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Negligência dos patrões: 1.138 trabalhadores de um único frigorífico contraem COVID-19

No Paraná, em um única fábrica do Grupo BRF, grande exportadora de carne, 1.138 trabalhadores foram testados positivamente para Covid-19.

terça-feira 11 de agosto| Edição do dia

Foto: Divulgação

No Paraná, em um única fábrica do Grupo BRF, exportadora de carne, foram identificados 29% dos casos de COVID-19 em frigoríficos do estado, segundo dados coletados pelos agentes de saúde pública.

Apenas de casos confirmados a fábrica em Toledo teve 1.138 trabalhadores testados positivamente para COVID-19. Quando analisamos o total de casos confirmados nos frigoríficos do estado até 24 de julho esse número sobe para 3.979 casos, segundo as autoridades de saúde do Paraná.

Esse número se torna ainda mais alarmante quando levamos em consideração a subnotificação que já ocorre no país pela não implementação de testes massivos por parte do governo de Bolsonaro e Mourão, seguido da conivência dos respectivos governadores de cada estado. Em comunicado, as autoridades de saúde do Paraná afirmaram que "embora a maioria das empresas tenha apresentado um plano de contingência para o enfrentamento da COVID-19, os casos continuam a crescer de forma bastante expressiva", demonstrando a ineficácia de qualquer sistema de produção em que o lucro se sobrepõe à vida do trabalhador.

Na GT Foods em Paranavaí, empresa que teve o primeiro caso de um trabalhador testado positivamente para COVID-19, cinco pessoas ligadas à empresa morreram, incluindo três trabalhadores e que deixaram suas famílias desamparadas. Segundo Adler Dourado, médico da GT Foods, a empresa teve de ser fechada por 14 dias para conter o surto.

Em situação semelhante, a JBS, maior processadora de carne do mundo que emprega 11mil funcionários apenas no estado do Paraná, registrou pelo menos 88 casos de COVID em quatro fábricas, incluindo 57 infecções apenas na unidade de Santo Inacio.

É inadmissível que tenhamos milhares de trabalhadores que continuam se infectando e outros tantos morrendo por não terem as mínimas condições de segurança para a sua saúde, enquanto os patrões permanecem confortavelmente em suas casas lucrando sobre os corpos de pessoas que morreram trabalhando. Não podemos naturalizar essas mortes.

Nós do Esquerda Diário nos solidarizamos com as famílias, amigos e colegas de trabalho de cada trabalhador que perdeu sua vida e nos colocamos lado a lado nessa batalha por condições dignas de trabalho sempre mantendo em vista a luta por Fora Bolsonaro e Mourão.




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