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MEC de Bolsonaro passa por cima da juventude e anuncia o Enem para janeiro de 2021

Ignorando a pandemia e seus efeitos sobre a vida de jovens estudantes do país, a suspensão das aulas presenciais nas escolas e passando por cima da vontade expressa dos estudantes, o Ministério da Educação e o Inep anunciaram nessa quarta-feira, 08 de julho, que o ENEM será realizado nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021 e o Enem digital acontecerá nos dias 31 e 7 de fevereiro.

quinta-feira 9 de julho| Edição do dia

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) se trata de um grande sistema de vestibular nacional que serve de acesso ao ensino superior nas universidades públicas do país a partir do SISU (Sistema de Seleção Unificada), ou seja, serve como filtro social elitista e racista que faz com que a maioria da juventude negra e pobre não alcance a sonhada universidade pública. Nessa quarta-feira, o MEC – que segue sem ministro, pois Bolsonaro espera por uma figura evangélica para assumi-lo, dando uma resposta à sua ala mais ideológica e reacionária para acabar com a vida da juventude e dos trabalhadores – e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) anunciaram que o exame desse ano será realizado em janeiro e fevereiro de 2021, como se esse período de adiamento fosse possível compensar, sobretudo para os alunos da rede pública, praticamente um ano inteiro de interrupção das aulas.

A pandemia do coronavírus que já ceifou a vida de quase 70 mil brasileiros, em números oficiais, fora as subnotificações, fez com que as aulas do ensino básico e universitário fossem suspensas. Frente a isso estados e municípios passaram a implementar diferentes sistemas de Educação à distância nas escolas públicas. Várias iniciativas privatistas por meio de contratos caríssimos aos cofres públicos com empresas gigantescas como Google e Microsoft – para já ir assentando as bases para privatização do ensino –, mas não por isso eficazes, convivem com arremedos patéticos como envio de tarefas via WhatsApp ou obrigando pais e alunos a se exporem à contaminação para buscar atividades nas escolas. A grande verdade sobre o EAD no Ensino Básico é que ele é uma grande farsa, um projeto que está servindo para ampliar as já imensas desigualdades entre crianças e jovens do país, além inclusive de ampliar a exploração dos professores e do grau de controle sobre seu trabalho.

O ensino à distância, sobretudo no Ensino Básico, não tem a qualidade do ensino presencial, ou seja, não é possível que os alunos aprendam os conteúdos que aprenderiam presencialmente. Isso é ainda mais evidente para os alunos de escola pública. Sabemos que uma grande parcela dos estudantes sequer tem condições de acessar os conteúdos, seja por não possuírem dispositivos de acesso como computadores e smartphones, seja por não contar com acesso à internet. Mas além disso, estamos falamos principalmente da juventude pobre e negra que vive nas periferias, as regiões mais atingidas pela doença, mas também pelo desemprego, pelo trabalho precário, e pela violência policial. Professoras e professores são testemunhas de situações chocantes de estudantes enviando mensagens para dizer que ouvem as aulas enquanto trabalham com serviço de entrega, por exemplo. É essa juventude, que simplesmente não tem condições para estudar, que o MEC despreza e passa por cima.

Vamos lembrar que incialmente o asqueroso e privatista ex-ministro da educação Abraham Weintraub, que era o grande nome aliado a Bolsonaro para destruir com o acesso à educação pública e de qualidade para a população mais pobre, havia mantido a realização do Enem esse ano. O fato gerou uma forte contestação de estudantes e professores que realizaram uma série de ações pelo adiamento da prova. Sob pressão dos estudantes Weintraub anunciou o adiamento do ENEM por 60 dias e demagogicamente o MEC realizou uma consulta com mais de 5,8 milhões de inscritos no Enem sobre a melhor data para realização da prova. Porém o MEC desprezou a vontade de quase metade dos estudantes (49,7%) que preferiam que o ENEM fosse realizado em maio de 2021.

O sonho de chegar à universidade pública no país já é sistematicamente negado todos os anos a milhões de jovens brasileiros, sobretudo negros e pobres do país, pelo filtro excludente, elitista e racista que é o vestibular, cujo maior exemplo é o próprio Enem. A realização do Enem, mesmo em janeiro do ano que vem, é a realização do sonho das elites de ter as universidades públicas livres de alunos da rede pública – lembrando ainda de todo o ataque do governo Bolsonaro para a privatização destas universidades.

O calendário do Enem deve ser discutido e definido por estudantes e professores das escolas públicas, e adequado ao calendário de retorno às aulas pós pandemia também definido por trabalhadores da educação, profissionais da saúde, estudantes e familiares. Mas também precisamos lutar pelo fim do vestibular e o acesso direto dos alunos do ensino médio às universidades públicas, mais verbas para a educação pública garantindo vagas e permanência para todos que queiram estudar. Nesse momento que assistimos a enorme evasão de alunos das universidade privadas do país, pertencentes a riquíssimos monopólios educacionais, e que em meio à pandemia demitem professores e afogam estudantes em enormes dívidas para tentar manter o sonho do ensino superior, é mais do que nunca necessário estatizá-las sem indenização para seus milionários donos.




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