NOSSA CLASSE EDUCAÇÃO

Mais um dia de desespero para os professores contratados do estado

Os professores "categoria O", contratados temporários da rede estadual de ensino de São Paulo, passam hoje por mais um dia de desespero em relação a sua situação de emprego. Muitos descobriram que não poderiam escolher suas aulas de acordo com a classificação oficial dos professores.

quinta-feira 23 de janeiro| Edição do dia

Os professores "categoria O", contratados temporários da rede estadual de ensino de São Paulo, passam hoje por mais um dia de desespero em relação a sua situação de emprego. Ao chegarem para a atribuição de aulas (processo de escolha de turmas para efetuar o contrato com o estado), muitos descobriram que não poderiam escolher de acordo com a classificação oficial dos professores. E esta situação levou a que, em várias regiões, como a zona norte da capital, o dia de atribuição fosse cancelado e, assim, a que os professores hoje voltem para suas casas ainda sem emprego.

Desde a semana passada, os professores haviam verificado que suas pontuações do tempo de magistério (critério usado pela Secretaria de Educação do Estado – Seduc – para classificar os professores para a atribuição) estavam erradas mais uma vez, e, tensos, passaram todos estes dias tentando corrigir. Mesmo sabendo de todo o problema, a Seduc manteve o processo de atribuição de hoje; e os professores se depararam com o caos – com as pontuações erradas, não é possível atribuir aula para os professores sem que ocorra alguma exclusão de alguns que, por classificação, teriam direito a atribuir. Em decorrência disso, em algumas regiões a própria Diretoria de Ensino cancelou o processo, em outras a Apeoesp impôs o cancelamento, e outras ainda seguem, mantendo os professores na espera agoniante.

O problema começou há muito tempo: assim como os professores concursados (efetivos) e os professores estáveis (categoria F), os professores contratados sempre no segundo semestre de cada ano letivo confirmam a inscrição e a sua pontuação no site da Seduc. No entanto, com as mudanças feitas pelo novo governador de São Paulo, João Doria, as inscrições dos professores contratados não estavam disponíveis no site no período correto, e somente em dezembro a Seduc avisou que as inscrições seriam automáticas para aqueles que têm o contrato ativo, ou seja, que não tinham o prazo de contratação, estabelecido pelo governo, vencido. As inscrições foram realmente feitas automaticamente, mas a pontuação dos professores contratados só foi atualizada na terceira semana de janeiro, com um prazo apertado de 3 dias para pedido de reconsideração (sendo que já estavam totalmente erradas).

Neste curto espaço de tempo, os professores tiveram que correr atrás dos gerentes escolares em suas respectivas unidades escolares, e quando não conseguiam resolver o problema na escola, tinham de ir às Diretorias de Ensino. Estas ficaram simplesmente abarrotadas de professores nos corredores; mas isso já é uma tradição da Seduc, que trata os profissionais com um verdadeiro desdém apesar de precisar deles para cobrir a falta que há na rede todos os anos por não abrirem concurso.

Este é mais um incidente decorrente do projeto de precarização total da educação pública pelo governo do estado. Este se soma às já históricas péssimas condições de trabalho e pagamento dos professores, à superlotação de salas, e às novas alterações curriculares e da grade horária que só rebaixam ainda mais a qualidade de ensino das crianças e dos jovens, filhos de trabalhadores, do nosso estado e, em consonância com os outros governos, do nosso país. Brincam mais uma vez com a vida dos professores e com o ano letivo dos alunos, de acordo com seus objetivos nefastos.

O Movimento Nossa Classe Educação tem uma luta histórica pela efetivação imediata e sem necessidade de concurso para os professores categoria O, ligada à luta pela educação pública de qualidade. Exigimos que os professores tenham os seus cargos de trabalho garantidos já.




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