Gênero e sexualidade

SEPARAÇÃO IGREJA E ESTADO

Malafaia diz que Papa Francisco está "a serviço do marxismo" por apoio à união civil de LGBT

Um dos representantes dos fundamentalistas religiosos da extrema-direita LGBTfóbica, machista e racista, o líder evangélico Silas Malafaia, disse que o Papa Francisco estaria “a serviço do marxismo”. Escancara-se a a política reacionária de parte da base de Bolsonaro e também a urgência da luta pela separação entre Igreja e Estado.

sexta-feira 23 de outubro| Edição do dia

Nesta quinta, 22, o pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, criticou em vídeo a posição do Papa Francisco de que casais LGBT devem ter seus direitos protegidos (expresso no documentário Francesco, recém lançado na Itália), como a união civil, dizendo que este estaria “negando fundamentos do cristianismo”. Também disse que: “O instrumento da verdade científica é o experimento, a observação. O instrumento da verdade teológica cristã é a Palavra de Deus”, disse Silas Malafaia. (...) Quando você quer saber o que é verdade, o que é mentira, o que Deus aprova, o que Deus condena no Cristianismo, é a Sua Palavra”.

Deixando nítida qual é a sua verdade, Malafaia chegou a usar a trechos da bíblia no vídeo como base para condenar o papa católico, declamando versículos em que a homossexualidade - que é uma da diversa realidade concreta da História da humanidade, da civilização, e ainda mais no século XXI - é condenada, blindando-se com sua suposta “liberdade de expressão”.

No vídeo, o líder evangélico ainda forçou uma conexão da declaração do papa com o marxismo, destilando ódio contra o que ele mesmo chama de “marxismo cultural”, dizendo que o objetivo deste é destruir a cultura judaico-cristã ao atacar seus valores. Ele disse: “O papa está a serviço deste marxismo nojento que quer destruir os valores de família onde toda a civilização está sustentada”.

Em “defesa da vida” é que não está Silas Malafaia e a corja fundamentalista do governo Bolsonaro e seus aliados do agronegócio, da bancada da bala, herdeiros do regime do golpe institucional. Em agosto, o pastor Silas Malafaia postou um vídeo em seu canal do youtube em que proliferou ainda mais ódio contra menina de 10 anos, que precisou realizar um aborto, não se importando nem um pouco com a vida da garota e de milhares de outras mulheres que morrem todos os anos por causa do aborto clandestino e pela violência contra a mulher. Ele afirmou em vídeo que aborto é pior do que estupro.

E como a figura que unifica essa escória, está Bolsonaro, que fez uma declaração na Assembleia Geral da ONU, apelando ao combate do que chamou de “cristofobia”. Em 2018, os casos de discriminação religiosa a católicos e evangélicos representam, juntos, 7%, enquanto as religiões de matriz africana representam mais de 30% dos casos, sendo fomentados pela ideologia do governo federal.

No início deste mês de outubro, ocorreu em São Paulo celebração do aniversário do líder da Assembleia de Deus, o pastor José Wellington Bezerra Costa. Lá, Bolsonaro esteve presente e declarou abertamente aos participantes que o segundo indicado ao Supremo Tribunal Federal será um "mais que terrivelmente evangélico", para asfaltar ainda mais essa estrada de reacionarismo.

Bolsonaro e Malafaia têm ao seu lado Damares. Juntos, Bolsonaro e Damarares propõem desviar 15% dos já poucos recursos da educação pública para financiar escolas ligadas a igrejas católicas e evangélicas. Damares foi parte de impedir o aborto da menina de 10 anos e batalhou com o presidente pela portaria publicada no 24 de setembro, que impõe custódia policial para aborto até mesmo em caso de estupro.

E, na realidade, o que Malafaia usa para atacar Papa Francisco, por um lado, é um direito básico das LGBT, por outro, em suas conexões forçadas entre o papa e o marxismo, se mostra falacioso. Em agosto, o papa Francisco recomendou recorrer à psiquiatria quando os pais constatem uma tendência homossexual em seus filhos desde a infância, em uma roda da imprensa no avião que o levava da Irlanda à Roma.

O fato que é concreto é a intervenção da igreja como um dos pilares para o retrocesso nos direitos mais elementares das pessoas civis, que é base também para Bolsonaro, Mourão e os golpistas passarem seus ataques e varrerem nossos direitos. Por isso é necessário levantar como bandeira primordial dos movimentos LGBT a separação da Igreja e do Estado.

Igreja e Estado, assuntos separados!




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