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Maior sindicato de mineradores do Chile apoia manifestações e chama greve geral

Por meio de um comunicado difundido esse domingo 20 de outubro, as e os trabalhadores da maior mineradora privada do Chile chamaram “mineiras e mineiros a paralisar toda a mineração do Chile junto a outros setores da produção”.

segunda-feira 21 de outubro| Edição do dia

Neste domingo 20, os meios tradicionais de comunicação chilenos emitiram exclusivamente imagens de saques, “vandalismo” e incêndios, entre outras situações, com o objetivo de fortalecer a linha de criminalização do governo Piñera, que busca dividir as mobilizações, gerar medo na população e ignorar os problemas que causaram a explosão dos movimentos.

Contudo, as mobilizações continuam tendo força a nível nacional, pese que o governo de Piñera decretou Estado de Emergência em distintas cidades do país. É assim que setores de trabalhadores, por meio de seus organismos, expressam sua completa solidariedade com a luta e, além disso, fazem propostas de paralisação e greve geral.

Nesse sentido, através de um comunicado difundido esse domingo, as e os trabalhadores da maior mineradora privada do Chile chamaram a “mineiras e mineiros a paralisar toda a mineração do Chile junto a outros setores da produção”.

“Vamos pela greve geral até derrubar o Estado de Emergência, tirar os militares das ruas, derrotar o governo de Piñera e conquistar cada uma das demandas do povo trabalhador, de setores populares, da juventude, dos pensionistas e das mulheres!”

Abaixo, publicamos o comunicado completo:

“Companheiras e companheiros. Hoje, o país está passando por difíceis e críticos momentos, houve uma explosão social e legítima, um acúmulo de raiva contida de abusos, desigualdades, desesperanças e incerteza de futuro. As trabalhadoras e os trabalhadores são parte integral dessa sociedade e, mais ainda, são o eixo central que conforma a classe trabalhadora, e, diante dos graves fatos ocorridos, não podemos ficar em silêncio, não podemos permanecer imóveis frente ao nosso povo que está lutando.

Essa raiva contida vocês conhecem bem e a vivem cada dia, uns em maior medida, mas está aí viva e latente em cada uma de nossas famílias, amigos e próximos. Essa explosão de raiva não foi causada pelo aumento das passagens do sistema de transporte do metrô, que foi só o gatilho desse câncer de injustiça que vivem as e os trabalhadores diariamente. É importante ver claramente como esse sistema governamental e capitalista nos oprime. As vezes, não somos capazes de vê-lo, porque estamos acostumados ao jugo político e empresarial e disfarçamos nossas evidentes necessidades com endividamento familiar.

Temos um sistema de AFP (Administradoras de Fundos de Pensões) que é um roubo; seu dinheiro é aproveitado por bancos e empresas, e depois você o pega emprestado com juros altos; os lucros são recebidos pelas AFPs e seus proprietários, mas as perdas são assumidas por nós trabalhadores que, quando estivermos velhos, cansados e doentes, receberemos misérias de pensões.

Sabemos perfeitamente que a saúde tem um preço, e quem não tem dinheiro morre. Pagamos mensalmente importantes cifras de dinheiro em cotizações e seguros e, ainda assim, quando ficamos doentes, devemos pagar. Olhem para o lado, companheiras e companheiros, rompam suas bolhas individuais e vejam claramente quantos de seus pais, filhos, irmãos, sobrinhos, tios, avós e amigos estão endividados por não ter condições de se curar; quantos morreram em hospitais miseráveis por não terem como pagar para viver.

Companheiras e companheiros, vocês pensam qual educação ou legado estão deixando para seus filhos. Seus filhos e familiares estudam em um sistema educacional medíocre que os preparam para ser mão de obra barata. Vocês pagam para educar os seus filhos, mas os filhos dos ricos e poderosos estudam em colégios ainda melhores, com valores inalcançáveis para seus bolsos, e eles ainda têm os benefícios que a empresa concede. Os filhos dos ricos e poderosos vão para as melhores universidades do Chile, as mesmas que os nossos pais trabalhadores e operários levantaram com seus esforços e trabalho, e, hoje em dia, outros aproveitam, não os filhos dos operários e humildes.

Veja essa crueldade. O que faremos companheiras e companheiros? Fecharemos os olhos e faremos vista grossa. Quantos de nossos filhos estão em manifestações sociais e nas ruas, quantos de nossos pais estão lutando, nossas esposas ou esposos, nossos sobrinhos, nossos irmãos etc.? Vejamos claramente o que está acontecendo. Lamentavelmente, vocês conhecem muito bem a história e o que significa as forças armadas nas ruas.

Tomaremos, então, consciência quando matarem alguém próximo a nós e, aí, lamentaremos e, aí, entenderemos a importância de lutar juntos por um futuro melhor. Existe um só poder que ninguém pode nos tirar, que ninguém pode nos obrigar e que ninguém mais é capaz de igualar, e esse é o poder de produzir. Não se gera nenhum lucro, não se move uma só máquina e nenhum alimento é semeado ou colhido senão pelas mãos dos trabalhadores. Esse poder é o maior de todos, é certo, pacífico, protetor, classista e de irmandade para o nosso povo.

Este sindicato tem uma responsabilidade social de ser o maior sindicato da mineração privada e por fazer a maior mina do mundo produzir, a transnacional mais poderosa do mundo. Temos uma história de luta e lealdade a ser lembrada e hoje é necessário dar o exemplo para a mineração nacional, privada e estatal. Devemos paralisar nossas operações pela segurança das pessoas que vivem em regiões em que é preciso viajar [para chegar em casa NdT.], devemos paralisar pela enorme preocupação sobre o que está acontecendo em nosso país, onde nossos familiares são parte ativa desses movimentos sociais, tudo isso amparado nas garantias constitucionais do artigo 184 do Código do Trabalho.Mas o mais importante e de mais valor é que devemos paralisar porque somos parte dessa classe trabalhadora que está sofrendo. Isso começou em Santiago e toda a população, de Arica a Punta Arenas, saiu em defesa da cidade inteira. Não podemos seguir trabalhado e fazendo essas empresas funcionarem como se não estivesse acontecendo nada, sabendo que elas estão conspirando com esse governo que nos ataca e nos oprime. Não podemos deixar de paralisar, porque a história nos condenará como covardes e cumplices desses abusos contra a classe trabalhadora, e o mais íntimo e sentido é que não podemos deixar de paralisar porque não seremos capazes de olhar na cara da nossa família, principalmente dos nossos filhos que hoje estão em luta sem sentir que não fizemos nada para apoiá-los e defende-los, sabendo que esse poder e capacidade está em nossas mão.

Paralisar, mineiras e mineiros, paralisar toda a mineração do Chile junto com outros setores produtivos até que retirem as forças militares e opressoras das ruas e até que as autoridades do governo estejam dispostas a sentar e dialogar de igual para igual com esse povo que clama e luta por igualdade, justiça, oportunidades, trabalho e uma vida digna para nossa gente.

Saudações fraternas,

Diretório Sindicato Nº 1 de Trabalhadores de Mineração Escondida




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