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OPERAÇÃO LAVA-JATO | Jaques Wagner e empreiteiros: Mais um capítulo da novela da corrupção

Mensagens de telefone interceptadas por investigações da Operação Lava-Jato indicaram relações entre o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, com Leo Pinheiro, ex-presidente da empreiteira OAS, um dos condenados por ser parte dos esquemas de corrupção da Petrobrás.

sexta-feira 8 de janeiro de 2016 | 02:36

As mensagens de texto interceptadas apontam relações do empreiteiro da OAS com o ministro Jaques Wagner, membro do PT e ex-governador da Bahia, e também envolvem outros nomes importantes ligados a este partido e que, assim como Wagner, (ainda) não estão envolvidos na Operação, como Fernando Haddad, atual prefeito de São Paulo e o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine.

A declaração de Wagner sobre “estar com sua consciência tranquila por sua atividade política institucional exclusivamente baseada na defesa de interesses do estado da Bahia e do Brasil”, ao revés de uma saída diplomática, pela tangente, por este que é considerado como “um dos mais poderosos do país”, marcou justamente um discurso caricato de mais um político em quem respinga a lama sem fim dos escândalos de corrupção. E essa fotografia que fecha o “mais do mesmo do sistema político", através de novas falcatruas descobertas, onde são tantos os nomes inventados- é “mensalão”, “mensalão tucano”, “Operação Sangue Negro”, “Operação Zelotes”...- que mais parece uma longa novela, sem mocinhos, daquelas bem agitadas e nas quais sempre fica para o próximo capítulo as expectativa com apostas sobre quais os possíveis novos protagonistas a estrelar com habilidade ímpar seu papel.

Dias antes de se aproximar da dramática Operação Lava-Jato, Jaques Wagner também entrou na dança e representou seu papel enquanto grande figura do PT. O petista que trocou agulhada com o presidente da Câmara em defesa de Dilma, denunciando a famosa prática do tapetão de Eduardo Cunha, quando falham suas ameaças, foi também o mesmo a falar em alto e bom som que “o PT se lambuzou com o poder”. Mas, na verdade, esse suposto sinal de oscilação expressa nada menos que o desespero deste partido em não morrer afogado no naufrágio da popularidade de seu governo, esboçando “críticas fingidas” ao governo do qual é o principal pilar.

E não só o PT dança nesse cenário nacional onde a cada dia é elaborado o mosaico da crise política. Também o PMDB encara disputas internas encarniçadas de suas alas, a "pró governo" e a "pró impeachment", para a decisão de quem assumirá a liderança do partido na câmara, enquanto o vice presidente, Michel Temer, termina o ano com uma carta de críticas à Dilma, mas inicia o 2016 com novos votos à presidente, “de relações harmônicas”. Também o PSDB não está por cima da carne seca, a condenação a 20 anos de prisão a seu ex-presidente, Eduardo Azeredo, a também apontada cabeça de Aécio Neves para a berlinda e os “votos da corrupção”de Fernando Henrique Cardoso para o ano novo, são todas cenas de um partido que não convence ninguém para depositar sua confiança.

A indignação de Jaques Wagner com a notícia vazada sobre sua relação com Leo Pinheiro demonstra o cinismo que sela as pecinhas do mosaico da política que engendra o regime apodrecido dessa democracia dos ricos. Estes partidos da ordem buscam a todo custo manter o jogo a seu favor e daqueles para quem se vendem, os grandes capitalistas. Tanto que no plano gêmeo, o econômico, Dilma nem esperou o recesso terminar e já editou a MP das empresas corruptas, para que, entre outros, os empreiteiros que estão metidos nos escândalos de corrupção da Petrobrás possam continuar suas relações de sanguessugas dos recursos públicos sem demora.

Os capítulos da novela se incrementam cada vez mais com ataques reservados à população, onde os atores parasitas se unificam para nublas o futuro da juventude, retirar os empregos e salários dos trabalhadores, além de destruir os direitos dos mais elementares, como o direito à previdência após uma vida de trabalho, humilhação e descaso. Também no terreno da luta de classes o país tem muitos episódios novos, e alentadores: os levantes operários que ascenderam após a juventude ocupar as ruas do país em Junho de 2013 dando a primeira lição de luta e que vencer é possível. E a maré laranja dos garis do Rio de Janeiro aprofundou a resistência dos trabalhadores das montadoras e da educação, movimentando os ânimos mais uma vez da juventude, que desta vez não só foi às ruas, mas se organizou em suas escolas em São Paulo e gora em Goiás, as resignificando e derrotando um desses atores que bradavam como invencível- Alckmin ficou de joelhos. Essa mesma gana está tomando as capitais do país nas lutas contra o aumento da tarifa dos transportes coletivos. E a juventude é mais uma vez linha de frente- Junto aos trabalhadores mostram um caminho em que a força das mobilizações pode trazer uma alternativa a tanta podridão.

A partir da força da mobilização, os jovens e trabalhadores podem colocar em cena uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, num movimento que questione profundamente os privilégios desses políticos, seus salários milionários, seus mandos e desmandos, mas que também possa debater as grandes questões nacionais, acabar com os ajustes que nos assolam, questionar a barbárie do latifúndio e a verdadeira devastação que fazem os países imperialistas com os nossos recursos naturais, com nossa cultura.




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