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TRABALHO BUROCRÁTICO | Indignação com trabalho burocrático e apagões do diário digital vira memes entre educadores

Desde que retornaram de forma insegura ao trabalho presencial nas escolas, mas sem deixar de lado o trabalho remoto, os professores estaduais de São Paulo tem ficado bastante indignados com a quantidade de trabalho meramente burocrático que estão submetidos. E para piorar desde a semana passada o sistema virtual de registro das atividades escolares, a SED – Secretaria Escolar Digital – apresenta inúmeros problemas de funcionamento. “É tudo um suplício!”

sábado 1º de maio | Edição do dia

Desde que retornaram de forma insegura ao trabalho presencial nas escolas, mas sem deixar de lado o trabalho remoto - o tal do Ensino Híbrido que o secretário de educação Rossieli disse que veio para ficar -, os professores estaduais de São Paulo tem ficado bastante indignados com a quantidade de trabalho meramente burocrático que estão submetidos. Mas além de todo esse trabalho, muitas vezes sem sentido, os professores têm enfrentado um desafio a mais. Desde semana passada o sistema virtual de registro das atividades escolares, a SED – Secretaria Escolar Digital – apresenta inúmeros problemas de funcionamento. Como relatam os professores o site não funciona, não entra a página para digitar nota, a frequência dos alunos, registrar as aulas, “é tudo um suplício!”.

Esses problemas têm levado os professores a ficar muito além de sua jornada de trabalho para tentar garantir que seu trabalho pedagógico fique registrado. Tem professor virando a madrugada para conseguir terminar o trabalho. Os próprios alunos estão tendo problemas já que é através da SED que os alunos pegam os boletins com suas notas e frequência. Que inclusive são fundamentais para solicitar benefícios do governo, regularizar pendencias de matrícula etc. As provas diagnósticas também estão prejudicadas. Os alunos estão se esforçando para conseguir concluir, mas poucos conseguem. Infelizmente já são poucos os alunos que têm condições de acessar as plataformas digitais de suas casas e os que conseguem acabam sendo impedidos de realizar as provas por incompetência técnica da Secretaria de Educação.




Mas essa não é uma situação nova no cotidiano dos professores. Mesmo antes da pandemia, em que tudo ficou digital, todo final de bimestre era a mesma coisa. O sistema começa a ficar congestionado pelo grande número de acessos de professores, algo que é totalmente esperado nesse momento de fechamento de notas e registros. Porém a infraestrutura do sistema é totalmente precária. O fato dessa situação não só ter persistido, mas ainda se agravado durante a pandemia expõe mais uma vez o descaso do governo com a educação de nossos alunos e com as condições e respeito à jornada de trabalho dos professores. Importante dizer que o governo sempre propagandeou que a migração para o ambiente digital dos famosos diários de classe significaria mais praticidade para os professores e consequentemente redução do tempo gasto com trabalho burocrático. Mas o que se vê é o oposto disso. Mais tempo com trabalho burocrático, menos tempo para outras atividades como formação pedagógica. Além disso, mais controle sobre o trabalho docente.

Mas os professores não têm deixado de denunciar com bastante indignação nas redes a angústia e o sofrimento de horas a fio na frente das telas. Inclusive têm expressado suas dificuldades de forma bastante criativa e bem-humorada através de memes ridicularizando toda a situação e toda a falácia demagógica do discurso do governo. Uma mostra de que entre os professores existe sim um sentimento de raiva contra o governo, uma indignação sobre a situação da educação pública e de suas condições de trabalho. Sentimentos que, junto com a indignação contra o retorno inseguro das atividades presenciais nas escolas, poderiam ser canalizados para luta organizada da categoria, se as direções dos sindicatos, como da APEOESP dirigida pelo PT, tivessem interesse em cumprir esse papel. Mas parece mesmo que essas direções seguem a mesma linha das grandes centrais sindicais como CUT (dirigida pelo PT) e CTB (dirigida pelo PCdoB) que preferem nos fazer esperar até as eleições de 2022. Como se nossos direitos e nossas vidas pudessem esperar até lá.

Veja mais: Com recorde de desemprego e fome, as centrais sindicais esperam 2022: é preciso organizar a luta agora

Os problemas da Secretaria Escolar Digital (SED) se somam aos problemas do precário e excludente ensino remoto que o governo de São Paulo submete os professores e oferece aos alunos. Excludente, pois sabemos que desde o início da pandemia não foram dadas condições de acesso aos alunos ou de trabalho aos professores como equipamentos e internet de qualidade e gratuita. Além disso o Estado ainda impôs uma série de videoaulas preparadas pelo estado, mas que, como muitos professores afirmam, não possuem profundidade pedagógica nenhuma, quando não estão completamente desligados dos conteúdos e temas que os professores estariam tratando com seus alunos.

Os escandalosos problemas da educação pública que se tornaram mais evidentes com a imposição do retorno presencial inseguro como escolas sem quadro de funcionários suficiente (professores ou apoio), escolas com seríssimos problemas de infraestrutura, com problemas de falta de água etc., são irmãos dos problemas que vemos agora com o ensino remoto. Infelizmente isso não é de se estranhar já que são frutos de uma mesma política de precarização e sucateamento da educação pública que assistimos há anos, implementadas pelos sucessivos governos tucanos no estado de São Paulo. Porém sabemos que é um quadro comum em todo país, que jamais foi revertido inclusive nos anos de governo do PT, e que Bolsonaro deixou claro, desde o início de seu governo, que seguiria pintando.




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