Educação

NOSSA CLASSE EDUCAÇÃO

Nossa Classe Educação implementa rotatividade na Apeoesp para fortalecer a democracia de base na categoria

Marcella Campos, professora da zona Norte de São Paulo, é a nova diretora do movimento Nossa Classe Educação na Diretoria Estadual Colegiada (DEC) da Apeoesp, Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo. O Nossa Classe Educação, agrupação de professores impulsionada pelo Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) e independentes, atua em oposição à direção majoritária do sindicato (PT e PCdoB) e desde que passou a ocupar a DEC tem como prática o rodízio de seus diretores como forma de combate ao burocratismo buscando se manter profundamente ligados a base da categoria. Prática não somente negada pela direção majoritária da Apeoesp como também por boa parte dos grupos de oposição, que atuam no sindicato.

terça-feira 4 de maio| Edição do dia

Nos quatro primeiros meses de 2021 o país já registrou mais mortes pela covid-19 do que em todo o ano de 2020. Já são mais de 400 mil mortes e o sistema de saúde está em colapso. Bolsonaro, militares e os golpistas, tais como, Congresso, STF, governadores e prefeitos, são os responsáveis pelo nosso luto e desespero diante da pandemia e da miséria instalada no país. No Estado de São Paulo o governador João Doria (PSDB) está longe de ser qualquer alternativa ao negacionismo de Bolsonaro, e jamais criou as condições reais de combate à pandemia. Não à toa São Paulo é o Estado do país com maior número de óbitos.

Na educação a demagogia de Doria e Rossieli fica explícita com a imposição do retorno inseguro e irresponsável das aulas presenciais. Uma medida levada adiante para atender a sede de lucro dos empresários da educação e das patronais, que precisam que seus funcionários tenham onde deixar seus filhos para seguir trabalhando, colocando toda comunidade escolar em risco. Além de uma série de outras ações escandalosas, tais como, a demissão de milhares de trabalhadoras terceirizadas da limpeza e da alimentação, os mais de 35 mil professores de contrato precário que ficaram sem salário e sem o direito de recorrer ao auxílio emergencial em 2020 - e que mesmo agora seguem enfrentando dificuldades para retornar ao trabalho - a ausência de uma política de segurança alimentar que faz o estômago de centenas de milhares de estudantes arderem de fome e os sucessivos ataques à organização política dos professores e ao sindicato, com o desrespeito a todas as medidas judiciais conquistadas pela Apeoesp e com declarações dignas do slogan BolsoDoria.

Diante desse cenário, onde inclusive os diversos atores políticos do regime do golpe aproveitam, desgraçadamente, da pandemia para avançar com uma série de reformas e medidas provisórias que buscam descarregar a crise capitalista nas costas dos trabalhadores e da juventude, é imprescindível fortalecer a luta da nossa classe e os sindicatos. Para tanto, necessariamente é preciso combater as direções sindicais que seguem encasteladas em seus cargos, atuando de forma totalmente rotineira e adaptada há anos.

A rotatividade é implementada pelo Nossa Classe Educação como forma de combate ao burocratismo imposto pelas direções majoritárias dos sindicatos. Direções essas que permanecem anos sem manter qualquer relação cotidiana direta com a sua própria categoria. Desligando-se por completo dos dilemas e da realidade enfrentada pelos trabalhadores. Esse é o caso da Maria Izabel Noronha, presidente do sindicato e deputada estadual pelo Partido do Trabalhadores (PT). Bebel há mais de duas décadas não sabe o que é pisar em uma sala de aula e ter as mãos sujas de giz (e agora, sem saber o que é o desgaste do ensino remoto para os professores).

Os diretores sindicais, ainda mais aqueles que são liberados de seus locais de trabalho para ocupar cargos específicos deveriam ter como premissa o combate da separação entre a base e o sindicato, a fim de se ligar aos problemas reais da categoria e permitir que novos diretores sindicais se formem, fortalecendo os sindicatos para organizar a luta contra os ataques dos governos e dos patrões. Infelizmente, não é o papel que cumpre as direções majoritárias do movimento operário do país, tais como a CUT e a CTB, verdadeiras burocracias que atuam como obstáculo a organização política e luta dos trabalhadores. É no sentido oposto que está a atuação do Nossa Classe nos sindicatos, e na Apeoesp. Isso se expressa não somente nos combates travados onde colocamos a centralidade nas medidas de auto-organização da categoria, de unificação das lutas e de combate ao regime político do golpe, e na implementação de rotatividade com seus diretores sindicais.

Não é à toa que a direção majoritária da Apeoesp (Chapa 1 - PT e PCdoB) não implementa a rotatividade de seus diretores nas instâncias do sindicato, se mantendo no controle do sindicato para manter seus próprios interesses. Infelizmente, a maior parte das correntes de oposição na Apeoesp se adaptam a isso e não implementam a rotatividade. Se furtando de dar esse combate por mais democracia no sindicato. O Nossa Classe Educação reforça, mais uma vez, o chamado a todas as correntes de oposição a batalhar por essa e outras medidas anti-burocráticas e para fortalecer a voz da categoria na Apeoesp.

O Esquerda Diário entrevistou a professora Marcella Campos, professora da zona norte da cidade de São Paulo e também colaboradora do diário. Marcella será novamente diretora pelo movimento Nossa Classe Educação na Diretoria Estadual Colegiada (DEC) da Apeoesp, cadeira que ocupou em 2017. Antes de Marcella Campos, a professora Maíra Machado, de Santo André, também levou todas essas batalhas durante os 2 anos que compôs a DEC. Nesse período, Maíra atuou nas diversas mobilizações dos professores, como a luta contra a reforma da previdência de Doria, e junto as lutas de outras categorias, tais como, a greve dos petroleiros e dos trabalhadores dos Correios. Maíra Machado seguirá como Conselheira Estadual pela subsede de Santo André.

ED: Frente a essa situação reacionária onde as diferentes alas do regime político do golpe querem impor que a classe trabalhadora e a juventude paguem pela crise capitalista, qual deve ser o papel dos sindicatos?

Marcella: “É escandalosa a situação que estamos vivendo no nosso país diante do negacionismo do Bolsonaro e do cinismo do Doria e Rossieli. Todos os dias recebemos a triste notícia de mais um colega e amigo de trabalho, estudante ou familiar que morreu fruto das complicações pela covid-19. Eu mesma tenho passado por essa tristeza. Frente a esse cenário de tragédia precisamos de um sindicato à altura dos nossos desafios. Um sindicato que se enfrente com todo o regime político do golpe que seguir deteriorando a vida dos trabalhadores e sabotar o futuro da nossa juventude. Precisamos de um sindicato que batalhe junto com as outras categorias de trabalhadores por um plano emergencial de combate à pandemia e por vacina pra todos. Pra isso precisamos de um sindicato que seja democrático, que ouça a voz desses professores que estão todos os dias lidando com os maiores desafios das escolas públicas. Não precisamos de uma direção que segue lá anos e ano, com seu calendário rotineiro, como faz Bebel Noronha, que não larga o osso da presidência do sindicato e tem usado a Apeoesp como um anexo de seu gabinete parlamentar. É contra isso que implementamos a rotatividade entre os nossos professores, na cadeira da diretoria colegiada que conquistamos. As conquistas de todos os trabalhadores pela organização sindical não podem se transformar em privilégios de alguns.

Na DEC os diretores não são liberados de suas atividades e funções nas escolas, seguem trabalhando, ainda assim entendemos que manter a rotatividade é uma forma de expressar esse combate que damos pra que isso seja feito também nas cadeiras executivas, ocupadas por diretores, como Bebel e Fábio, que estão liberados e sem trabalhar há anos. Além disso, batalhamos pela organização da nossa categoria, já que a direção majoritária desvia a força da nossa categoria, ao apostar somente em saídas jurídicas, de uma justiça que já provou inúmeras vezes que não está do nosso lado. Além de levarem à risca a orientação do PT e da CUT de manter separada as distintas mobilizações de trabalhadores, contra uma união que poderia dar uma saída para a situação absurda que passamos no país, ao contrário mantem uma paralisia que asfixia nossa luta. A nossa cadeira na diretoria colegiada vai seguir batalhando pra que os professores possam se organizar em cada escola e em cada comunidade escolar. Se auto-organizar, por exemplo para que a comunidade escolar exija decidir ela quando e como retornar ao presencial nas escolas, contra a insanidade do Doria e Rossieli.”

“O papel do sindicato precisa ser batalhar mobilizar os professores de forma independente contra os vários ataques dos governos, não pode ser fomentar na categoria a visão de que temos que seguir esperando a eleição de 2022, como se eleger o Lula fosse nós salvar. Ele, que por sua vez, já deixou claro que vai manter todas as reformas que retiram os nossos direitos e que vai seguir as privatizações, como já disse que fará com a Caixa. Já até se sentou para negociar com o próprio PSDB que aqui no estado de São Paulo esmaga a nossa categoria. Além disso, todo mundo viu também a Bebel votando no Carlão Pignatari do PSDB pra presidir a Alesp. Esses tucanos que buscam de forma incansável acabar com a educação por meio de um projeto reacionário e privatizante. A implementação da Reforma do Ensino Médio e as escolas militares são um exemplo concreto de qual concepção tem o PSDB para a educação. O estado de São Paulo é um verdadeiro laboratório nacional da implementação dessas políticas.”

Marcella Campos também comentou sobre o adiamento das eleições sindicais da Apeoesp, que estavam previstas para o primeiro semestre:

“Nós fomos favoráveis ao adiamento das eleições da Apeoesp durante a pandemia, mas deixamos claro que a categoria deveria poder opinar sobre. Assim como deveria ter espaços de balanço dessa diretoria a fim de corrigir os erros graves do último período. Da mesma forma que a direção majoritária organizou assembleias virtuais para deliberar a greve sanitária no início do ano, greve que não construiu de fato, deveria também ter chamado assembleias e plenárias para que os professores pudessem expressar suas opiniões sobre os rumos da educação em um momento tão difícil. Seguiremos atuando para que a voz dos professores possa se expressar e que o sindicato tenha a mais ampla democracia e participação da categoria, o que hoje é negado pela direção majoritária, e colocamos a nossa atuação na Diretoria Estadual Colegiada da Apeoesp a serviço de batalhar contra Bolsonaro, Mourão e os golpistas que impõem uma vida de miséria para nós. Por uma Apeoesp que lute pela anulação de todas as reformas e que coloque de pé um plano emergencial de combate à pandemia que tenha no centro a luta pela vacinação para todos com a quebra das patentes, sem indenização e um auxílio emergencial de no mínimo um salário pra toda população que necessite.”




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