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Precarização | No Brasil, 30% dos jovens entre 18 e 29 anos estão sem trabalho e sem estudo

Uma consultoria solicitada ao IDados e divulgada na grande mídia nesta segunda-feira, 03 de janeiro, aponta que ao menos 12,3 milhões de jovens entre 18 e 29 anos estão sem estudar e trabalhar. Os números apontam um crescimento nos últimos anos impactando boa parte da juventude. De 2019 para cá o salto foi de 800 mil jovens que passaram a compor o chamado grupo nem-nem; nem estudam e nem trabalham.

segunda-feira 3 de janeiro | Edição do dia

Imagem: Roberto Parizotti

Um montante de 30% da juventude do país enfrentam dificuldades já existentes antes da pandemia, mas que foram agravadas por ela. O aumento desse grupo é persistente há mais de uma década e em 2019 o percentual já era de mais de 27%. O acentuamento da crise econômica, política e social nos últimos 2 anos tem se expressado nos alarmantes índices de desemprego que assolam o país e também no crescimento da inflação que fechou 2021 acumulada em 17,78%.

A Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) apontou que apesar da diminuição da taxa de desemprego, que ficou em 12,5 no último trimestre de 2021, a recuperação se dá em base do aumento do trabalho precário, sem carteira assinada e direitos trabalhistas, um cenário que acaba caindo ainda mais fortemente na juventude mesmo entre aqueles que já concluíram, inclusive, o ensino superior.

O panorama para a juventude no Brasil de Bolsonaro e Guedes é marcado pelo desemprego e pelo trabalho precário. A expansão da formação, em especial no ensino superior, nos últimos anos já não tinha condições de ser absorvida pelos postos de trabalho num momento anterior à pandemia e esse quadro se agravou com após os impactos da Covid-19 que seguem vigentes e podem se agravar diante da nova variante.

Leia mais aqui: A variante Ômicron e a necessidade de uma juventude trotskista

Os ataques implementados desde o golpe institucional e que se aprofundaram no governo Bolsonaro, em particular aqueles relacionados ao tema do emprego, têm imposto para a juventude um cenário de desespero. Os jovens entre 18 e 29 anos no país são empurrados para os postos mais precários, trabalho por aplicativos como Ifood ou Rappi, os regimes exaustivo de trabalho, telemarketing e uma renda baixíssima.

Junto com o Congresso Nacional o governo de Bolsonaro e Guedes impuseram para a juventude uma realidade de trabalho onde se legaliza a contratação sem vínculo trabalhista ou direitos como férias, FGTS, décimo terceiro. O futuro da juventude, que quando inserida no ensino superior após passar no filtro social do vestibular tem que se deparar com atraso de bolsas e precarização, vem sendo cada vez mais atacado. Um horizonte de desemprego, repressão (em especial para juventude negra) e nenhuma perspectiva de futuro se impõe e já mostra seus efeitos na vida dos jovens.

A miséria social colocada com essa crise que foi aprofundada pela pandemia, o cenário de desemprego exige que as entidades estudantis e os sindicatos debatem e organizem a juventude e os trabalhadores para que com essa força se imponha a resistência aos ataques. Uma resistência que avance para fazer com que os capitalistas paguem pela crise e não mais a juventude com o seu futuro.

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