Gênero e sexualidade

8M

O 8 de março deve ser um grito independente das mulheres contra Bolsonaro

Diante da escalada reacionária do presidente ao convocar manifestação para fechar o Congresso, seu fortalecimento na correlação de forças das disputas dentro do governo, as mulheres precisam neste 8 de março fazer ecoar em todo o país um grito independente contra Bolsonaro através da mobilização.

sexta-feira 28 de fevereiro| Edição do dia

O bolsonarismo chama manifestação reacionária para o dia 15, apoiado nos avanços dos milicianos no país, como vemos nos motins do Ceará. Bolsonaro trabalha para perpetuar o assassinato de Marielle Franco, ferida aberta do projeto do golpe institucional, com o encobertamento da ligação do ex-PM morto Adriano da Nóbrega com o assassinato.

Veja mais: Advogado dos Bolsonaros questiona comoção com Marielle e exalta miliciano morto na Bahia

Se esse chamado de Bolsonaro, que se apoia nas Forças Armadas e busca fazer avançar o poder das milícias e das forças repressivas no país, não é energicamente respondido com organização e luta em cada local de trabalho e estudo, com a força das mulheres, seu reacionarismo terá maior poder para seguir promovendo crescentes ataques à já degradada “democracia dos ricos", usando isso para acelerar as reformas que vêm sendo aprovadas pelo Congresso ajustador e os ataques à educação.

As outras forças que compõem esse regime herdeiro do golpe institucional de 2016 não são alternativa. Junto a Bolsonaro e Paulo Guedes, o presidente da Câmara, do Senado e o STF construíram um grande acordo nacional pela aprovação da Reforma da Previdência, como pode-se ver no ano passado.

Hoje, a Reforma da Previdência caminha para seus embates estaduais e os governadores são protagonistas na implementação desse ataque. Até mesmo governadores que se dizem de oposição (mas que já apoiavam a Reforma da Previdência no ano passado), como os governadores do PT e do PCdoB no Nordeste, encaminham as aprovações dos projetos das reformas estaduais nas Assembleias Legislativas.

As mulheres atacadas pelo projeto golpista, pela precariedade do trabalho em aplicativos, com duplas e triplas jornadas e que morrem por abortos clandestinos nesse 8 de março podem ser parte de fazer ecoar a continuidade da batalha dos petroleiros e armar o conjunto da oposição de forma independente das forças que nos atacam. É com a força das mulheres que podemos contar, sem manobras parlamentares e jurídicas, mas só com a mobilização, com a classe trabalhadora de conjunto à frente, para impor uma derrota aos capitalistas que descarregam a crise em nossas costas.

"Bolsonaro avança em sua escalada reacionária nesta já degradada ’democracia dos ricos’. As mulheres devem estar na linha de frente junto aos trabalhadores, negros e LGBTs para que avancem sobre nossas liberdades democráticas"

Maíra Machado, professora da rede estadual de São Paulo e do Pão e Rosas

Por isso, nossos sindicatos, as grandes as grandes centrais, como a CUT e CTB, as entidades estudantis, CAs, DCEs e a UNE, devem construir centenas de assembleias e reuniões em cada local de trabalho e estudo, para nos organizarmos debatendo planos concretos para unificar as diferentes categorias em luta, como professores, categoria majoritariamente feminina, que estão em greve em diversos estados do país, os trabalhadores dos Correios que entrarão em greve no próximo dia 3, os petroleiros que protagonizaram essa importante luta recente e as demais categorias do nosso país.

Contra a escalada reacionária e o projeto do golpe institucional, o Pão e Rosas Brasil batalha em todo o país contra as aprovações da reforma da previdência estadualmente, por Justiça à Marielle e pela legalização de aborto, com a unidade pela base e as mulheres à frente por um forte 8 de março.




Tópicos relacionados

8M 2020   /    Governo Bolsonaro   /    Mulheres   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar