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Matrícula dos ingressantes do SISU na USP: “12h pra enviar tudo. Tá foda, ninguém responde os e-mails”

Ontem, 20/04, começaram as matrículas dos aprovados no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) na Universidade de São Paulo (USP). Um dia que deveria ser de felicidade para as centenas de estudantes, que em sua maioria são cotistas, negros e de escolas públicas e enfrentaram o vestibular em um ano infernal de pandemia, crise econômica e social, fruto do negacionismo de Bolsonaro e da negligência de governos como o de Doria, se transformou em crises de ansiedade e desespero de que o sonho da vida deles escapasse de suas mãos.

quarta-feira 21 de abril| Edição do dia

Além de terem se enfrentado com o filtro social e racial que é o vestibular em meio a todo o caos pandêmico, os alunos enfrentam as dificuldades impostas pela burocracia universitária, que tenta ao máximo barrar a entrada dos filhos da classe trabalhadora, com diversas complicações no processo de uma das poucas políticas de inclusão na universidade pública.

De acordo com relatos dos alunos, após o atraso na divulgação das listas de aprovados pelo SiSU, que impediu sua matrícula a tempo da semana de calourada e recepção, e do início das aulas previsto para a última segunda-feira (19), foi exigido um tempo curtíssimo para enviar toda a documentação exigida pela universidade: 12 horas. Isso em meio a diversos problemas com o sistema Jupiter, cuja precariedade também é relatada pelos veteranos.

“Eu tentei realizar meu primeiro acesso no Jupiter como pedido pela Central de Matrículas, mas não ia de jeito nenhum. Mandei e-mail, não responderam. Tive que pedir o celular da vizinha para entrar em contato. E quando o primeiro problema foi resolvido, não conseguia enviar os documentos por outro problema no sistema. Perdi no mínimo umas 2h com isso”, relata um dos calouros.

Além dos problemas técnicos no envio dos documentos, a pressão psicológica do pouco tempo e o medo de perder a tão sonhada vaga na USP assolou os estudantes.

“Estou ferrada, mas não será minha culpa. Não estava especificado. Tô exausta, não dormi ate agora. Tô com fome, tô suja. Tinha cabeça nenhuma pra isso. Ansiedade me matando mais uma vez”, conta outra estudante.

Essa é a USP elitista e racista que, enquanto garante os supersalários dos membros do Conselho Universitário e da Reitoria, mantém um auxílio financeiro aos estudantes em R$400 há mais de 8 anos, como se esse valor fosse suficiente para pagar um aluguel ou até mesmo comer na atual crise econômica. Depois de ter conseguido furar o filtro social e racial do vestibular, agora esses estudantes enfrentam um segundo filtro: permanecer na universidade.

A pandemia escancarou essas contradições, acentuou a desigualdade e excluiu milhares de jovens do país inteiro. Precisamos, nesse momento, olhar para esse cenário catastrófico e questionar mais de fundo a realidade que vivemos. Torna-se evidente a importância de lutar pelas cotas, mas sem perder do horizonte que é necessário destruir o filtro do vestibular. Para que todos tenham direito à universidade e não precisem passar por esse estresse e exclusão.




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