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INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO | MEC do governo Bolsonaro é o que menos investe no ensino superior desde 2015

Sob a batuta do governo de Bolsonaro e Mourão, o investimento feito pelo Ministério da Educação (MEC) nas instituições de ensino superior é o menor desde 2015.

segunda-feira 15 de fevereiro | Edição do dia

Imagem: Carolina Antunes/PR

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Economia, o MEC do governo de Bolsonaro e Mourão é o que menos investiu nas universidades e institutos federais desde 2015. É chamado “investimento” o valor destinado a obras de infraestrutura, compra de equipamentos, insumos para laboratórios, entre outros gastos que são cruciais para o pleno funcionamento das instituições de ensino. A conta não inclui gastos obrigatórios como pagamento de salários do quadro de funcionários ou demais despesas correntes.

Quando comparado o valor orçado e o valor efetivamente pago pelo MEC, os dados são chocantes. Em 2019, o valor orçado para investimentos foi de R$ 618,1 milhões e para 2020, R$ 377,90 milhões. Desse valor, foram pagos apenas R$ 39 milhões e R$ 61 milhões respectivamente. Ou ainda, apenas 6% do previsto no orçamento foi pago em 2019 e 16% em 2020. Os valores de 2019 estão atualizados pela inflação.

Esses valores são os menores desde 2015. Na média dos dois primeiros anos do governo de Bolsonaro, o MEC efetivou apenas 10% do que havia orçado, enquanto em 2015 e 2016, sob o governo de Dilma e Temer, esse mesmo índice foi de 12%, também abaixo do necessário. Em valores nominais, isso significa dizer que em comparação com os primeiros dois anos do governo anterior, foram R$ 12 milhões a menos investidos, sendo que atualizando com a inflação esse valor chega a R$ 29,8 milhões.

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Além disso, o investimento de 2020 esteve fortemente atrelado às necessidades das universidades e institutos diante da pandemia. Mais de um terço dos recursos do ano passado foi direcionado para que as universidades auxiliassem na produção de EPIs e também para auxiliar estudantes que não tinham acesso à internet para acompanhar o EAD implementado. Contudo, além do auxílio aos estudantes ter sido insuficiente, causando alta evasão no ensino, boa parte do investimento do MEC em 2020 não atendeu às demandas estruturais das instituições, que são permanentes para além da pandemia.

Vale ressaltar ainda que o investimento emergencial mencionado só foi destinado às instituições de ensino em agosto de 2020, cinco meses após o começo da pandemia, que afetou rapidamente milhares de jovens de baixa renda. Ou seja, o MEC do governo de Bolsonaro e Mourão, que ora teve como direção o ex-ministro reacionário Weintraub e agora atua com o privatista Milton Ribeiro, ao mesmo tempo que não foi capaz de garantir o acesso e a permanência do estudantes mais pobres no ensino superior em meio a pandemia, também não levou a frente as obras necessárias para que a infraestrutura das universidades e institutos esteja adequada ao retorno presencial, quando este for possível, já que é notória a situação precária dos prédios universitários.

O baixo investimento no ensino superior por parte do governo federal afeta não só o ensino, como também a pesquisa e a extensão universitária, que se veem em completo descaso sem os materiais e espaços adequados ou mesmo oferta de bolsas aos estudantes. E o cenário para 2021 não promete melhoras, já que no orçamento às instituições de ensino superior está previsto um corte histórico de verbas.

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Enquanto um projeto de elitização e precarização é implementado no ensino superior público brasileiro, o governo de Bolsonaro e Mourão gasta R$ 15 milhões em leite condensado e as forças armadas se utilizam do dinheiro público para comprar nada mais nada menos que 142 quilos de lombo de bacalhau, uísque, 700 toneladas de picanha e 80 mil cervejas. É uma piada de tremendo mal gosto com a juventude precarizada que precisa pedalar horas com uma bag nas costas para manter seu sustento e seus estudos.




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