Sociedade

MEIO AMBIENTE

Ministro diz "conciliar agropecuária e meio ambiente", mas queimadas aumentam catastroficamente

Ricardo Salles diz que governo Bolsonaro vai "conciliar agropecuária e meio ambiente", enquanto queimadas avançam como nunca. Defensores de ruralistas, governo Bolsonaro e seus aliados querem buscar "países ricos", garantindo mais abertura ao saque imperialista.

quarta-feira 27 de novembro de 2019| Edição do dia

Em audiência na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural na Câmara, o O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o governo Bolsonaro irá mostrar que é possível conciliar agropecuária e meio ambiente. Este mesmo ministro, que endossou as acusações de Bolsonaro de que ONGs teriam colocado fogo na Amazônia como forma de atacar o governo Bolsonaro, e que também chamou de fake news a "fumaça preta" que dominou os céus de cidades, entre elas São Paulo, como produto das queimadas amazônicas.

Veja também: Concentração recorde de CO2 na atmosfera expõe marcha catastrófica do capitalismo

"Esse é o governo da conciliação entre a produção agropecuária e o meio ambiente. A orientação, desde o primeiro dia do presidente Jair Bolsonaro, é de harmonizar esse setor da nossa economia, responsável por parcela significativa do PIB, da geração de emprego, do dinamismo econômico, do respeito ao meio ambiente", disse o ministro na audiência.

Ao contrário do que defende o governo Bolsonaro e seus aliados, o objetivo não é, nem de longe, supostamente "conciliar" a agropecuária com o meio ambiente. Em primeiro lugar, porque o que Salles quer dizer por agropecuária é, na realidade, o agronegócio, defendendo os interesses dos ruralistas e latifundiários. As queimadas na Amazônia, que chocaram o mundo inteiro neste ano, foram apontadas como parte do "Dia do Fogo", uma ação conjunta de ruralistas que incendeiam florestas para "mostrar serviço" para o governo.

Veja também: Devastação da Amazônia pelo agronegócio e o latifúndio é “cultural”, segundo Bolsonaro

A predileção deste governo pelos ruralistas nunca foi um segredo, sendo parte de uma base importante do governo Bolsonaro. Tereza Cristina, ministra da Agricultura, é conhecida como a "Rainha do Veneno", fomentando a legalização e uso deliberado de diversos agrotóxicos, alguns comprovadamente tóxicos.

Por outro lado, é necessário destacar que parte da agropecuária brasileira não é somente o agronegócio, mas também a agricultura familiar, responsável pela alimentação de 70% da população brasileira. São os pequenos produtores que também são atacados pelo governo Bolsonaro, com medidas que permitem o avanço cavalar do agronegócio, para transformar o país na "grande fazenda do mundo".

Veja também: Cresce em 462% o número de focos de incêndio no Pantanal em 2019: é política do governo

"Esse é o setor que sustenta a economia brasileira ano após ano. Justamente no Brasil, ao contrário de outro países, encontra absoluta sinergia entre a produção e a preservação ambiental", afirmou Ricardo Salles, em discurso falacioso de quem busca mascarar o escandaloso aumento de queimadas no Brasil desde que Bolsonaro assumiu o governo.


Óleo desconhecido que invadiu praias do nordeste, chega até Espírito Santo e Rio de Janeiro. Governo Bolsonaro permanece inerte à situação

Além disso, como parte do projeto deste governo, Ricardo Salles afirma que irá procurar países para "pedir dinheiro" para proteção ambiental. "Pedir dinheiro" é outra forma que Ricardo Salles usa para mascarar a verdade de que este governo privatista e entreguista, batalha todos os dias para entregar as riquezas e recursos naturais às mãos dos empresários estrangeiros, conforme já declarado inclusive pelo próprio presidente, que disse que o problema das demarcações indígenas é a presença dos povos "em cima de terras riquíssimas".

Veja também: Em entrevista, Ricardo Salles, reafirma a política de destruição da Amazônia

Não é possível confiar neste governo, que já se mostrou disposto a entregar tudo aos capitalistas para fazer com que paguemos pela crise: os direitos dos trabalhadores e da juventude, atacando todos os setores oprimidos, em especial quilombolas e povos indígenas no que diz respeito ao meio ambiente, e todas as riquezas e recursos.

Tampouco podemos confiar nos países imperialistas, que insistem em se esconder atrás de um discurso de "capitalismo verde", que se propõe a "controlar as emissões de poluentes", mas que não encara de frente a verdadeira questão que esta colocada: o desenvolvimento produtivo em harmonia com o meio ambiente é inconcebível em um sistema irracional que consome por ano mais de 3 vezes mais do que a Terra garante em recursos para garantia do lucro de poucos.




Tópicos relacionados

Amazônia   /    Ricardo Salles   /    Ministério do Meio Ambiente   /    Sociedade   /    Meio Ambiente

Comentários

Comentar