Internacional

Assembleia Constituinte Chile

Não vamos esperar a decisão do Tribunal Constitucional para nos organizar, precisamos de um plano de luta unificado e a convocação uma greve nacional já!

Ontem à tarde, a direção da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT) alertava para mobilizações em todo o país caso o Tribunal Constitucional decidisse a favor do governo, no que diz respeito à reforma do sistema previdenciário que busca uma nova retirada de 10% dos fundos.

terça-feira 24 de novembro de 2020| Edição do dia

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Ontem à tarde a direção da Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), liderada pelo Partido Comunista, alertava para mobilizações em todo o país caso o Tribunal Constitucional se pronuncie a favor do governo sobre a reforma do sistema previdenciário que busca uma nova retirada de 10% dos fundos. Em uma declaração pública, eles afirmam que:

“Se o TC ignorar a vontade soberana, confrontando não só o Poder Legislativo, mas também o povo do Chile, convocaremos nossas bases sindicais e os diversos atores sindicais para se mobilizarem em conjunto para evitar que a vontade popular seja pisoteada”

Mas a vontade popular já foi expressa de forma enfática durante a rebelião de outubro e essa vontade se mostrou forte e clara: CHEGA DE AFP, FORA PIÑERA, ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE. Tais exigências a direção da CUT, durante a revolta, dirigindo a “Mesa da Unidade Social”, usou para tirar foto, mas deliberadamente não as levou até o fim, ou que simplesmente deixou de defender, como o FORA PIÑERA, permitindo que a tremenda força expressa na greve nacional de 12 de novembro de 2019 fosse desviada para o Acordo de Paz, ao negar a possibilidade de que esta paralisação nacional se transforme em greve geral por tempo indeterminado.

Por outro lado, sem dúvida a esta altura não é mais o momento de “advertências”, temos nossos mortos, mutilados e presos políticos, com a polícia e o governo em absoluta impunidade, temos milhares de mortes por covid nos setores populares por negligência deste governo. Temos uma lei de “proteção” do emprego que deixou 2 milhões de trabalhadores sem fonte de trabalho, lei anti-barricada, filhos do Sename baleados, jovem atirado ao rio em clara tentativa de assassinato por um policial e muitos outros casos. A situação já passa dos limites há muito tempo, mas a trégua da direção da CUT com os empresários e da "oposição" com o governo, deixou passar todos esses ataques sem mais delongas, e não apenas contra a classe trabalhadora, mas contra todos os setores populares.

Então, o que falta agora é realmente organizar essas bases que eles afirmam representar. Nós trabalhadores temos que exigir que sejam feitas assembleias em nossos locais de trabalho, para nos informar e planejar uma grande greve nacional que convoque todo o povo a sair para as ruas para colocar as demandas de outubro de volta na mesa .

Já no ponto 4 da sua declaração, a direção da CUT propõe que seja o parlamento, que concentra os poderes de governo, “Hoje, diante do vazio de poder em que estamos e com um governo que deixou de governar para agir sozinho de forma reativa, é hora de o Congresso assumir um papel de liderança e substituir a ausência de autoridade que hoje existe em nosso país.”

É neste parlamento, o mesmo parlamento dos “30 anos” que deu continuidade e aprofundou a herança de Pinochet, é neste parlamento que Barbara Figueroa, parceira de partido de Daniel Jadue (PC), propõe que confiamos? Sem dúvida isso mostra o quão distante e dissociado estão do sentimento e da vontade popular.

O fato é que o Partido Comunista, que orienta a CUT, não está convencido de que o governo Piñera deva cair junto com todas as instituições herdadas da ditadura. A única forma de fazer isso é que se erga uma verdadeira Assembleia Constituinte Livre e Soberana que definirá democraticamente, de forma a incluir as amplas maiorias de trabalhadores, que tipo de instituições eles querem criar.

O que precisamos é confiar na força de nossa mobilização, organizar as populações e os jovens em união com os trabalhadores, fortalecer nossas organizações políticas, nossos partidos, mas com total independência dos empresários e seus partidos, para que os trabalhadores e o povo tenham suas próprias referências, com a certeza de que suas mãos não estão manchadas de sangue, nem seus bolsos cheios de dinheiro.

Temos que lutar para conquistar a segunda retirada de 10%, mas temos que ir mais longe, pois a vontade popular, de que tanto fala a direção da CUT em seus comunicados, está cansada de receber migalhas. Dissemos em alto e bom som, que queremos acabar com o sistema AFP que só oferece pensão de fome para nossos avôs e avós.

Se a liderança da CUT fosse realmente representativa dessa vontade, eles teriam saído de sua quarentena e sua trégua desastrosa com as grandes empresas e o governo há muito tempo, e estariam lutando para colocar toda a força da classe trabalhadora e do povo a serviço de atender às nossas demandas.

Temos que responder aos chamados à paralisação e à unidade, mas não na lógica de saudar a bandeira nacional como é costume da CUT, mas sim de uma greve efetiva, organizada desde a base e que não se curve a este governo criminoso.




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