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RIO GRANDE DO SUL

Mina de carvão ameaça meio ambiente no RS para garantir lucro de empresários

A Mina de Guaíba é um projeto de mineração de carvão a céu aberto a 16 km de Porto Alegre, que ficará situada entre as cidades de Eldorado do Sul e Charqueadas, na região metropolitana da capital, visando iniciar o processo de exploração já em 2023. A empresa mineradora Copelmi que é a responsável pelo projeto da maior mina de carvão a céu aberto, que impactará diretamente na vida de 4,3 milhões de pessoas que moram na região.

quinta-feira 11 de julho| Edição do dia

A Copelmi que já foi 4 vezes multada por delitos ambientais, caso a Fepam conceda a licença, ganhará o direito de explorar livremente a área por 30 anos, incluindo o direito de realizar explosões diárias no local. A mina irá se localizar próxima ao Parque Estadual do Delta do Rio Jacuí, ameaçando essa fonte de agua potável e realizando desvios nos cursos d’água que acarretarão em impactos na fauna e na flora de toda a região. Além disso, a mina estará a 240 metros de distância da área de preservação ambiental (e pouco mais de 1,5 quilômetro do próprio rio).

Além da poluição atmosférica e da ameaça de contaminação com metais pesados ao delta e aos lençóis freáticos que abastecem a região metropolitana, a implantação da mina arrancará aproximadamente 282 pessoas de suas casas – agricultores do Assentamento Apolônio de Carvalho (onde se planta arroz orgânico) e moradores do loteamento Guaíba City, ambos localizados na área que será escavada.

A empresa faz uso do falso discurso de que esse método predatório e insustentável de extração de matéria prima e de geração de energia por meio de fontes não renováveis, como o carvão, significará o desenvolvimento econômico para o estado do Rio Grande do Sul e a geração de novos empregos. Esse discurso é totalmente demagógico quando analisamos o real impacto socioambiental dessa pratica de extração.

Esse modelo de mineração é o mais lucrativo apenas para o orçamento das grandes empresas capitalistas pois visa a exportação do carvão com baixo valor agregado, o que só é possível de acontecer as custas da superexploração dos trabalhadores da mineradora e as custas da devastação dos recursos naturais de toda a região envolvida. A supermineração é uma fonte de lucro baseada na extração violenta e na destruição das nascentes, das águas e das montanhas, com impactos ambientais e sociais irreversíveis, e concentrando em grande monopólios a extração de minérios.

Esse é um modelo de desenvolvimento que expõe os fundamentos de uma lógica produtiva que tem como prioridade a maximização dos lucros independente das possíveis implicações da atividade exploratória de mineração, como nos mostraram, da pior forma, as catástrofes de Mariana e Brumadinho.




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