Mundo Operário

PARALISAÇÃO FUNCIONALISMO

Milhares de servidores paralisam contra ajuste de Sartori e Dilma no RS

Neste dia 18 de agosto ocorreu assembleia conjunta de mais de quarenta sindicatos das categorias do funcionalismo que referendou decisão de paralisação por tempo determinado a partir desta quarta feira.

Thiago Mathias

São Paulo |

quinta-feira 20 de agosto de 2015| Edição do dia

Neste dia 18 de agosto ocorreu assembleia conjunta de mais de quarenta sindicatos das categorias do funcionalismo que referendou decisão de paralisação por tempo determinado a partir desta quarta feira.

A paralisação irá ocorrer por três dias contra o parcelamento de salários de julho que atingiu 47% do funcionalismo, o atraso e possibilidade de novos parcelamentos, anúncios de privatizações e o aumento do ICMS. Medidas do governo Sartori e Dilma para o pagamento dos juros da dívida pública.

Em frente à prefeitura, no Largo Glênio Peres, se concentraram mais de 10 mil trabalhadores do funcionalismo e principalmente professores do Estado, onde referendaram decisão acordada entre as centrais empurradas pela CUT de fazer uma paralisação “controlada”. Essa decisão foi referendada também na assembleia massiva de professores que ocorreu horas antes.

Uma passeata se iniciou por todo o centro histórico de Porto Alegre até o Palácio Piratini, a sede do governo do Estado, e do governador Ivo Sartori (PMDB). Por algumas horas foram feitas falas das centrais sindicais como CUT, Nova Central, Força Sindical e também da Conlutas e das Intersindicais contra o plano de ajuste do governo que inclui parcelamento de salários e privatizações.

Antes do final do protesto, parte dos trabalhadores entrou na Assembléia Legislativa, ao lado do palácio, para impedir a votação do plano de ajuste.

Centrais governistas dirigem paralisação “controlada” do funcionalismo

Por hora, a direção governista dos sindicatos dos professores do Estado (CPERS) e federação dos sindicatos do funcionalismo público (FESSERGS) está tendo participação decisiva na pauta dos servidores. O “Movimento Unificado dos Servidores Públicos” como foi batizada a reunião de dirigentes sindicais não é chamada através de delegados eleitos nas escolas e repartições onde faltam merenda e verbas o que impede que se expresse a revolta dos trabalhadores do funcionalismo e facilita com que as assembleias sejam espaços para pouco debate e um enorme comício das burocracias apoiadas pelo governo.

Juntamente CUT e demais centrais governistas debelaram a proposta das oposições de iniciar uma greve por tempo indeterminado, pois pretendem manter o movimento grevista como uma arma de desgaste do PMDB de Ivo Sartori e promover desde o RS uma moeda de troca política com seus manda-chuvas na crise do governo entre Cunha, Renan e Temer na aprovação do plano de ajuste.

Dilma teme que Sartori consiga convencer parte da opinião pública que a crise do Estado não é de responsabilidade de seu governo mas sim do PT, Dilma e do ex-governador petista Tarso Genro, unicamente. Com o movimento grevista sob controle, o petismo quer liberar energias dos servidores descontentes sem que seja possível se desenvolver um terceiro polo político anti-governista e classista por dentro da luta dos servidores.

Uma falsa “unidade” com os policiais civis... apoiada pela esquerda

Uma marca dessa mobilização foi a participação massiva de policiais civis que estão atingidos pelo ajuste de Sartori e compuseram a passeata e no final chegaram a dirigir o carro de som com suas lideranças. No chão era visível a separação que havia entre policiais e professores que enxergavam com muito estranhamento a presença dos repressores de outrora. É uma desgraça que as lideranças da oposição inclusive estejam festejando a presença da polícia como algo positivo. A Policia Civil e a Brigada Militar (caso conflua) serão certamente os primeiros a terem suas reivindicações atendidas para que o governo possa reprimir as greves e qualquer ação que extrapole os limites que a burocracia sindical queira impor. As greves policiais são reacionárias, pois fazem com que se divida a luta pelos recursos do estado pela educação, saúde, transporte para o fim da repressão social e encarceramento dos pobres e trabalhadores pelo estado. PSOL e PSTU devem rever sua posição em “apoio” a estes homens da lei que em nada auxiliam a luta dos professores e servidores.




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