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Escassez de insumos na Indústria pode levar a mais demissões em prol dos lucros patronais

Pressionada pelo mercado externo e pelos efeitos da pandemia, a indústria nacional está com escassez de insumos vindos da indústria de celulose, metal e também alimentícias, o que acarreta uma diminuição da produção em relação à demanda. Com isso, para não afetar seus lucros, a burguesia nacional pode aumentar ainda mais as já massivas demissões e os ataques aos direitos dos trabalhadores.

sexta-feira 23 de outubro| Edição do dia

Foto: brasil.elpais

Com a pandemia e as medidas de isolamentos social, a demanda no mercado diminuiu, fazendo indústrias suspenderem ou diminuírem suas atividades. Agora, com a volta do aquecimento da economia e o aumento do consumo, a indústria nacional encontra dificuldades em atender às novas demandas. Com o aumento acelerado da demanda por causa da flexibilização do isolamento social, o mercado sofre pressões de aumento de preço dos produtos pela sua baixa disponibilidade e, com isso, os empresários preveem medidas para não diminuir muito os seus lucros, descarregando os impactos desse câmbio nas costas dos trabalhadores.

Dentre essas medidas para proteger o lucro dos empresários estão: demissão de funcionários, redução de custos “gerais” da produção e repasse total ou parcial dos custos para o produto e serviços finais, o que implica no aumento dos preços para o consumidor final.

Essas medidas demonstram a lógica do capital, em que, no momento em que a troca é, em algum aspecto, desfavorável para o capitalista, quem paga o preço são os trabalhadores, por meio de redução de postos de trabalho, redução de salários e redução do poder aquisitivo pelo aumento dos preços dos produtos sem aumento nos salários. Essa lógica, sempre desfavorável para o trabalhador, é essencial para que os capitalistas empresários sigam mantendo ou aumentando a sua margem de lucro às custas da exploração da força de trabalho humana e às custas da natureza, ambas cada vez mais degradadas.

Também, indo no sentido de degradar as condições de vida do trabalhador, o que está intimamente ligado com as demissões na indústrias é o corte nos direitos trabalhistas representados pela MP 936 de Bolsonaro e Guedes. Isso expõe a lógica de acumulação do capitalista que coloca os trabalhadores sob piores condições de trabalho, com o próprio Estado atacando os direitos trabalhistas de forma constitucional. Essa medida impactou a vida de milhares de brasileiros nessa pandemia, permitindo a suspensão dos direitos trabalhistas, reduções ou suspensões de jornadas com reduções salariais - pois quem ficava responsável pelo pagamento do salário desses trabalhadores era o Ministério da Economia que, por meio de um cálculo em cima dos últimos salários do trabalhador, os pagava um menor valor. Por vezes, quando não ocorria a própria demissão, a redução de jornada sequer acontecia na prática, ficando alguns trabalhadores expostos a uma jornada maior e com redução de salário.

Nesse sentido, a indústria nacional é extremamente importante para a geração de empregos no Brasil. Já que há uma grande demanda por alguns produtos, isso deveria significar mais empregos e aumento da produção, pois há maior necessidade de empregar mais força de trabalho para produzir mais. No entanto, isso não acontece porque afetaria diretamente o lucro do capitalista, pois a geração de novos postos de trabalho num momento em que as matérias primas têm um aumento nos preços, gerariam um aumento de custos que implicariam na diminuição do lucro do capitalista. Além disso, o problema dos insumos deveria ser sanado a partir de um aumento da produção e da importação de matérias primas, o que é impedido de novamente devido à lógica de acumulação do capital, em que a burguesia nacional e a internacional preferem aumentar os preços dos insumos mantendo sua produção baixa e poucos postos de trabalho para protegerem seus lucros.




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