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RACISMO

Jovens negros sofrem violência racista em bar da Pedra do Sal, no Rio de Janeiro

No último sábado, 5 jovens negros que estavam nas proximidades da Pedra do Sal, na Zona Portuária do Rio de Janeiro e foram covardemente agredidos por seguranças de um bar.

quarta-feira 15 de janeiro| Edição do dia

Segundo o relato dos jovens agredidos, eles tentavam entrar no local para que as meninas do grupo pudessem utilizar o banheiro, mas foram impedidos de entrar no estabelecimento. O tratamento foi diferente em relação a outros jovens, brancos, que também não eram clientes desse estabelecimento, mas ao contrário dos jovens negros podiam transitar livremente naquele espaço.

A história, contada em detalhes por Andrea Bak em suas redes sociais e para o portal “Notícia Preta” conta que os jovens tentaram acessar as dependências de um bar no entorno e que ao entrar foram convidados por outros jovens, todos brancos a irem ao banheiro. No entanto, chegando lá foram surpreendidos pela aspereza e violência verbal do barman e dono do local. Em seguida, eles foram covardemente agredidos por seguranças de um bar. Os jovens tentaram se retirar mas começou-se uma grande confusão, que rapidamente se transformou em uma brutal agressão a três meninas e dois rapazes, todos com idades em torno de 19 e 21 anos.

O desenrolar da história se deu com agressões com barras de ferros dos seguranças e de outras pessoas que estavam no bar, que não sabiam do que se tratava a situação, mas entraram na onda do linchamento. Um camelô que estava no local e tentou defender os jovens também foi agredido. Foi a intervenção do ambulante que pode ter salvado a vida de Andrea, segundo ela relata. Passada a confusão, os jovens foram ao hospital e permaneceram o dia inteiro fazendo exames e curativos. Os jovens esperam denunciar todos os envolvidos ainda esta semana.

Simbolismo do Local

A Pedra do Sal, local que é considerado berço do Samba e que faz parte da chamada Pequena África, símbolo da cultura negra carioca e brasileira. Carrega este nome por alguns locais que trazem como marca visível, nas paisagens e nas lembranças, a luta, a memória e a história do povo negro. Toda aquela região da Zona Portuária, em seus muitos bairros tem destacadamente impresso as marcas negras, a própria Pedra do Sal é considerado e tombado como patrimônio nacional como um Quilombo, um dos primeiros do Brasil.

É absurdo pensar que nem nos locais que carregam o simbólico da resistência negra estejamos ainda reféns deste sistema racista e que não possam circular sem serem agredidos. Nós negros, no capitalismo não estamos isentos de sofrer agressões covardes como as que esses jovens negros sofreram, mas também nossa cultura e nossa historia não está livre de sofrer ataques. O prefeito Crivella, acha que a Pedra não é um bem de todos, um patrimônio da sociedade, muito menos do povo negro, inclusive por vezes tentou acabar com o samba da Pedra do Sal, como denunciamos aqui. Isto infelizmente não é novidade na vida dos negros, mas vemos uma escalada de racismo e violência aos negros nos últimos anos de forma bem expressiva.

A eleição de Bolsonaro, um misógino, racista e LGBTfóbico abertamente declarado e Witzel, outra figura não menos racista, que se orgulha de sua politica de segurança que acaba com a vida de milhares de trabalhadores, e justifica a morte de crianças, como foi o caso da pequena Ágatha, são exemplos, assim como Crivella de políticos burgueses que odeiam os negros. Certamente, o nível da covardia e da brutalidade dessas agressão sofrida por esses jovens ganham ainda mais legitimidade em governos burgueses e racistas como os de Witzel, Crivella e Bolsonaro.

A história do nosso povo é linda. Devemos tomar como exemplo de resistência, os escravos insurretos que resistiram e levaram a criação de locais como este, a Pedra do Sal, para levar a cabo esse sistema de exploração e descriminação. Nós do Quilombo Vermelho repudiamos a violência sofrida por esses jovens negros e todas as tentativas de nos encarcerar e nos assassinar nas favelas!




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