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Crise Hídrica | Lastimável! 537 municípios do nordeste decretaram situação de emergência devido a seca

Informações são do Ministério do Desenvolvimento Regional, correspondendo a quase um terço dos municípios da região. Moradores dessas regiões relatam que o carro-pipa já ficou de três a quatro dias sem abastecer as caixas d’agua. No Ceará por exemplo são 40 municípios em situação de emergência.

terça-feira 12 de outubro | Edição do dia

Foto: Honório Barbosa/ Diário do Nordeste

No Ceará são 40 municípios em situação de emergência. Em alguns deles há colapso de abastecimento de água, e na área urbana por exemplo, e os moradores dessas cidades precisam buscar água nas caixas d’agua comunitárias instaladas nas ruas dos bairros, e abastecidas por carros-pipa, que precisam buscar água longe, e por isso nem sempre esse abastecimento é diário, deixando os moradores muito tempo sem água. Moradores dessas regiões relatam que o carro-pipa já ficou de três a quatro dias sem abastecer as caixas d’agua. Eles acabam tendo que disputar por toda a água.

“Até a última gota, porque ele passa três, quatro dias sem vim. Todo mundo pega água. Quem pegou, pegou. Quem não pegou, fica sem pegar", disse a agricultora Gilvanilza Pinheiro da Paz, em reportagem para o Jornal Nacional.

Na área rural a situação é ainda pior. Os moradores também dependem de carros pipa para abastecer as cisternas de água. Neste ano, no Ceará, a chuva foi 22% abaixo da média, com a produção agrícola tendo perda de 43%.

Santa Quitéria, no sertão do Ceará, só tem três carros-pipa para atender toda a área rural - que já contou com 18 em anos anteriores.

"Os carros-pipa botam na cisterna, mas aí quando acaba, que demora pros carros vir, a gente vai pegar nos barreiros", relata Antônia Mesquita Batista, agricultora.

Barreiro é lugar de água turva, como um no município de Irauçuba. É onde Dona Francisca vai diariamente, quando não tem nenhuma outra fonte para abastecer a casa.

"O carro-pipa coloca uma ’carrada’ por vez, mas aí às vezes seca, passam oito dias, nove dias, pra eles poderem voltar e botar de novo. A gente é esquecido aqui", desabafa Francisca Garcia Batista, agricultora.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, os municípios que decretam situação de emergência devem ter a situação reconhecida pelo Estado, e precisam também serem incluidos na Operação Carro Pipa, que é realizada pelo exército. Mas essa inclusão pode demorar, porque o exército precisa vistoriar cada município que pede a inclusão, para que ele possa determinar quais são os pontos de coleta de água, onde essa água vai ser fornecida, quais as rotas, qual a frequência, e também quais são as datas de abastecimento em cada ponto.

Ou seja, uma enorme burocracia para resolver um problema urgente, em meio à fome, desemprego, pandemia, inflação, ao mesmo tempo em que os verdadeiros responsáveis pela seca, que são os capitalistas do agronegócio, são protegidos pelo exército, por Bolsonaro e pelos governadores.

Segundo a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), o agronegócio consome 78% da água no Brasil; 10% é consumido pela indústria e 9% pelas casas urbanas. Além disso, segundo relatório do FAO (Fundo das Nações Unidas para Agriculutura e Alimentação), cerca de 60% de toda a água empregada na irrigação pela agricultura é desperdiçada. Os mesmos estudos apontam que uma redução de 10% dessa perda seria o suficiente para abastecer o dobro da população mundial atual, em termos de média estatística.

Com informações de G1/Jornal Nacional




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