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OPINIÃO | Israel usa COVID para crimes contra palestinos

Simone IshibashiRio de Janeiro

segunda-feira 25 de janeiro | Edição do dia

O Estado de Israel tem se destacado em meio à crise pandêmica, e à era da geopolítica da vacina, como um dos que mais vacinou a sua população até o momento. Até o dia 13 de janeiro Israel havia vacinado 2 milhões de pessoas, e foi autorizada a compra de mais 6 milhões de doses do imunizante da Moderna, o que cobre uma boa parcela da sua população estimada em pouco mais de 9 milhões. O premiê Benjamin Netanyahu, em plena campanha para as eleições legislativas em 23 de março, pagou também à Pfizer um valor mais elevado pelo imunizante para que o acesso fosse mais rápido.

Com isso espera garantir seu posto nas eleições, diminuindo os impactos do seu julgamento por escândalos recorrentes de corrupção, que deve correr em breve. Entretanto, essa rápida resposta à crise sanitária não impediu que nesse terreno a criminosa política histórica de Israel em relação aos palestinos também se expressasse.

É relevante ressaltar que mesmo em meio à crise da pandemia, Israel seguiu mantendo o assassino cerco à Faixa de Gaza, impedindo que assistência médica e humanitária chegue para a sua população.

Lembremos um antecedente recente em que Israel bombardeou novamente a Faixa de Gaza em pleno Natal no ano de 2020, visando supostas instalações do Hamas e ferindo civis. Isso se deu em um contexto em que havia rumores de que um acordo entre o Hamas e a cúpula governante de Israel estariam negociando a permissão da entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, que continuou sob cerco israelense em meio à pandemia.

Agora em relação à crise da pandemia, que aprofunda ainda mais os sofrimentos do povo palestino, Israel demonstra que a forma como lida com esse tema é uma continuidade da sua política assassina e colonialista contra os palestinos. Já em dezembro de 2020 Israel havia esta, que é divulgada como a maior campanha de vacinação da sua história, mas havia declarado que deixaria de fora milhões de palestinos que vivem sob controle de Israel. De acordo com dados da OMS mais de 160 mil palestinos no território ocupado por Israel haviam estado positivo para o coronavírus, enquanto mais de 1700 haviam falecido pela doença.

O ministro da Saúde israelense, Yuli Edelstein defendeu publicamente em 24 de janeiro que a prioridade da vacinação são os israelenses, deixando de fora os palestinos. A absurda e assassina defesa feita pelo ministro da Saúde israelense em deixar de fora vacinação os palestinos dos territórios ocupados é de eles “não pagam impostos”. Igualmente, o ministro israelense de Segurança Pública, Amir Ohana sugeriu que os detentos palestinos, presos em grande parte por combaterem a ocupação israelense ou simplesmente por serem vistos como uma ameaça, ficariam de fora da vacinação. São 4.400 detentos palestinos nas prisões israelenses, dentre os quais oficialmente 250 contraíram Covid.

Após uma enorme repercussão internacional as autoridades penitenciárias israelenses declararam ter vacinado 20 detentos palestinos. A irrisória vacinação dos palestinos feita até o momento mostra que essa tem como objetivo apenas diminuir as críticas. Está claro que se depender da cúpula governamental de Israel os palestinos seguirão sendo alvo de ataques e mortes, senão pelos bombardeios agora pelo coronavírus.

Contrastando a situação dos palestinos, os colonos israelenses estão tendo acesso às vacinas sem qualquer problema. Por “colonos” se designam os israelenses que ocuparam as terras palestinas da Cisjordânia a partir de 1967, com a derrota dos árabes na Guerra dos Seis Dias. A orientação de ampliar a extensão das ocupações dos colonos é a chave da estratégia colonialista e expansionista do Estado de Israel. Estima-se que atualmente existam cerca de 440 mil colonos, muitos deles ultranacionalistas e anti-palestinos, e a linha adotada pelo Knesset (parlamento israelense) é a ampliação das colônias sobre o território palestino.

A história que marca a fundação do Estado de Israel como um enclave financiado pelo imperialismo estadunidense na estratégica região do Oriente Médio é escrita com sangue do povo palestino. Trata-se de uma das maiores violências da história recente.

A negação do direito à autodeterminação do povo palestino, expulso de sua própria terra após a votação na ONU que deu origem ao Estado de Israel em 1948. O Estado sionista formou-se em base à ocupação colonial, dando início à escalada de expulsão e repressão dos palestinos. Utilizando-se do horror gerado pela política de extermínio aos judeus na Segunda Guerra Mundial, o imperialismo cria no Oriente Médio o enclave que hoje conhecemos como Israel. Desse modo, o imperialismo resolveu a questão da aspiração judaica à “sua maneira”: de minoria oprimida a transformou em uma maioria opressora na Palestina, responsável pela expropriação das terras, dezenas de milhares de presos políticos, milhões de palestinos exilados e incontáveis mortos.

Desde sua formação o Estado de Israel tenta vender a imagem de que seria uma “democracia moderna”, “gay friendly” e aberta à diversidade. Trata-se de uma operação ideológica para justificar sua existência, em contraste ao estereótipo imposto ao povo árabe como “fundamentalistas” e “autoritários”, que tanto foi propagado pelo imperialismo nos anos 1990 para justificar a agenda de guerra ao terror. Mas agora, diante da crise sanitária colocada pela Covid-19 uma nova uma faceta da decadente burguesia sionista vem à tona, demonstrando sua real natureza racista e colonialista. Mais que nunca a causa palestina precisa ser apoiada internacionalmente.




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