Política

ATOS PRÓ-BOLSONARO

“Morreu, já foi, acabou” dizem manifestantes pró-Bolsonaro sobre Marielle Franco

Ataques à Marielle Franco, defesa da Reforma da Previdência, do pacote anti-crime de Moro, intervenção militar, ataques aos estudantes que se mobilizam contra os cortes de Bolsonaro, e apoio a todo o tipo de reacionarismo que conhecemos muito bem do ultra direitista Jair Bolsonaro. Essa é a cara das manifestações desde domingo (26) no Brasil.

segunda-feira 27 de maio| Edição do dia

Na tarde de ontem aconteceram as manifestações pró-Bolsonaro ao redor do país. E não é nenhuma surpresa a defesa de atrocidades como o pacote “anti-crime” de Sergio Moro, a Reforma da Previdência e outras medidas reacionárias do governo Bolsonaro.

Dentre as defesas de projetos da extrema-direita, ataques à esquerda, defesa de Bolsonaro, contrárias à “ditadura LGBT” no Brasil, em São Paulo, manifestantes se dirigiram a uma senhora que vestia uma camisa com imagem da placa de rua com o nome de Marielle Franco, executada brutalmente no Rio de Janeiro em 14 de Março de 2018, dizendo que “Morreu, já foi, acabou”. No mês que vêm, completaremos 1 ano e 3 mês da morte de Marielle, ainda sem uma resposta de quem mandou matá-la.

Saindo as ruas, mesmo em pouco peso, as manifestações pró governo exibem bem a cara mais reacionária da extrema-direita, com frases como essa sobre Marielle, ou mesmo com manifestantes usando camisas pedindo a aplicação do artigo 142 da constituição federal, que fala sobre a intervenção dos militares, pedindo o fechamento do Congresso e do STF pelos militares.

Não surpreende que os mesmos que dizem “já foi, acabou” sobre a morte e a investigação do assassinato de Marielle Franco, também sejam os mesmos que saem as ruas para bradar pela aprovação do ultra reacionário pacote “anti-crime” do ministro Sergio Moro, que na verdade é uma verdadeira carta branca para Polícia e Exercito matarem a população negra e pobre das periferias do Brasil. O pacote de Moro significa um grande salto na impunidade policial e do próprio exercito, o mesmo que matou o musico Evaldo Santos e Luciano Macedo, no Rio de Janeiro com 80 tiros disparados em seu carro. Vale lembrar também que recentemente os militares responsáveis por este brutal assassinato, foram julgados em tribunais militares, e soltos pelo próprio STM (Superior Tribunal Militar), garantindo a impunidade dos assassinos.

Muito do que estava expresso nestas manifestações de ontem, refletem bem a cara desta base mais dura do bolsonarismo, forjada nas absurdas e ultra reacionárias declarações do Presidente, dadas ao longo de vários anos sobre a Ditadura Militar no Brasil, sua defesa da tortura, dos grupos de extermínio, e de cenas como a horrenda “homenagem” ao torturador Brilhante Ustra, feita mais de uma vez, mas que ganhou as mídias na declaração do voto de Jair Bolsonaro ao impeachment de Dilma, na votação na Câmara que fez avançar o golpe institucional em 2016.

Foi muito presente também a defesa das posições extremamente homofóbicas de Bolsonaro, inclusive por manifestantes LGBTs pró-governo. EM discursos no carro de som em diversas cidades, se escutou falar da “ditadura LGBT”. Mas o que, evidentemente não se escutaria falar nos atos pró Bolsonaro, é que o Brasil é um dos países que mais mata LGBTs no mundo, e que o líder no ranking de assassinatos à transexuais. O Jornal A Folha de S. Paulo publicou um trecho de uma declaração de um dos manifestantes que carregava uma bandeira do orgulho gay, amarrado em seu pescoço, junto à uma camisa com o rosto de Bolsonaro. “Para sem LGBT não precisa ser de esquerda, andar pelado na rua, essas coisas que envergonham os homossexuais. Eu adoro Bolsonaro, votei nele em 2018 e votarei em 2022”.

Um dos atos também contou com a presença do major Costa e Silva, neto do primo do General Costa e Silva, segundo presidente durante o regime militar no Brasil. O major clamou para que os manifestantes pró-Bolsonaro fizessem “igual no cartel”. Seu discurso se cola facilmente com os manifestantes que usavam camisetas pedindo a aplicação do artigo 142 da constituição, que fala sobre intervenção militar. Diversos manifestantes colocaram de pé faixas, e usavam camisetas pedindo que os militares intervissem no país, para “salvar” Bolsonaro das instituições brasileiras que o presidente se colocou em colisão nos últimos dias. “Se Bolsonaro não conseguir governar, o povo será obrigado a pedir intervenção das Forças Armadas”.

Claro que também não poderia deixar de passar a medida mais apoiada e defendida pelos que foram aos atos pró-governo. Em todos os lugares se via a defesa da Reforma da Previdência de Bolsonaro e Guedes, que querem nos fazer trabalhar até morrer, arrancando o direito a aposentaria da população trabalhadora. A defesa da reforma vinha contraposta à “velha política” que Bolsonaro critica de forma ultra demagógica. Carro chefe do governo, a reforma, e as dificuldades que Bolsonaro vem tendo para avançar com a aprovação, são o grande fator de desconfiança gerada pelos mercados com o Brasil, e o ultra direitista aposta em se “diferenciar” da “velha política” da qual ele fez parte durante seus 27 anos como deputado.

Foram muito presentes também, como era de se esperar, as falas e cartazes em ataque aos estudantes e às universidades, como respostas do reacionarismo aos atos do dia 15 e a luta contra os cortes. Os “maconheiros das universidades” não foram esquecidos de jeito nenhum pelos bolsonaristas, que com certeza esperam apreensivos o dia 30 desde mês, com medo de novas fortes mobilizações dos estudantes contra Bolsonaro, e que se armam do discurso nojento do presidente, de combate ao “marxismo cultural nas universidades”, e que contou com figuras como Bruna Trolay, líder do diretório paulista do Movimento Brasil Conservador, presente no ato em SP, e que usou sua “carteirinha” de professora de filosofia para defender os ataques da ala ideológica do governo às universidades e escolas.




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