Educação

PRECARIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO

"Não sou um robô": estudantes do ensino médio fazem intervenção contra sobrecarga do EAD

Na semana passada, estudantes da Escola Raul Pilla em Porto Alegre, fizeram uma intervenção no Facebook contra o EAD aplicado na escola e denunciando a sobrecarga de tarefas dada em meio a pandemia.

quarta-feira 15 de julho| Edição do dia

Alunos secundaristas do primeiro ano do ensino médio da EEEM Raul Pilla fizeram uma intervenção online com apelo aos seus professores. No colégio foi aplicado o EaD (Ensino a Distância) para dar continuidade ao ano letivo em meio a pandemia da Covid-19, e agora os alunos estão tendo que enfrentar a sobrecarga de tarefas que são passadas de forma mecânica com essa forma de ensino extremamente precarizada.

Esses alunos são estudantes que acabaram de entrar no Ensino Médio e tiveram sua vida escolar e a transição pela qual passavam interrompidas pelo EaD aplicado nas escolas públicas pelos governantes, que com a pandemia aproveitam para aplicar esse projeto de precarização da educação pública. Essa intervenção emocionante escancara por meio dos relatos o fator da precarização do ensino em meio a pandemia com a aplicação desse projeto.

Os alunos relataram abertamente para seus professores que estão tendo dificuldade para realizar os trabalhos devido a alta demanda de tarefas, estão sobrecarregados e sem conseguir entender a maior parte dos conteúdos. Além disso, eles inundaram as redes com mensagens “Não sou um robô”. Muitos alunos estão tendo crises de pânico e choro, pois se deparam com a pressão de uma enorme demanda de trabalhos online enquanto sua maior preocupação é passar por essa pandemia sem se infectar ou infectar suas famílias, pois muitos são, além de estudantes, trabalhadores.

Não tem como desconsiderar que o EaD nas escolas é uma política arbitrária e excludente dos alunos mais pobres em benefício dos interesses dos capitalistas e empresários da educação. Como Luciano Huck que está lucrando com o financiamento de dinheiro público para sua empresa que aplica plataformas online de Ensino a Distância em escolas públicas. Esses são os que veem na pandemia, que tira vidas da classe trabalhadora todos os dias, uma grande oportunidade de aumentar suas fortunas. Para Eduardo Leite, governador que está levando a frente essa política no Estado do Rio Grande do Sul, assim como para Bolsonaro, os lucros capitalistas importam muito mais do que a vida de toda a população trabalhadora. E inclusive a precarização na educação está diretamente ligada à precarização de toda a classe trabalhadora.

Além de precarizar ainda mais a vida dos estudantes, Eduardo Leite também faz o mesmo com a vida dos professores do Estado: enquanto com uma mão injeta verba pública da educação diretamente no bolso de empresários como Luciano Huck, com a outra mão corta, parcela e atrasa os salários dos professores dizendo que não existe verba para pagar. Sem os salários em dia, os professores ainda são obrigados a dar aulas online em meio a pandemia, sem saber se no final do mês terão o dinheiro de pagar a internet, o aluguel ou de comer.

No mesmo sentido de não se importar com a vida das pessoas, Eduardo Leite implementou no Estado o “distanciamento controlado” que permite a reabertura da economia sem garantir à população testes massivos em cada local de trabalho e nem mesmo para os profissionais da saúde. Na prática, jogando a população para a contaminação enquanto os leitos de UTI já estão 80% ocupados. É necessário que o Estado garanta testes massivos para a população, além de maior investimento na saúde pública para a ampliação dos leitos de UTI e a contratação de mais profissionais da saúde e garantia de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) nos locais de trabalho.

Para além disso, é preciso que as decisões sobre os rumos da educação, que afeta diretamente a vida dos estudantes, professores e pais trabalhadores sejam feitas a partir deles mesmos, e não implantada de forma autoritária pelos governos de acordo com interesses de empresários e capitalistas. Por isso, é necessário avançar para uma saída dos trabalhadores, com independência de classe, construindo uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana onde possam colocar e levar a frente todas as suas demandas, e decidir sobre os grandes rumos que irão tomar nossas vidas, para que sejam os capitalistas a pagar por toda essa crise.




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