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CORONAVÍRUS: USP

Hospital da USP raciona máscaras colocando os trabalhadores em risco iminente

Em memorando interno do Hospital Universitário da USP, o HU, direcionado à todas as clínicas, a chefia geral orienta sobre a distribuição das máscaras cirúrgicas: Somente uma por dia e só para aqueles em contato direto com pacientes.

quinta-feira 9 de abril| Edição do dia

Em plena pandemia do novo coronavírus, onde os números de contaminados e mortos cresce vertiginosamente, especialmente na cidade de São Paulo, muitos profissionais da saúde sofrem com a precarização do trabalho. No Hospital Universitário da USP a situação não é diferente. Desde o início os funcionários têm denunciado a falta de EPIs, como racionamento de álcool gel, falta de máscaras e roupas privativas. Passadas quase três semanas das primeiras denúncias a situação só tem se agravado.

O superintendente do HU, prof. Paulo Ramos Margarido, soltou recentemente um comunicado dizendo que o hospital estava livre da COVID-19, pois passaria a receber outras especialidades enquanto o HC e o Hospital Sara receberiam os doentes por coronavírus. O que o superintendente parece desconhecer é que numa pandemia, onde não se sabe quem está ou não contaminado, pois o governo se recusa a testar a população, não é possível afirmar que o hospital estará livre da covid-19. E nesse sentido, qualquer relaxamento no uso dos EPIs é no mínimo irresponsável, para não dizer criminoso.

Além disso, as máscaras cirúrgicas não são as mais adequadas para casos de exposição à aerossóis, como é o caso da disseminação do novo coronavírus. O ideal são as máscaras NR95. A troca das máscaras também deve ser mais regular, uma vez que a respiração umedece a máscara. Num hospital, onde a circulação de doentes é intensa e portanto, a circulação do vírus é maior, é urgente proteger os profissionais da saúde. O número de doentes entre esses trabalhadores só cresce. Só no HU pelo menos 7 trabalhadores estão contaminados e uma dezena aguarda o resultado dos testes.

A USP e a direção do Hospital Universitário precisam garantir EPIs adequados e em quantidade suficiente para todos os trabalhadores do HU, efetivos e terceirizados, que tenham ou não contato com pacientes. Além disso, é urgente a liberação dos funcionários do grupo de risco, aqueles com mais de 60 anos ou que tenham alguma comorbidade que possa agravar o quadro de saúde se contaminados. É preciso contratações emergenciais já para que o hospital funcione em sua plena capacidade.

Aqueles que estão na linha de frente do combate à pandemia não podem pagar com suas vidas o preço da precarização e do desmonte da saúde.

O Esquerda Diário tem acompanhado as denúncias referentes a situação do Hospital Universitário e da saúde em meio a pandemia. Mande suas denúncias para o Esquerda Diário pelo email [email protected] ou mande mensagem de texto, áudio, vídeo pelo whatsapp 11 97750-9596.




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