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METRÔ SP

Nossa Classe: A força da mobilização dos metroviários mostrou que poderíamos garantir todos os direitos

Antes mesmo de a greve dos metroviários de SP começar, o governador Doria que estava extremamente intransigente teve que reconhecer a força da mobilização e unidade dos metroviários, e o apoio que conquistamos da população, e recuar. Isso só prova que, se a direção do sindicato estivesse decidida e unificada na luta, poderíamos ter dado uma grande demonstração de que, com a unidade na luta, os trabalhadores podem manter todos os direitos e, frente à pandemia, impor que sejam os capitalistas que paguem pela crise

terça-feira 28 de julho| Edição do dia

Paulo Iannone/Sindicato

Ainda antes da meia noite o governo recuou diante da força da mobilização dos metroviários, e o metrô aceitou a proposta que havia recusado mais cedo no dia de ontem, apresentada pelo Ministério Público do Trabalho. Uma proposta que impõe o corte no pagamento de vários direitos e benefícios dos metroviários durante seis meses, com a promessa de devolver tudo integralmente depois, e mantém os direitos dos trabalhadores que o Metrô queria cortar do acordo coletivo.

É um claro recuo do governo, que prova o que nós da Chapa 4 - Nossa Classe, que somos minoria na diretoria do sindicato, viemos dizendo desde o dia 30: só com nossa luta podemos defender nossos direitos, este é o único caminho.

Mas o corte de direitos por 6 meses ainda atinge duramente os trabalhadores, quando temos colegas de trabalho dormindo nos terminais de ônibus por falta de dinheiro pra vir trabalhar, e enfrentando os riscos da pandemia, com quase 400 trabalhadores tendo sido afastados por contaminação ou suspeita, sem direito a testes massivos. E enquanto isso a cúpula do metrô ganha supersalários acima do teto do governador, e o estado repassa mais de R$200mi em subsídio para os empresários das linhas privadas 4 e 5, e nem um centavo para o metrô estatal.

Por isso, frente à força que vimos que nossa mobilização e unidade tem, se toda a diretoria do sindicato estivesse firme e decidida na luta, poderíamos impor a manutenção de todos os direitos, sem atraso de nenhum pagamento, e garantir subsídio para o metrô público atender a população com qualidade e segurança, e sem nenhum corte - a não ser nos supersalários dos gerentes.

E isso seria um grande exemplo para toda a população que está sofrendo com a crise e a pandemia de que, com a nossa unidade na luta, os trabalhadores podem manter todos os direitos e impor que sejam os capitalistas que paguem por essa crise. O maior medo do governo, que o fez tremer, é da força desse exemplo. O impacto na correlação de forças, para todos os trabalhadores do país, teria sido enorme se o governo tivesse que recuar diante de uma greve com todo seu impacto escancarando a força dos trabalhadores. E para evitar isso, o governo correu em ceder no que fosse preciso, ainda à noite, para que essa força não ficasse evidente para toda a população no dia posterior.

Por tudo isso, nós da Chapa 4 - Nossa Classe defendemos não aceitar essa proposta do MPT e de Doria. Defendemos na diretoria que essa decisão fosse tomada em uma assembleia pela manhã, mas a maioria da diretoria decidiu por realiza-la na madrugada. Frente a isso chamamos todos a votar para manter a greve, por nenhum direito a menos, e nos unir com a população contra a pandemia e a crise.

Saudamos os mais de 300 metroviários que votaram nessa proposta, e compreendemos a posição de todos os trabalhadores que votaram com outra posição, pela suspensão da greve. Especialmente vendo a maioria da direção do sindicato defendendo esse caminho, ao invés de estar firme e em unidade na luta, e esse é o problema. E já seria de se esperar isso da Chapa 1 - CTB/CUT, que o tempo todo quis evitar a luta, confiar na justiça, na empresa, e até na canetada de Bolsonaro na MP 936, que eles esperavam que mantivesse os acordo coletivos, mas que terminou dando o direito só aos patrões de cortar salários e suspender contratos de milhões de trabalhadores. Mas infelizmente foi a mesma posição defendida pelos demais coordenadores do sindicato, das Chapas 2 e 3, compostas pelo PSTU, distintas correntes do PSOL, como MES e Resistência. Diferenciamos a posição de alguns companheiros dessas chapas que defenderam que a assembleia fosse realizada de manhã, e da CST (PSOL), que compõe a chapa 2 e, assim como nós da Chapa 4 - Nossa Classe, chamou trabalhadores a votarem na assembleia pela continuidade da greve. Era a hora de chamar a se apoiar na enorme força instalada na greve, e nos unir com a população na luta. Mas fizeram o contrário disso, e não só nessa votação: nós havíamos proposto apresentar para votação na assembleia uma declaração dos metroviários em apoio aos entregadores, aos milhares de professores eventuais sem salários, aos trabalhadores da CPTM e Correios sendo atacados como nós, e a toda a população que está sofrendo com a pandemia, o desemprego e a miséria, e mais uma vez os companheiros do PSTU da Chapa 2 foram os primeiros a se colocar contra colocar algo tão elementar e importante em votação, seguidos por toda a diretoria. Foi o mesmo que fizeram na véspera do dia 1, se negando a colocar em votação o apoio à paralisação dos entregadores.

A continuidade dessa greve, que ameaçou a paralisação total do sistema metroviário seria um duro golpe inclusive na política das burocracias sindicais como da Chapa 1 e os partidos que as dirigem (PCdoB e PT) que insistem há tempos que não é possível lutar pois nossos inimigos estão muito fortes e só nos restariam as mesas de negociação, os tribunais e malditas MPs antipopulares.

Seguiremos na batalha pela unidade da categoria contra os ataques, pela democracia nas assembleias em que os trabalhadores possam falar e colocar proposta em votação, pela unidade com os demais trabalhadores que estão sendo atacados e para construir uma força no movimento de trabalhadores com uma perspectiva não corporativa, que batalhe pela defesa dos interesses de todos os setores mais explorados e oprimidos da população, pela aliança entre esses setores, pra que todos os sofrimentos que estão sendo impostos a nós se voltem contra Bolsonaro, os governadores, a justiça e o congresso e os capitalistas.




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