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No Ceará, PT aprova sua própria versão da PEC do fim do mundo

Enquanto o PT afirma ser contrário à PEC de Temer no governo federal, governo petista de Camilo Santana aprova projeto com os mesmos ataques no estado do Ceará.

quinta-feira 22 de dezembro de 2016| Edição do dia

A Assembleia Legislativa do Ceará aprovou nessa quarta, 21, uma proposta de emenda à constituição do estado do Ceará que congelará os gastos do estado pelos próximos dez anos. Também foi aprovada na mesma proposta um aumento na contribuição previdenciária dos servidores estaduais, passando de 11% para 14% do salário, e um aumento no ICMS, que vai de 17% para 18%, entre outras medidas recessivas.

Essa é uma proposta que veio diretamente do governador do estado, Camilo Santana (PT), e que contou com a defesa do bloco governista na Assembleia Legislativa, que conta com ampla maioria dos deputados da casa. O governador petista combinou esses ataques com o governo golpista em novembro, em troca de uma participação maior na divisão dos valores do programa de repatriação de dinheiro sonegado, em sua maioria por grandes empresários e especuladores, promovida pelo governo federal nesse ano.

Em troca desse dinheiro fácil, o governo petista do Ceará aprovou em tempo recorde, apenas 8 dias desde apresentação feita pelo governador Camilo, uma “emenda constitucional de desenvolvimento sustentável” um termo atraente para tentar encobrir a indisfarçável semelhança entre o projeto defendido pelo PT no Ceará e a PEC de Temer, que esse mesmo PT vem demagogicamente criticando no congresso federal.

Mesmo contando com confortável maioria na Assembleia Legislativa, o governo de Camilo defendeu apenas as propostas acordadas com a oposição, composta por uma série de partidos que apoiaram o impeachment, como PMDB e PSDB. O resultado são propostas que apenas penalizam a classe trabalhadora e os setores populares, como o aumento do ICMS, um imposto que é muito mais sentido pela população, já que as empresas repassam o valor do imposto para o preço dos produtos, que uma vez mais recai sobre os mais pobres.

Com isso vai ficando cada vez mais difícil diferenciar o PT dos partidos golpistas, que apesar das diferenças nos discursos políticos estão cada vez mais parecidos nos gestos e na ação, com todos unidos em torno de descarregar os custos da crise econômica e politica nas costas dos trabalhadores.

Para dar respostas a todos esses ataques é necessária uma saída independente dos trabalhadores, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, convocada pelos trabalhadores organizados e não por esse congresso repleto de partidos que representam somente aos ricos e poderosos, ainda que tenham palavras como “trabalhador” no seu nome.




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