Juventude

MOVIMENTO ESTUDANTIL

Massificar a mobilização e nacionalizar a greve da UFSC para barrar o Future-se

Chamado a nacionalizar a greve da UFSC, massificar a mobilização e coordená-la a nível nacional.

quarta-feira 2 de outubro| Edição do dia

[Foto retirada de: UFSC À Esquerda]

A greve da Universidade Federal de Santa Catarina conta hoje com quase um mês de existência. Deflagrada no dia 10 de setembro pelos estudantes da graduação e no dia 11 pelos estudantes da pós, a greve tomou a universidade e mira contra o projeto de privatização do ensino superior e o conjunto dos ataques do governo Bolsonaro. Com cerca de 70 cursos de graduação e quase 30 da pós paralisados nesse momento, a força da greve mostra a enorme disposição por parte dos estudantes em barrar o enorme ataque do governo federal. Combinado às jornadas massivas esse ano por todo o país, há disposição geral para derrotar Bolsonaro.

Em determinado momento a greve chegou a reunir cerca de 5 mil estudantes em Assembleia Geral para organizar a luta. Ela foi preparada durante meses, desde o momento em que Weintraub primeiramente anunciou o projeto Future-se, que avança brutalmente na destruição da universidade pública em direção a sua privatização. Ou seja, não se trata de uma greve que caiu do céu. Contou com a disposição de centenas de estudantes que se organizaram à revelia das correntes tradicionais que hoje compõem o DCE da UFSC ou defendem a mesma política (como a UJS, PT, Correnteza, setores do PSOL, JCA, etc.)

O caminho para fazer com que essa luta ecoe por todas as universidades federais do país é nacionalizar a greve. Em primeiro lugar, cercá-la de solidariedade por todas as universidades, levantando o apoio à greve da UFSC nas jornadas do dia 3 de outubro. Fazer com que ela se erga pelos quatro cantos do Brasil e invada as salas de aula, as assembleias de curso e assembleias gerais e faça com que uma greve geral da educação se desenvolva de fato. Estamos em meio a dois dias de paralisação convocadas pela UNE. É preciso que esses dois dias sirvam não apenas como mais dois “dias de luta”, e sim como forma de organizar o movimento estudantil a nível nacional e seguir o exemplo da UFSC, de modo a coordenar a luta nacionalmente e massificá-la através de um grande comando nacional com delegados revogáveis eleitos pelas bases. Mas um comando que seja realmente ligado às bases, e não um comando fechado, com delegados fixos, como o que tem sido imposto pelas correntes do DCE na UFSC.

A UNE possui uma grande responsabilidade nisso. No entanto o que estamos vendo é um silêncio proporcional à disposição de luta dos estudantes catarinenses. Nas páginas oficiais das UNE não há destaque para a greve da UFSC, tampouco um chamado à seguir o exemplo. A aposta da UJS e do PT é a da briga meramente institucional, visando as eleições, se utilizando do rechaço ao Future-se apenas para desgastar o governo Bolsonaro ou até mesmo negociar um ou outro ponto do Future-se junto com as reitorias e as burocracias acadêmicas. O problema é que a educação é um direito e não é negociável, bem como não podemos “aguardar 2022”, os ataques estão vindo com tudo!

Na contramão dessa estratégia institucional, precisamos organizar uma estratégia que massifique o movimento desde as bases, coordenando-o nacionalmente. As correntes da oposição de esquerda, como Correnteza e Juntos, tampouco se apoiam no exemplo da UFSC para massificar a mobilização no conjunto das universidades federais. Nesse sentido, os estudantes devem tomar em suas mãos o exemplo da UFSC. A disposição dos companheiros em fazer a greve uma questão nacional para o movimento estudantil os levou a organizar caravanas para algumas universidades com o intuito de contar suas experiências e avançar no sentido da nacionalização. Nós da Faísca - Anticapitalista e Revolucionária e do Esquerda Diário, depositamos nossa energia a serviço dessa luta.




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