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Lojas Americanas obrigam funcionários a trabalharem, mesmo não sendo serviço essencial

Funcionários das lojas Americanas do Rio de Janeiro denunciam empresa por descaso em plena pandemia. Funcionários estão sendo obrigados a realizarem delivery sem proteção para garantir o lucro da empresa.

quinta-feira 26 de março| Edição do dia

Mesmo após o último decreto do prefeito Marcelo Crivella neste domingo (22), que determinou fechamento obrigatório do comércio e abertura apenas dos estabelecimentos essenciais, as lojas Americanas seguem obrigando seus funcionários a trabalharem.

A Americanas, que nos últimos três meses de 2019 lucrou quase 600 milhões de reais, não quer perder a chance de também lucrar em cima da crise do coronavírus.

Nesta quarta-feira (25), os funcionários receberam a informação de que a sede da Americanas ordenou às lojas voltarem a normalidade a partir de meia noite, alegando que Crivella teria liberado como serviço essencial as lojas de conveniência.

Porém o prefeito do Rio declarou a abertura das lojas de material de construção e de conveniência em postos de gasolina, onde as lojas Americanas não se encaixam, principalmente por possuir na maior parte dos itens de venda eletrodomésticos e brinquedos, que não se encaixariam na categoria de serviço essencial.

Hoje, quinta-feira (26), diversas lojas da Americanas amanheceram abertas, sem nenhuma proteção, pois segundo alguns relatos os gerentes dizem que assustaria os clientes, deixando os trabalhadores expostos à contaminação.

As filiais obrigadas a fecharem usam o funcionamento delivery, obrigando que seus atendentes realizem esse serviço, sendo expostos sem nenhum tipo de proteção, colocando todos para fazerem as entregas a pé e com os produtos na mão. No capitalismo, os lucros deles supostamente valem mais que as vidas de tantos trabalhadores. Em algumas lojas é possível ver placas identificando o serviço delivery:

O governo orienta que todos façam quarentena, mas essa realidade não está colocada para os trabalhadores que precisam dos seus empregos para sobreviverem. Esses mesmos trabalhadores que precisam ir aos seus postos de trabalhos, não têm acesso ao exame de coronavírus para ao menos saberem se estão contaminados ou não, pois os testes são feitos apenas em casos graves, como relata um funcionário da Americanas:

“Não podemos usar luvas e o álcool em gel acabou hoje. Trabalhamos no epicentro do vírus no Rio de Janeiro, que é a Zona Sul. Todos na loja estão meio resfriados e não sabemos se estamos ou não com corona, pois somos todos jovens e na gente não tem o mesmo efeito que em idosos, e caso formos no hospital só vamos ganhar o dia e não vão fazer teste algum”.

Estando um trabalhador contaminado, mesmo sem apresentar sintomas, a chance de todos se contaminarem é muito grande. Por isso lutamos para que tenhamos testes para todos, para que as quarentenas sejam seguras para quem precisa se locomover e mais efetiva para toda a população.

Lutamos por leitos e respiradores para quem desenvolver sintomas, e pela unificação de todo sistema de saúde em um sistema 100% estatal e público, controlado pelos trabalhadores.

A Americanas, que não poupa esforços e dinheiro para fazer propagandas no Big Brother Brasil, é totalmente irresponsável com seus trabalhadores, que em geral não estão em um serviço essencial, colocando-os em condições precárias frente ao coronavírus.

O Esquerda Diário está se colocando a serviço de dar voz e expor a situação do povo trabalhador e mais precarizado em meio à pandemia do coronavírus.

Estamos recebendo diversas denúncias das favelas do Rio de Janeiro sobre a situação de extrema vulnerabilidade em que estão estes trabalhadores.

Exigimos a liberação dos funcionários dos serviços não essenciais com garantia de pagamento dos salários, proibição de demissão. Nossas vidas valem mais que os lucros deles!




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