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Caso Miguel | Juiz que condenou Sari Corte Real pediu investigação absurda de Mirtes e sua mãe

Sari Corte Real foi condenada pelo assassinato do meino Miguel porque Mirtes Renata lutou incansavelmente por justiça. Agora o mesmo juiz que a condenou abriu um processo contra Mirtes e a avó de Miguel, um ataque racista e de classe.

Cristina SantosRecife | @crisantosss

segunda-feira 20 de junho | Edição do dia

Imagem: JÚLIO GOMES/LEIAJÁIMAGENS/ESTADÃO CONTEÚDO

Mirtes Renata - uma lutadora incansável, mãe de Miguel Otávio, morto com apenas 5 anos de idade após ser abandonado por Sarí Corte Real - foi surpreendida com uma absurda acusação feita pelo mesmo juiz que julgou o caso Miguel na qual acusam a ela e sua mãe de maus tratos, cárcere privado e racismo contra seu próprio filho. A luta de Mirtes foi tão incansável e forte que obrigou a justiça a condenar Sarí. Mas sendo eles de uma família abastada, membros da elite política local, a justiça tenta com essa acusação arbitrária primeiramente desmoralizar a vitória de Mirtes, e em segundo lugar tenta resguardar mais uma vez a impunidade dos ricos e poderosos.

O caso Miguel havia sido encerrado com pena de 8 anos e 6 meses de prisão para Sarí Corte Real, condenação que só foi possível por causa da luta que Mirtes vem travando, pois sabemos do caráter e de classe da justiça burguesa e que para nós que pertencemos à classe trabalhadora, a justiça não é algo dado e disponível, só é possível arrancá-la com muita luta.

Durante o andamento do processo, houve uma audiência privada na qual nem Mirtes e nem seus advogados estiveram presentes por não terem sido comunicados e onde foram ouvidas testemunhas de Sari a qual denunciamos aqui. É a partir destes testemunhos, obtidos de maneira ilegal, dado por pessoas que dependem financeiramente da família Corte Real/Hecker, que surgem as acusações contra a família de Miguel.

Como se não bastasse a dor de uma família que perdeu seu filho, seu neto… como se não bastasse essa mãe e essa avó terem convivido com uma campanha difamatória onde a estratégia da defesa de Sarí Corte Real foi tentar culpar Miguel por sua própria morte, agora tentam ferir sua família com acusações que surgem nitidamente para tentar intimidar Mirtes em sua luta por justiça.

Desde o Esquerda Diário não paramos de denunciar: a justiça do estado burguês possui um caráter de classe e num país onde a classe trabalhadora é esmagadoramente negra, ela é por consequência, profundamente racista!

Desde nossa perspectiva, não confiamos um milímetro sequer na justiça burguesa e em seu sistema penal, que existe para ser usado contra nossa classe, o exemplo do caso Miguel escancara cada vez mais este caráter.

Acusar de racismo uma mãe que se tornou um símbolo regional na luta contra um episódio de puro racismo que levou à morte de seu filho não é só cruel, é desonesto, típico de uma burguesia decadente e asquerosa que não consegue lidar com uma trabalhadora que não abaixou sua cabeça pra um sistema de poder arquitetado para o benefício dos ricos e poderosos com os quais ela se enfrenta.

Seguiremos em luta por justiça por Miguel e todas as vítimas do racismo e do capitalismo, que matam nossos filhos pelo abandono, pelas mãos da polícia, pela fome, por enchentes e deslizamentos. Miguel segue presente nas nossas lutas hoje e sempre, e repetimos! Mirtes, estamos em luta com você!




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