Educação

INTERVENÇÃO BOLSONARISTA NA UFRGS

Intervenção na UFRGS: Em ato autoritário, Bulhões encerra CONSUN sem encaminhar votação

Na última sexta-feira (16) ocorreu a primeira reunião do CONSUN após a posse do interventor Carlos André Bulhões, uma reunião auto convocada pelos próprios conselheiros, na qual Bulhões já esbanjou autoritarismo.

Giovana P.

Coordenadora Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

quarta-feira 21 de outubro| Edição do dia

A reunião que havia sido convocada pelos Conselheiros para a primeira semana de outubro foi adiada a mando de Bulhões para dia 16, sexta-feira passada. Essa reunião havia como pauta a reorganização administrativa da Universidade, por conta das medidas efetivadas pelo interventor sobre as pró-reitorias, onde excluiu algumas, unificou outras e alterou as chefias sem debate aberto com outras instâncias da UFRGS.

Conforme relatado pelos conselheiros, o parecer enviado por eles sequer foi colocado como pauta e lido em sessão. Ao invés disso, Bulhões iniciou a reunião lendo uma carta em que justificava sua legitimidade enquanto reitor, já que há amplo rechaço de todos setores da UFRGS à sua chapa.

Por parte dos conselheiros, houveram manifestações deslegitimando a atual reitoria por terem ficado em último lugar na consulta feita à comunidade acadêmica e mesmo assim nomeados. Colocaram em debate também o grave ataque que representa a reforma administrativa, a péssima situação dos estudantes com o ERE, que está resultando em exclusão e evasão, a falta de assistência estudantil e a suspensão do chamamento da lista de espera do vestibular.

Os conselheiros estavam exigindo a votação de duas demandas:

1. Envio do parecer dos conselheiros e de documento base sobre a reestruturação da universidade até terça-feira (hoje 20/10), a ser avaliado pelos(as) conselheiros(as) em tempo do próximo CONSUN (marcado para dia 23/10).
2. Suspensão e reversão de todo o processo de reestruturação da universidade até que o CONSUN tenha a oportunidade de discutir e deliberar sobre, com apresentação de um plano de gestão por parte da nova reitoria.

Contudo, o interventor Bulhões autoritariamente se negou a fazer a votação destas pautas. E mesmo após os conselheiros terem exigido o encaminhamento da votação, Bulhões decidiu suspender a sessão e a chamada de vídeo foi encerrada abruptamente, impedindo que o debate continuasse.

O CONSUN já é um órgão altamente antidemocrático por não permitir que os estudantes nem os terceirizados possam decidir sobre os rumos da universidade, já que o peso de professores e inclusive representantes de empresas é muito maior lá dentro, sendo que os terceirizados sequer representantes possuem. Com Bulhões na reitoria, em pouco tempo, já vemos um aprofundamento do caráter autoritário do atual regime universitário, que cada vez se distancia mais daqueles que realmente fazem a UFRGS funcionar: os estudantes e os trabalhadores, tanto efetivos quanto terceirizados.

Por isso, para lutar contra o autoritarismo de Bulhões, escolhido a dedo pelo reacionário Bolsonaro para aprofundar o projeto de privatização, elitização e patrulhamento ideológico no ensino público, é preciso unificar estudantes e trabalhadores na luta pela mais ampla democracia dentro da UFRGS.

Isso significa batalhar por uma nova estatuinte livre e soberana, onde todas as decisões tenham que passar pelo voto universal, ou seja, um voto por cabeça de todos os setores, onde os trabalhadores terceirizados também possam votar. Nessa estatuinte poderíamos acabar com todos os resquícios da ditadura militar que ainda restam no estatuto universitário, como o mecanismo da lista tríplice, que permitiu Bolsonaro nomear Bulhões como reitor. Em um processo assim também poderíamos acabar com a terceirização dentro da UFRGS, que explora e precariza a vida principalmente de mulheres negras, e batalhar por uma gestão onde todos os setores da comunidade acadêmica sejam representados de acordo com o seu peso real, o que democratizaria as decisões na universidade, tirando o poder de decisão unicamente dos representantes de empresa e professores que acumulam cargos dentro do CONSUN e decidem nosso futuro de acordo com seus próprios interesses.

É esse projeto de profunda democratização que a Juventude Faísca vem defendendo em todos os cursos e Centros Acadêmicos que está presente na UFRGS, no CADi e no CATC. Defendemos a auto-organização dos estudantes aliados aos trabalhadores para derrotar os planos de Bulhões, Bibo Nunes e Bolsonaro, sem depositar nenhuma confiança no CONSUN, que é parte de sustentar o regime antidemocrático atual mantendo o poder concentrado em uma casta burocrática.

Veja o posicionamento da Juventude Faísca sobre a situação da UFRGS e qual o caminho da nossa luta.




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