NACIONAL

Marina Silva lança campanha por eleições presidencias antecipadas

Em meio à profunda crise de legitimidade pela qual passa o degradado regime político brasileiro, diversas saídas são ensaiadas nos discursos, nas ruas, nos palanques e nos tribunais. Cerimônia reuniu Marina Silva, Cristóvam Buarque e outros pedindo eleições presidenciais antecipadas.

Evandro Nogueira

São José dos Campos

quarta-feira 6 de abril de 2016| Edição do dia

Nessa terça-feira, 5, alguns atores com peso nesse quadro se manifestaram, uns mais enfáticos que outros, em apoio à ideia das eleições gerais como uma possibilidade viável para a recomposição do regime, como vimos aqui.

Com o lema “Nem Dilma Nem Temer, Nova Eleição é a Solução”, o Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, lançou a campanha pelas eleições. Entre os que discursaram, Cristóvam Buarque, senador pelo PPS, declarou que, “eu não fui em nenhuma manifestação pelo impeachment da Dilma, nem em uma contra, mas estou doido para caminhar com aqueles que querem nova eleição para um novo Brasil!”, com o que concordou Randolfe Rodrigues (ex-PSOL e atual Rede), que ainda comparou essa recém lançada campanha às lutas pelas “Diretas já!” contra a ditadura.

Encerrando o lançamento da campanha, Marina, além de defender que a justiça, por meio da Lava Jato, é o que está permitindo recompor a legitimidade do regime político, apontou que entre três possibilidades de saída para a crise política, o impeachment, a renúncia ou a impugnação da chapa pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), para ela, a última opção permitiria a mudança mais ampla, pois, “as pessoas estão escaldadas com tudo o que aconteceu” e isso mudaria o quadro político do país. Na sequência, contudo, o discurso de Marina fica mais claro, quando diz que “se o PPS tem um quadro para a educação é ele quem tem que ser apresentado, se o PSDB tem um quadro para a economia é ele quem tem que ser apresentado, se a Rede tem um quadro para o meio ambiente é ele quem tem que ser apresentado”.

Nesse sentido, seguiu em consonância com as orientações lançadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à GloboNews há alguns dias, no qual defendeu que, “num dado momento... o Brasil vai precisar de um mínimo de consenso”, apontando a necessidade de uma repactuação entre as diferentes forças políticas, sem eliminar nenhum dos atores.

O programa de Marina será “uma importante vitória” para o PSTU

Outro partido que vem insistindo em uma bandeira similar, a bandeira das “eleições gerais” e que também se pronunciou nessa mesma terça é o PSTU. Em seu site esse partido publicou um texto no qual pode-se ler que “Acreditamos que um futuro governo, surgido de eleições gerais fora do calendário eleitoral patrocinado pelas grandes empresas, seria mais fraco e aprofundaria a crise do regime. Em consequência, o avanço na organização da classe trabalhadora advindo desta importante vitória [grifo nosso] daria mais condições para que os trabalhadores avançassem na luta em defesa de suas necessidades imediatas e históricas”.

Chama atenção, também como tal texto nasceu desatualizado, pois com tantos “agentes de peso” da política tradicional cogitando as eleições presidenciais antecipadas ou gerais (Renan) como via mais indicada para a recomposição do regime, nada teria nelas de “fora do calendário”, no sentido de algo extraordinário, ou mesmo de “não patrocinadas pelas grandes empresas”. O mais chocante é a definição de que essas eleições seriam uma “importante vitória”, enquanto seriam, na verdade a via prática para a repactuação do poder apontada por Marina e outros. O PSTU defende, diferente de Marina, eleições para todos cargos. No entanto, como mostra a frase acima, para este partido a mudança de governo por uma eleição antes de 2018, a mesmíssima coisa que quer Marina, seria um avanço na organização da classe trabalhadora. Dizem outra coisa para na verdade defender o mesmo.

Depois dos “acampados da FIESP” tomarem pra si os cartazes do PSTU, o programa de Marina ter se tornado uma grande vitória não surpreende tanto. O que segue sem fazer sentido, contudo, é como esse mesmo texto que citamos tenta, na maior parte do tempo, defender a ideia de que “A democracia não pode ser o horizonte dos revolucionários e a legalidade burguesa não pode ser a nossa bússola.”, enquanto sua política prática é justamente a mesma que setores significativos dos que buscam relegitimar essa democracia degradada estão adotando.




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