos empresários e das oligarquias locais que só querem se perpetuar no poder enquanto a população sobre à mingua. Precisamos construir uma força de esquerda independente, que supere a experiência do PT e que deixe marcado que o PSB não tem nada de Socialista; que se ancore na força da classe trabalhadora, das mulheres, negras e negros, indígenas, LGBT’s e da juventude.

1 Dados do Portal da Prefeitura https://portaldeprefeitura.com.br/2020




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