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BLACK LIVES MATTER

O assassinato brutal de um afro-americano por policiais na Filadélfia desencadeia novos protestos

Dois policiais brancos assassinaram com dez tiros um afro-americano de 27 anos na cidade americana de Filadélfia, nesta segunda feira. A notícia gerou mais protestos contra a brutalidade racista da polícia na noite na mesma noite.

terça-feira 27 de outubro| Edição do dia

Os tiros ocorreram às 16h da última segunda-feira. Nos vídeos que circulam pelas redes sociais, é possível ver um grupo de policiais brancos, enquanto dois deles abordam o afro-americano de 27 anos, Walter Wallace. Sem mais do que alguns gritos pedindo-lhe para largar a faca que Wallace supostamente tinha em sua posse, os policiais o fuzilaram com 10 tiros no meio da rua.

O advogado Ben Crump postou o vídeo nas redes sociais junto com uma mensagem sobre o que aconteceu: "A polícia da Filadélfia atirou mortalmente em Walter Wallace Jr. hoje, atirando mais de 10 vezes contra ele, que estava a aproximadamente 3 metros de distância. Ele supostamente teria uma faca, mas a polícia NÃO fez nenhuma tentativa de reduzir a situação: Eles foram direto para matar Wallace na frente de seus entes queridos!"

Wallace foi baleado no ombro e no peito. A polícia o levou em uma viatura para um hospital, onde morreu pouco depois. Embora não esteja claro no vídeo se Wallace estava carregando uma faca ou não, em uma reportagem no site Inquirer, o pai de Wallace disse que seu filho sofria de uma doença mental.

Após o brutal assassinato, centenas de pessoas foram às ruas na noite de segunda-feira para protestar contra a violência policial racista. Carros de patrulha e contêineres de lixo foram incendiados.

Os manifestantes se reuniram no Parque Malcolm X nas ruas 51 e Pine, gritando "Vidas Negram Importam". Eles então seguiram para a delegacia gritando "Diga o nome dele: Walter Wallace."


Presos durante protestos de segunda à noite

Durante horas, os manifestantes confrontaram a polícia que defendia a delegacia com escudos antimotim por trás de barricadas de metal. Um grupo também marchou para a Cidade Universitária.

À medida que os manifestantes continuavam chegando, o mesmo acontecia com os policiais armados de choque, que inundaram o bairro e intimidaram os presentes e prenderam cerca de vinte deles.

Assassinatos racistas, impunidade policial

O assassinato de Wallace ocorre uma semana antes das eleições presidenciais nos Estados Unidos e no contexto dos crescentes protestos contra o racismo institucional que este ano tomaram as ruas de todo o país e impactaram o resto do mundo, após o brutal assassinato do afro-americano George Floyd.

Os protestos contra o assassinato de Floyd marcaram o maior movimento da história dos Estados Unidos. No entanto, o policial que o assassinou foi libertado após pagar uma fiança de 1 milhão de dólares, arrecadada pelos sindicatos da polícia. A mesma impunidade tiveram os policiais que assassinaram a paramédica afro-americana Breonna Taylor. Ela foi morta durante uma busca ilegal em sua casa e enquanto ela dormia. Nenhum dos responsáveis ​​foi acusado de homicídio.

A impunidade dos assassinos de Floyd e Taylor é emoldurada não apenas pela cumplicidade entre a polícia e o judiciário, sustentado pelas bases profundamente racistas em que se funda o próprio capitalismo estadunidense, mas também pelo peso que alcançaram os sindicatos policiais. Eles estão encarregados de defender os policiais acusados, arrecadar dinheiro para fiança e garantir que 99% dos casos de assassinatos policiais fiquem impunes.

A libertação do assassino de Floyd é outra grande injustiça, mais um tapa na cara da comunidade negra e de todos aqueles que se mobilizaram como parte do movimento Black Lives Matter.

Donald Trump mostrou que está disposto a defender a polícia, os paramilitares e as gangues de supremacia branca, e reprimir os manifestantes com seu slogan eleitoral "Lei e Ordem". Por sua vez, o candidato democrata Joe Biden reconheceu desde o primeiro debate presidencial que é a favor do aumento do orçamento da polícia. Democratas e Republicanos foram acusados ​​ao longo da história americana de manter o racismo institucional no país.




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