80 TIROS: NÃO ESQUECEREMOS!

Militares culpam tráfico pelos 80 tiros em Evaldo, sugerindo que moradores são "armadilhas"

Militares são investigados por caso Evaldo Rosa, músico assassinado por militares com 80 tiros de fuzil no início deste ano. Em depoimento, Tenente afirma não ter visto Evaldo e seus familiares no carro e alega que situação era "artimanha do tráfico".

terça-feira 17 de dezembro de 2019| Edição do dia

No dia 07 de abril deste ano, em plena luz do dia, um carro com uma família negra foi fuzilado por militares do Exército, no bairro de Guadalupe, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Estava no carro o músico Evaldo Rosa, que foi fuzilado com 80 tiros e assassinado pelos militares, que alegaram que "tiros vieram de dentro do carro".

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Passado 5 meses desde o assassinato brutal de Evaldo pelos militares, o tenente Ítalo Nunes, comandante da patrulha, foi questionado durante investigação do caso e afirmou que teriam sido usados pelo tráfico como proteção. "o tráfico manda a população da favela descer. Eu me desliguei do que aquelas pessoas falavam porque aquilo é uma artimanha do tráfico", disse.

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A mesma justificativa asquerosa foi utilizada pelo cabo Leonardo Oliveira: "Nessa hora, sempre aparece parente. Às vezes, aparecem umas cinco mães".


Evaldo Rosa, músico assassinado pelos militares no Rio de Janeiro em abril deste ano

A investigação do caso ouviu seis militares ouvidos, sendo que quatro admitiram que utilizaram fuzis em algum momento daquele dia, embora neguem que tenham atirado contra o carro da família. A versão que oferecem é de que teriam reagido à um assalto.

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"Não tinha ninguém dentro do carro quando ele estava parado", disse o soldado Gabriel Honorato, que admitiu ter feito disparos com um fuzil calibre 7,62 em direção ao catador Luciano, que ajudou a família no dia do fuzilamento. “Ele estava armado e atacou a patrulha”, acusou o militar. Entretanto, a versão dos militares é controversa, uma vez que nenhuma arma foi encontrada com o catador naquela tarde.


Familiares se desesperam com ação militar e afirmam que oficiais riam quando chamados de assassinos

A família de Evaldo Rosa ficou completamente chocada com o relato dos militares.

"É um desrespeito com a família do Evaldo. É revoltante demais. O presidente já tinha dito que o Exército não matou ninguém. Agora, os militares não admitem o erro absurdo. Pobre não tem vez nesse país mesmo", disse Eraldo Santos, irmão de Evaldo.

A escalada de violência e assassinato de trabalhadores e jovens pelas forças repressivas usadas por Witzel, Bolsonaro e pela extrema-direita racista pelo país, fizeram centenas de mortos somente este ano, incluindo crianças como Ágatha, baleada dentro do transporte escolar.

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Apoiados no pacote anti-crime de Moro, policiais e militares terão carta branca para situações como essa, garantindo a impunidade dos assassinos da população pobre e negra das periferias. Não há resposta por fora do combate ao estado assassino e racista burguês que sempre estará legitimando e dando impunidade ao policiais e militares em situações como estas, fortalecendo seus braços armados na pressão aos trabalhadores, responsáveis pelo extermínio da população preta e pobre no Brasil.




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