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CORONAVÍRUS

Itália: Greve geral sob a pandemia: Nossa saúde acima de seus lucros!

A fraude da declaração de Conte a respeito do fechamento de todos os setores “não-essenciais” difundiu ainda mais a preocupação e raiva entre milhões de trabalhadores que estão expostos à infecção por coronavírus. Setores sindicais estão se organizando de forma crescente, organizando e estendendo a resistência à política de “business as usual, negócios como sempre” das industrias. Hoje nós temos a primeira greve geral italiana em tempo de pandemia: lutamos por medidas de segurança e apoio a todos os trabalhadores e as grandes massas que estão pagando pela crise!

quinta-feira 26 de março| Edição do dia

As declarações do Presidente do Conselho Conte nesta noite de sábado e a confusão com a confederação das indústrias e burocracias sindicais que se seguiu levaram milhões de trabalhadores a acreditar que finalmente tinha chegado o fechamento de todas as atividades econômicas não essenciais, só que na realidade a declaração de Conte foi mais uma das enésimas presepadas a favor dos patrões!, típica da política de governo do Movimento 5 Estrelas, com a farsa silenciosa de se portar como amigo dos trabalhadores ao mesmo tempo em que se coloca os industriais acima de todos. Para o Estado e a Indústria, que não desejam abrir mão de lucros essenciais como o da indústria aeroespacial, bélica ou da metalúrgica, o essencial para eles é garantir o funcionamento desse sistema de produção, da exploração dos trabalhadores nos setores que mais geram lucros e garantir níveis adequados de segurança para os patrões.

Para os sindicatos confederados (CGIL-CSL-UIL), até hoje era essencial por um freio em todas as iniciativas espontâneas de greve pelo país: de Pomigliano ao triângulo industrial da Padânia, há mais de uma semana os trabalhadores metalúrgicos, aeroespaciais, siderúrgicos e têxteis se levantam, alguns mais radicalmente outros menos, com greves espontâneas ou com denunciais aos jornais contra a lógica do lucro e contra a não aplicação das regras de segurança neste grave período de emergência nacional e internacional. Mesmo assim até os confederados tiveram que deixar a moderação. Nos dias 23 e 24 de março, na onda da greve geral convocada pelo sindicato de base USB para o dia 25 de março nos setores público e privado, os confederados foram empurrados contra o muro pelos seus trabalhadores: se por um lado os pressionados por baixo pelos trabalhadores pela convocação de uma greve se esquivavam com suas muitas declarações extenuantes e retóricas dos burocratas sindicais que continuam a negociar com o governo, a última declaração do governo e das industrias aumentaram a raiva e a vontade pela greve.

Nesse ponto os confederados se renderam. Como lemos em uma declaração conjunta emitida pelos secretários de Fim-Cisl, Fiom-Cgil e Uilm-Uil:

Estamos comprometidos em todos os níveis a colocar em prática iniciativas
conjuntas de mobilização úteis para a construção de acordos e, quando não for
possível, proclamar iniciativas de greve para reportar a definição de atividades
indispensáveis e garantir a máxima segurança nos locais de trabalho a partir de 25
de março.

Uma declaração que, no entanto, não esconde o desejo de chegar a acordos com o governo, sobre o suor e a saúde dos trabalhadores, sobretudo se considerarmos que o governo largou a possibilidade de adequar as empresas com relação aos equipamentos de segurança entre 23 e 25 de março – e é exatamente neste ponto que os confederados estariam dispostos a se comprometer com seus “parceiros sociais” e com as industrias, a fim de evitar uma declaração unitária de uma greve geral.

Na noite do dia 24, o governo declarou, então, que tomando nota das intenções dos trabalhadores e ouvindo os confederados, as medidas repressivas seriam ampliadas a partir do dia 25, onde, além do aumento das multas para quem se encontrasse fora da quarentena doméstica, as ações de greve em setores produtivos que o estado considera essenciais teriam sido imediatamente aniquiladas: “é claro que devemos supervisionar as atividades consideradas essenciais para uma máquina estatal que já está marchando em ritmo reduzido”, disse Conte em uma live no Facebook ontem a noite, aludindo ao estado de alarme no qual o governo mantém a força da ordem como um punho de ferro contra a classe operária.

Em resumo, temos em um lado o governo que coloca em risco a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, deixando abertas atividades de produção de importância nacional para os lucros dos patrões; em outro lado temos a confederação das indústrias que segue pressionando para que toda a categoria metalúrgica e siderúrgica continue funcionando, apesar dos contágios e vítimas da pandemia de COVID-19; no meio temos os trabalhadores sem nenhuma garantia de proteção ao contágio – inúmeros trabalhadores já estão positivos com o vírus em toda a Itália – e obrigados a produzir bens e lucros para o estado e os patrões.

Para os trabalhadores, por outro lado, é essencial tudo o que ocorre para o funcionamento da saúde pública, funcionamento do setor agroalimentar e o transporte público para os trabalhadores desses setores, desde que sejam todos em condições seguras e com equipamentos de proteção individual adequado.

O Estado e a confederação das indústrias possuem outros interesses quando falam em “essencial”

A saúde coletiva não será mais protegida por leis que obrigam parte da população em quarentena domiciliar e a outra parte nas fábricas a produzir sem qualquer distanciamento social nas linhas de montagem. Isso não é garantir a saúde, é garantir o contágio e a exploração. Essa quarentena é uma farsa!

Como Fração Internacionalista Revolucionária (Frazione Internazionalista Rivoluzionaria), apoiamos e lançamos qualquer iniciativa de luta dos trabalhadores em andamento, assim como a greve geral de hoje para continuar indefinidamente e se converter em uma grande frente única dos tralhadores e trabalhadoras.

Que juntemos as lutas separadas em uma única e grande Greve Geral, capaz de minar toda a lógica de lucro do estado, industrias e burocracia confederada. Que em cada loja e em cada fábrica ocorram comitês de higiene e segurança compostos pelos trabalhadores , que decidam por si o que é realmente essencial para produzir, que de fato dirijam a atividade econômica!

GREVE GERAL!




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