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BOLSONARO RACISTA

“Nem pra procriar eles servem mais” diz Bolsonaro sobre afrodescendentes de quilombos

Em jantar no Clube Hebraico do Rio, Bolsonaro manteve o hábito de vomitar palavras de ódio contra negros, indígenas e demais setores oprimidos por essa sociedade capitalista.

Odete Cristina

estudante de ciências sociais na USP

quarta-feira 5 de abril de 2017| Edição do dia

O deputado federal do PSC, Jair Bolsonaro, esteve na ultima segunda-feira, 4, num jantar no clube judaico na zona sul do Rio de Janeiro. Enquanto lá fora por volta de 100 manifestantes se mobilizavam contra as ações do possível candidato da ultra direita brasileira em 2018, dentro do clube Bolsonaro seguia com seus discursos de ódio contra as minorias sociais.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, no jantar, ele prometeu que irá acabar com todas as reservas indígenas e comunidades quilombolas do país caso seja eleito em 2018. Para fundamentar sua posição absurda, disse que reservas indígenas e quilombolas atrapalham a economia: “Onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela. Temos que mudar isso daí”.

Se em fevereiro durante uma visita na Paraíba, Bolsonaro, sugeriu dar um fuzil para os fazendeiros como cartão de visita contra o MST. Agora reforçou sua posição dizendo:

"– Pode ter certeza que se eu chegar lá não vai ter dinheiro pra ONG. Se depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de casa. Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola."

O ódio racista, servido na mesa

Ao comentar que foi “a um quilombo”, o deputado queridinho da direita conservadora, disse que voltou de lá, com a seguinte percepção: “O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles.”

Num país fundado sobre a exploração e a escravização de negros africanos, que serviu de base para a consolidação do capitalismos mundial, tendo para isso que criar o racismo, como parte da ideologia dominante para justificar tamanha brutalidade contra outros seres humanos. No país onde a burguesia para tentar impedir que as revoltas negras a derrubassem do poder, criou o mito da democracia racial. No país onde os negros são cotidianamente assassinados pelas mãos da polícia racista, como foi com a jovem Maria Eduarda. E principalmente, no país onde a maioria da classe trabalhadora é negra, onde a aprovação da terceirização irrestrita vem pra aumentar ainda mais os níveis de exploração contra o povo negro, fazendo com que mesmo diante de uma enorme crise capitalista os lucros da burguesia continuem aumentando. As declarações de Bolsonaro só escancaram qual o lugar que essa direita racista e nojenta quer relegar ao nosso povo.

A política dessa direita capitalista que só se preocupa com os seus próprios lucros, jamais poderá responder aos anseios da população negra. Pelo contrário, para que eles continuem lucrando vão precisar atacar ainda mais a população pobre e negra. Não é atoa que pretendem aprovar uma reforma da previdência que nos fará trabalhar até a morte, autorizam a terceirização irrestrita e uma série de ataques aos trabalhadores, enquanto precarizam a educação pública e a polícia assassina nossos jovens. Por tudo isso, enquanto os de cima querem nos dividir, devemos ao máximo nos organizar para demonstrar a força de nossa união. Nós negros precisamos estar na linha de frente das lutas contra todos os ataques, combatendo o racismo, o machismo e a lgbtfobia, lado a lado com todos os trabalhadores e jovens que saíram nas ruas nos dias 15 e 31 se março. Precisamos organizar desde agora, amplos comitês contra as reformas, em cada local de estudo e trabalho. Exigindo que as grandes centrais sindicais e estudantis, como CUT, CTB e UNE, deixem de fazer corpo mole e passem a organizar de fato uma verdadeira greve geral para derrubar as reformas de Temer, que atingem sobretudo a população negra.

É com essa perspectiva que nós do MRT, que impulsionamos o esse portal, juntamente com a juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária, o grupo de mulheres Pão e Rosas e o movimento de trabalhadores Nossa Classe, estamos organizando encontros regionais em diversas cidades do país, para debater como organizar a greve geral para que sejam os capitalistas aqueles que paguem pela crise. Batalhado para que o próximo dia 28 de abril não seja apenas um grande dia onde o petismo busque transformar nossa disposição de luta em palanque eleitoral para Lula em 2018. Mas sim a expressão da nossa organização desde nossos locais de estudo e trabalho, e que a greve geral não seja apenas uma agitação para cartazes e falas, mas que se concretize na prática. Queremos fazer um convite a todos vocês que compartilhem desse desejo a irem debater conosco essa perspectiva, para que possamos de forma unificada organizar para a nossa luta contra as reformas, Temer e os capitalistas.




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