Política

#28A

No dia em que desemprego bate recorde, a classe trabalhadora brasileira cruza seus braços

São 14,2 milhões de desempregados segundo o IBGE. E a classe trabalhadora para por seus direitos em todo o país contra Temer e seus ataques.

Fernando Pardal

@fepardal

sexta-feira 28 de abril de 2017| Edição do dia

No primeiro trimestre de 2017 a taxa de desocupação ficou em 13,7%, com 14,2 milhões de desempregados de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). É um número recorde.

Esses números expressam de forma cruel a forma como os patrões estão demitindo massivamente para, no momento de crise, preservar seus lucros deixando milhões de famílias sem seu sustento.

O discurso do governo e sua prática são totalmente consonantes com essa forma de "resolver" a crise. Não apenas não fazem absolutamente nada para impedir que esses milhões de trabalhadores continuem sendo jogados no olho da rua, como ainda adotam as reformas exigidas pelos patrões para que os custos da crise sejam ainda mais despejados sobre nossos ombros.

A terceirização irrestrita, que foi propagandeada pelo Ministro da Fazenda Henrique Meirelles como a solução para criar novos empregos, é uma amostra disso: usa o desemprego como chantagem para dizer aos trabalhadores que a única forma de terem empregos novamente é cortando seus direitos e salários.

Agora, avançam com a reforma trabalhista com o mesmo argumento, dizendo que são as "arcaicas" leis brasileiras que impedem os empresários de criar empregos. Como se os empresários fossem almas caridosas que só querem ajudar os trabalhadores, mas esses "malvados" direitos os impedem. Então é simples: é só dizer que "o negociado deve se sobrepor ao legislado". E aí a chantagem se repete em cada fábrica: o patrão diz ao trabalhador, "você pode manter seu emprego, é só abrir mão de uma parte de seu salário, uma parte de seus direitos, uma parte de suas horas de descanso, uma parte ainda maior de sua vida para me enriquecer".

Na lógica de Meirelles, Temer e os capitalistas é um grande benefício que estão fazendo ao "salvar" os empregos que agora vemos ir embora.

Mas o fato de que, no dia em que se divulga o resultado desse desemprego recorde, ocorra a maior paralisação em décadas da classe trabalhadora brasileira, é uma contundente demonstração de que essa chantagem não está colando, que os trabalhadores não estão dispostos a deixar suas vidas no trabalho para enriquecer ainda mais seus patrões. Não estão dispostos a trabalhar até morrer, como quer a reforma da previdência de Temer.

Uma onda de revolta latente se espalhou entre os trabalhadores no país, e se demorou para se expressar em paralisações e lutas, foi apenas por culpa dos burocratas traidores que ocupam as direções dos sindicatos. Contra a sua vontade, foram obrigados a convocar a paralisação de 15 de março, em que uma parte imensa desse potencial de luta transpareceu. Depois de dar um mês de trégua para o governo, tiveram que convocar um novo dia de luta, esse dia 28 em que estamos vendo setores como transportes, educação, indústria e serviços mostrarem disposição de ir até o fim na luta contra as reformas de Temer e seu governo.

A mídia tenta esconder a todo custo a imensa força dessa paralisação nacional para ajudar Temer e os patrões. Seus colunistas, como Merval Pereira, afirmaram que a greve seria um "feriadão" e não um dia de combate. Os governos, como Alckmin na Zona Oeste da capital e em todo o estado. Ou Doria com suas multas e cortes de ponto. No Rio também, Crivella e Pezão atacaram a manifestação na ponte Rio-Niterói. Eles farão de tudo para nos calar.

Por isso mesmo precisamos redobrar nossa organização para podermos dar nossa resposta ao desemprego e às reformas de Temer. Preparando uma forte greve geral que para o país até a derrubada de Temer e seus ataques, e que coloque a luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana. Nós podemos acabar com o desemprego estatizando as empresas, dividindo as horas de trabalho entre todos os braços disponíveis sem redução do salário, efetivando todos os terceirizados. Isso deverá ser feito às custas dos lucros milionários dos capitalistas, e não dos direitos dos trabalhadores.

É essa a perspectiva que, com a força do 28A em todo o país, se torna mais concreta do que nunca. Lutemos por ela.




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