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Crise política | Macron isolado: abre-se um período de grande instabilidade política na França

Apesar das expectativas de que a base de Macron diminuísse neste segundo turno das eleições legislativas na França, o resultado superou as piores previsões. O governo não só perdeu a maioria absoluta na Assembleia Nacional, mas também se tornou uma ultra minoria. Abre-se assim uma grande crise política e um explosivo período nos próximos cinco anos.

segunda-feira 20 de junho | Edição do dia

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Esperava-se que o segundo turno das eleições legislativas enfraquecesse Macron, mas o resultado final superou as piores expectativas. O governo perdeu totalmente a maioria absoluta, um resultado que condena Macron a governar como uma ultra minoria, buscando apoio da direita, e que abre um período de profunda instabilidade política.

Macron ficará frente a frente com a coalizão de centro-esquerda NUPES, liderada por La France Insumisa de Jean-Luc Mélenchon, que reúne o Partido Socialista, os Verdes e o Partido Comunista, entre outros, que tornou-se a principal força de oposição. No entanto, isso não é uma vitória. Os resultados finais estão longe da demagogia eleitoral de Mélenchon que, novamente na sexta-feira, garantiu que seria primeiro-ministro.

Assim como no primeiro turno, o índice de abstenção chegou a 54% apesar da campanha de mobilização realizada desde a eleição presidencial, marcando a dificuldade em convencer as classes trabalhadoras e a juventude de que a coligação com partidos burgueses como o Partido Socialista e os Verdes seja uma alternativa. Quase 3 em cada 4 jovens não votaram nestas eleições legislativas.

Diante do NUPES, a extrema direita deu um salto e se firmou como a segunda oposição ao governo. O Reassemblement Nacional (RN, Reagrupamento Nacional) poderia de fato multiplicar por 10 seu número de deputados, repetindo seu resultado histórico no primeiro turno. O partido de Marine Le Pen capitaliza assim o profundo ódio ao macronismo, mas também a incapacidade do NUPES de convencer amplos setores das classes populares seduzidas pelo RN.

Esses resultados são uma antecipação de um período de cinco anos extremamente instável, no qual a capacidade de governar de Emmanuel Macron será severamente testada. Em meio a uma guerra reacionária na Ucrânia e enquanto a presença francesa na África está em crise, essa situação enfraquecerá ainda mais a posição do imperialismo francês, pilar da União Européia, no cenário internacional.

Em um discurso de crise, a primeira-ministra Elisabeth Borne pediu a construção de uma "maioria de ação", apostando na possibilidade de acordos com a direita. Mas isso pode ser mais difícil de alcançar do que o esperado e, na melhor das hipóteses, pode forçar Macron a governar mais à direita do que deseja.

Se a crise sanitária congelou temporariamente o impulso ascendente da luta de classes ininterrupta entre 2016 e 2020, essa instabilidade política, em um contexto internacional marcado pelo aumento das tensões no campo geopolítico, pelo aprofundamento da crise econômica e pelas tendências de recessão, poderia levar rapidamente a grandes explosões sociais. Isso abre uma situação em que os "guerrilheiros parlamentares" anunciados pelo NUPES ficarão impotentes e a durabilidade dessa coalizão poderá ser rapidamente posta à prova. Fabien Roussel, líder do Partido Comunista Francês, já começou a se distanciar nesta noite de domingo.

Ao contrário da perspectiva parlamentar que está no cerne do discurso da esquerda institucional, é necessário preparar uma batalha no campo da luta de classes, buscando aproveitar as brechas que a crise política pode abrir. Para isso, precisamos de uma esquerda revolucionária na ofensiva, capaz de intervir nas lutas que virão e construir uma frente de resistência contra Macron e a extrema direita.




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