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Não bastou a negligência, Museu Nacional que sofreu incêndio tem corte de 12 milhões pelo MEC

Os cortes de verbas anunciado pelo governo Bolsonaro além de colocar em risco diversas universidades e institutos federais, também atingirá o Museu Nacional que sofreu um terrível incêndio em Setembro do ano passado. Dados divulgados pela Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil) apontam que um orçamento de R$ 55 milhões, destinado para a recuperação do museu, sofreu um corte de 21,63% —correspondente a aproximadamente R$ 12 milhões.

segunda-feira 3 de junho| Edição do dia

O corte na verba do Museu Nacional faz parte de um bloqueio aplicado pela equipe econômica nas emendas parlamentares impositivas, que seriam de pagamento obrigatório pelo governo. No fim de março, quando o contingenciamento no Orçamento foi anunciado, o Ministério da Economia informou que as emendas seriam cortadas, de forma linear, em 21,63%.

O orçamento de R$ 55 milhões vem de uma emenda coletiva concedida no ano passado pela bancada dos deputados do Rio de Janeiro. Ela foi designada para a recuperação de estrutura do museu, com obras para a reconstrução da fachada, da estrutura e do telhado do edifício, além da construção de laboratórios e espaços para armazenamento do acervo da instituição.

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Em nota, o MEC afirmou que todas as emendas impositivas foram contingenciadas pelo governo federal, conforme a legislação, e que coube aos parlamentares e suas bancadas escolher quais emendas seriam prioritárias. O procedimento, segundo a pasta, não é de competência do MEC em uma clara tentativa de se esquivar da responsabilidade.

É assim que tratam nosso direito à memória

Vivemos um momento onde o governo busca reescrever a história do Brasil transformando o anos de chumbo em uma "guerra contra o terror comunista", tornando torturadores e estupradores em heróis nacionais, apoiando-se na injusta lei da anistia a setores importantes que Bolsonaro tem como herói, como o Coronel Ustra.

O tratamento à educação e a cultura são típicos de um país semi-colonial com uma burguesia nacional tão miserável e tão medíocre que é completamente incapaz de preservar, inclusive, a cultura privando gerações do contato com cerca de 200 anos de história. O extraordinário acervo do Museu Nacional, convertido em cinzas, e agora sem capacidade de ser reerguido, deixa não apenas o historiador e outros pesquisadores órfãos, mas a humanidade impossibilitada de ampliar e enriquecer suas vivências culturais. Já não bastasse a burguesia brasileira ter queimado todos os documentos do período da escravidão, impossibilitando milhões de negros de conhecerem suas raízes, seus ancestrais e suas histórias.

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Talvez o que seja ainda mais chocante é pensar que o valor que o Museu necessitava para funcionar era o mesmo que era gasto para lavar carros de deputados, o que só escancara os interesses mesquinhos e reacionários dos políticos capitalistas que preservam seus privilégios e à serviço de garantir os lucros patronais descarregam a crise nas costas dos trabalhadores e do povo pobre. Por isso, este corte na reconstrução do Museu Nacional é escandaloso e só reforça todo o descaso e os ataques que vem sofrendo o conjunto da educação, desde o golpe institucional de 2016 que aprofundaram os cortes que já vinham desde os governos do PT. Tanto as manifestações do 15M quanto o 30M deram um recado a Bolsonaro sobre a força dos estudantes organizados em defesa da educação, que só não pode ir além, pela política concreta da UNE e das centrais sindicais, de cada uma em sua divisão de tarefas, impedir a unidade revolucionária dos estudantes com a imensa classe trabalhadora brasileira.

Neste próximo 14J, é preciso construir uma verdadeira unidade da classe trabalhadora hoje separada por distintos sindicatos, entre efetivos e terceirizados, e muitos sem registro e completamente abandonados por qualquer representação legal, entre brancos e negros, mulheres e homens e LGBT junto aos estudantes que saíram a frente para enfrentar os cortes e a reforma da previdência! Em defesa de preservar o nosso passado cultural também devemos lutar para construir uma nova cultura no Brasil, baseada numa sociedade livre de exploração e opressão, governada pelos trabalhadores em ruptura com o capitalismo.




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