Política

MARIELLE FRANCO

Mônica Benício: “Justiça por Marielle se faz quando estivermos em uma sociedade mais justa e igualitária”

Antes e após a prisão dos suspeitos de assassinato de Marielle Franco, a esposa e a irmã da vereadora expressaram seus sentimentos e opiniões sobre o crime, denunciando a barbaridade de caso, além de defender seu legado. A seguir, trechos de entrevistas que Mônica Benício e Anielle Franco concederam.

quarta-feira 13 de março| Edição do dia

Em uma entrevista ao Catraca Livre, antes do anúncio da prisão dos suspeitos, Mônica Benício, viúva de Marielle, falou sobre o movimento feminista e o movimento LGBT, e sobre o apoio que recebeu.

“Para além de só prestar solidariedade, o movimento feminista e o movimento lgbt mundial me acolheu de uma forma muito delicada, muito bonita de se ver. Eu fui para vários países, sobretudo com a pauta do movimento feminista e a pauta lgbt, para estar falando do contexto político do Brasil, para falar da preservação da memória da Marielle e para denunciar esta execução bárbara, um crime político que já está dez meses sem nenhum resultado, com estado sendo tão omisso ao ponto de não apresentar satisfação de como anda a investigação.”

Na mesma entrevista, Mônica falou sobre justiça e sobre o legado de sua falecida esposa:

“Justiça por Marielle não basta apenas ter justiça para Marielle enquanto figura, indivíduo, mas sobretudo para o que ela representava como luta. Então Justiça por Marielle, para mim, não se faz nem quando o inquérito for concluído da forma como deve ser, mas sim quando estivermos em uma sociedade mais justa e igualitária que era pelo que a Marielle defendeu por toda a sua vida e pelo que ela morreu.” Prosseguindo, “tudo isso que a Marielle representava na própria história e no corpo, estava ali incorporada naquela figura. Então a população preta se sente atingida, a população LGBT se sente atingida, periféricos, favelados, mulheres, foi uma violência contra todos, contra todas as pautas.”

Logo após a prisão dos dois suspeitos, ela foi procurada pelo jornal o Globo, e respondeu em tom de cobrança pela resposta verdadeira a pergunta: quem mandou matar Marielle?

“Um ano da execução, um ano de um crime político de repercussão internacional, é óbvio que é um passo muito importante, faz com que a gente tenha novamente esperança de que essa investigação esteja caminhando, mas um ano é um tempo demasiadamente longo para uma resposta que ainda não é a que a gente busca, acho que mais importante do que prender ratos mercenários, é responder quem é o verdadeiro assassino. (...) O que eu espero é que a próxima resposta que é quem mandou matar e qual a motivação deste crime não demore mais um ano.”

“Quem conhece a política do Rio de Janeiro não há nenhuma surpresa. Desde o início há o entendimento de que é um crime político e há participação de agentes do estado, inclusive da milícia, dentro desse assassinato.”

Em seguida ela voltou a defender uma investigação independente:

“Eu acredito que uma investigação independente, neutra nesse cenário todo, é de fundamental importância. Não há dúvida de que a gente até aqui chega nessa demora toda por que tivemos entraves de gente que não está interessada de que esse assassinato seja elucidado. (...)_Eu não tenho dúvida nenhuma de que diante da repercussão do caso da Marielle, o estado terá que responder quem foi que matou, como está respondendo agora, e quem foi que mandou matar. Mas eu acho que temos que estar atentos para que esta resposta seja correta e não uma resposta qualquer para silenciar todo esse movimento mundial de justiça por Marielle.”

Anielle Franco: “Brasil passa vergonha, ao levar um ano para responder sobre a morte de uma mulher democraticamente eleita.”

Em entrevista, a irmã de Marielle, Anielle Franco relata a conversa que teve com os promotores do caso.

“A gente precisa saber quem mandou (...) fomos chamados aqui para conversar sobre as prisões (...) a gente confia muito no trabalho dos promotores, mas vamos esperar para ver se tem algo a mais.” Disse também que as prisões não representam motivo para comemorar, mas “ao mesmo tempo acalenta as famílias”.

Ela ainda comentou outros detalhes do caso:

“É óbvio que é importante saber quem mandou matar. Mas quero ressaltar que hoje foi um grande fato. A gente espera que hoje seja um grande passo dado e que a gente consiga descobrir se há mandante ou se não há (...) hoje há um vazio muito grande. Saber que sua irmã pode ter sido morta por um crime de ódio, pelo que ela fazia, pelo desejo de uma vida diferente”

À rádio CBN, declarou:

"Cada prisão, cada movimento é muito importante, mas enquanto família a gente se pergunta por quê e quem mandou fazer isso (...) tomara que, a partir de hoje, a gente consiga respirar e o Brasil pare de passar essa vergonha sem responder durante um ano um crime contra uma mulher que foi democraticamente eleita".

Nós do Esquerda Diário acompanhamos a dor e a raiva de todos aqueles que foram atingidos pela morte de Marielle Franco, e partimos com a exigência de que o estado garanta recursos e todas as condições para a realização de uma investigação independente, disponibilizando materiais, arquivos para organismos de direitos humanos, peritos especialistas comprometidos com a causa, e que parlamentares do PSOL, representantes de organismos de direitos humanos, de sindicatos, de movimentos de favelas, etc, que sejam parte da investigação.

Somente a partir de uma forte mobilização, será possível impor ao estado uma investigação verdadeiramente independente que chegue aos mandantes da morte de Marielle Franco.




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