Internacional

ATO FRENTE DE ESQUERDA ARGENTINA

Nicolás Del Caño: "Nossa luta contra os capitalistas é por um governo dos trabalhadores e pelo socialismo"

Nico Del Caño, candidato à Presidente pelo PTS na Frente de Esquerda - Unidade (FIT-U) na Argentina, encerrou o ato de mais de 25 mil pessoas agora na Av. 9 de Julho em Buenos Aires.

sábado 5 de outubro| Edição do dia

Nico abriu com elogiando a dimensão do ato, “É a primeira vez que a esquerda dos trabalhadores, anticapitalista e socialista, se faz presente aqui em um cenário que até agora foi ocupado pelos partidos políticos tradicionais da Argentina”, referindo-se ao ato realizado com mais de 25 mil pessoas na emblemática Avenida 9 de Julho em Buenos Aires. "É muito importante porque fazemos isso em um cenário de polarização”, em relação ao peronismo-kirchnerismo e o macrismo. Sobre o posicionamento da FIT-U entre as forças que disputam as eleições, remarcou o valor de ser “a única força política que diz com clareza que nem todos perdemos sob o governo de Macri” e que nessa crise ganharam os banqueiros, o agronegócio, as petroleiras, os especuladores da dívida e os patrões das empresas privatizadas dos setores essenciais como água e luz, enquanto a grande maioria da população se afunda nos 35% de pobreza, no desemprego e no aumento dos preços dos serviços.

“Quando dizemos que a crise deve ser paga pelos capitalistas e não o povo trabalhador, estamos dizendo que a paguem estes ganhadores das crises, desta e de todas as crises, os capitalistas. Basta de governos dos ricos!”

Em um espírito internacionalista, Del Caño mencionou as crises migratórias e os desastres promovidos pela ganância dos capitalistas. “Há uma tendência a nível internacional, uma tendência histórica de os milionários concentrarem as riquezas, enquanto as grandes maiorias cada vez recebem uma porção menor da riqueza social”. Lembrou os efeitos das guerras e da exploração dos países imperialistas sobre os países pobres, forçando milhares de famílias a arriscarem suas vidas no mediterrâneo e no sul dos Estados Unidos. No mundo inteiro a má qualidade da saúde e da educação pública, o trabalho precário, e uma condição de vida degradante causam maior descontentamento com os governos e instituições a serviço dos ajustes. Nico remarcou que frente à revolta popular, os capitalistas não puderam evitar que até em uma potência como França nascessem os Coletes Amarelos, que enfrentaram a repressão por dezenas de semanas, ou a crise no Equador com a população desafiando os desmandos do FMI. “Na Costa Rica, no Haiti, em Honduras, no Sudão e muitíssimos outros países,” brotam “levantamentos do povo, de trabalhadores oprimidos pelas potências imperialistas do mundo todo”.

Saudou a juventude que hoje se move no mundo todo contra a irracionalidade da produção capitalista e a destruição ambiental. “Essa juventude está dizendo que nosso planeta e nossas vidas valem muito mais que seus lucros”. “Esta é a nossa luta é uma luta de fundo por um governo dos trabalhadores e pelo socialismo”, reivindicando uma saída classista para a crise ambiental, que as grandes empresas poluentes sejam estatizadas sobre controle de trabalhadores e do povo e que os recursos naturais sejam utilizados em prol das necessidades do conjunto da população, não de um punhado de empresários e especuladores.

Nico martelou os princípios do programa de sua candidatura frente à crise econômica que atravessa a Argentina: “Os verdadeiros donos da crise, os capitalistas, eles devem pagar por ela”, “somos os que dizem que os recursos de uma educação e saúde pública não devem ir para a dívida, não pode ir à uma dívida que não é apenas ilegítima, mas também ilegal e impagável!”

“Não são medidas que nos vieram à cabeça agora na campanha, isso é pelo que lutamos todos os dias. É um verdadeiro compromisso de luta, que queremos que seja tomado pela classe trabalhadora, as mulheres e pela juventude!”

Contra a demagogia do projeto do peronismo, a Frente de Todos, Del Caño ressaltou que “Macri não fez este desastre sozinho, teve cúmplices”. O discurso demagógico de Alberto Fernandez sobre defesa dos aposentados e de direitos do povo cai por terra frente aos seus aliados nacionais, como Manzur e Massa, direitistas de primeira ordem. Diversos candidatos hoje aliados do peronismo votaram junto ao governo Macri cada uma das leis dos capitalistas contra o povo e pela entrega nacional, denunciou.

Sergio Massa - candidato da província de Buenos Aires - rei dos vira-casacas, tinha como objetivo em 2015 reduzir a idade penal para prender meninos de 14 anos, colocar a polícia nos bairros populares com a desculpa de combater os narcotráfico”. Del Caño também denunciou quando Alberto Fernandez coloca que “vamos ter uma mineração responsável”, quando “diz que está preocupado com o meio-ambiente”, pois este é aliado das forças que reprimem os professores em luta em Chubut, que se encontram junto à população da província contra as petroleiras e pela defesa dos recursos naturais. Fernandez diz “que vai defender os direitos das mulheres, cercado dos mesmos dinossauros que impediram a legalização do aborto”, disse Nico.

Por fim, contra a política da burocracia sindical, que deixou passar todas as medidas de ajuste do governo, Nicolás del Caño convocou todos os presentes a darem nas próximas três semanas, até as eleições, uma importante batalha por conquistar parlamentares de esquerda da FIT-U na Argentina, que serão verdadeiros tribunos do povo e colocarão seus postos a serviço da luta da classe trabalhadora.

Essa política de independência de classe é um enorme exemplo para a esquerda brasileira, que tem o desafio de enfrentar-se seriamente contra os ataques de Bolsonaro e da extrema direita.




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