Mundo Operário

REUNIÃO DA COORDENAÇÃO DA CSP-CONLUTAS

O MRT vai ser impedido de expressar sua posição nacional na Coordenação da CSP-Conlutas?

A Coordenação da CSP-Conlutas irá se reunir a partir desta sexta-feira (27/05) até domingo (29/05) para debater, dentre outros assuntos, a conjuntura política nacional e a orientação da Central para o próximo período.

Marcello Pablito - Trabalhador do Bandejão da USP e diretor do SINTUSP

dirigente do MRT e fundador do Quilombo Vermelho

quinta-feira 26 de maio de 2016| Edição do dia

Nós, do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), viemos travando nos últimos meses uma batalha dentro da CSP-Conlutas para que ela se posicionasse claramente contra o golpe institucional que estava se implementando no Brasil à partir do processo de impeachment de Dilma Rousseff do PT. Esta posição política partia de uma premissa fundamental de rechaçar o impeachment reacionário da direita, ao mesmo tempo que denunciávamos que foi o próprio PT a abrir espaço para estes setores.

Dentro da CSP-Conlutas nós batalhamos para que o ato organizado junto com o Espaço Unidade de Ação no dia 01/04 tivesse como eixo na agitação não o Fora Todos (que fazia coro com o "Fora Dilma" de toda a direita brasileira), mas a luta contra o impeachment e os ataques do governo do PT e de todos os governos, conforme proposta votada em Assembleia pelos trabalhadores da USP. Esta proposta foi rechaçada na reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, inclusive a simples proposta de levar ao menos uma faixa com a consigna "abaixo o impeachment" também foi rechaçado. A maioria das correntes presentes, em especial o PSTU que é a direção majoritária da CSP-Conlutas, nesse momento, abriu mão de uma posição de independência de classe e buscou levar a CSP-Conlutas a reboque desta posição.

Obviamente, o fatídico dia 17 de abril, quando a Câmara dos Deputados deu um verdadeiro show de horrores mostrando a cara deste golpe, ficou ainda mais difícil para o PSTU e outras correntes da CSP-Conlutas defenderem a posição de não lutar contra o impeachment. Ainda assim, no dia seguinte Zé Maria, presidente do PSTU comemorou a caída de Dilma Roussef em vídeo dizendo "Dilma tem que sair logo".

Agora, frente a consumação do golpe, com o afastamento de Dilma, à partir da votação no Senado, é fundamental que essas posições se expressem e sejam debatidas até o final. Hoje, fomos surpreendidos com o informe de que nossa posição não estará expressa na mesa de abertura, o que considerávamos como completamente natural, e que o debate nacional que seria promovido pelo Movimento Mulheres em Luta, em discussão com todas as correntes que integram o movimento, incluindo o grupo de mulheres Pão e Rosas, não será mais realizado, o que significa que o MRT não terá espaço em nenhuma das mesas para expressar e colocar para debate essa posição.

É um absurdo que a corrente que veio defendendo a posição de combater o golpe e os ataques do governo seja impedida de expressar sua posição como parte da mesa sobre Conjuntura Nacional, pelo argumento de que "a mesa foi definida há dois meses atrás" - como se no Brasil as coisas não estivessem mudando de um dia para o outro, mais burocrático impossível. Vemos como um grave erro, ainda mais em um momento onde a luta contra o governo Temer vem se aprofundando, e o PSTU está abrindo mão de participar das manifestações convocadas pela Frente Povo Sem Medo, sem nenhum fundamento concreto, apenas buscando convencer a todos que não foi um golpe. A CSP-Conlutas também ficará de fora destas manifestações?

À partir desta nota, queremos insistir na necessidade da presença do MRT na mesa de debate sobre conjuntura nacional que irá ocorrer nesta sexta-feira, durante a Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, assim como a presença das correntes com posições minoritárias que assim reivindicarem. Do contrário, o PSTU e a CSP-Conlutas estarão atuando de forma burocrática para impedir uma discussão política de maneira qualificada, ao mesmo tempo que comprometem os rumos da Central, que já cometeu o enorme erro de não se posicionar contra o golpe, agora tem a oportunidade de fazer um balanço e se recolocar com força na luta independente dos trabalhadores, construindo os atos contra o governo golpista de Temer.




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