Internacional

Hipócritas e demagogos: Villas Boas fala de soberania e Macron de ecologia

O ex-comandante das Forças Armadas, Villas Bôas, pronunciou-se em seu twitter sobre os incêndios que se alastram na Amazônia. Como já se habituou a fazer em outros momentos de crise, se posicionou em defesa de Bolsonaro e também de seu (falso) ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, contra a demagogia francesa diante da destruição da Amazônia.

sexta-feira 23 de agosto| Edição do dia

O General já é bem conhecido por intervir em momentos de tensão política através de tweets. Foi fundamental na consolidação do golpe institucional, intervindo autoritariamente à favor da prisão de Lula, junto ao STF de Toffoli, para o impedimento da candidatura presidencial, abrindo espaço para a ascensão de Bolsonaro.

Desta vez, Villas Bôas fez demagogia com a soberania nacional, chegando a cogitar uma intervenção militar do franceses, o que não exclui os interesses imperialistas dos franceses pela Amazônia.

Villas Bôas usa de uma hipocrisia gritante ao criticar o passado da política militar-atômica francesa que vitimou um povoado da polinésia com altos índices de radiação e casos de câncer, como o próprio relatou através de tweets. Nem parece que as Forças Armadas do Brasil dirigiram uma sangrenta ocupação militar no Haiti, denunciada diversos escândalos, desde casos de abuso de autoridade até estupros.

Quando se trata da entreguista operação Lava-Jato, que enfraquece setores econômicos estratégicos do país e destruiu programas de desenvolvimento atômico e tecnológico nas áreas de extração de petróleo por navios-sondas, Villas Bôas não fala de ameaça da soberania nacional, ao contrário, apóia a operação de Moro e Dallagnol, do mesmo jeito que ela é apoiada pelo Estado norte - americano.

Villas Bôas usa do mesmo discurso em defesa da “soberania” de Bolsonaro apenas quando convém. Uma hipocrisia para quem se coloca como vassalo do imperialismo americano, e que no mesmo dia em que fala isso anuncia a privatização de 17 estatais. Bolsonaro afirma que seu governo não se dobra às imposições dos países da UE para “demarcar terras indígenas” e aceitar a presença de ONGs estrangeiras.

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Contudo, Macron também está pouco interessado em proteger os recursos naturais brasileiros, pelo contrário, deseja explorá-los à sua maneira. A União Européia, de fato, tenta utilizar dessa crise ambiental, tão motivada pelo governo Bolsonaro, para defender seus interesses econômicos no país. Uma das quatro traders que dominam o agronegócio brasileiro é francesa, a outra holandesa e duas norte-americanas. Essas empresas imperialistas comercializam sementes produzidas por empresas de capital europeu, como a alemãs BayerCropScience que adquiriu a francesa Monsanto.

É necessário impor a imediata suspensão de todos repasses financeiros bilionários do plano Safra aos latifundiários e sua imediata aplicação em planos de combate ao incêndio, reflorestamento e gestão das florestas. Frente aos bilhões de dólares exportados anualmente em soja, milho e carne às custas de devastação ambiental e humana, é preciso levantar uma campanha pela estatização, sob controle dos trabalhadores do campo, sem indenização de todas traders imperialistas, seja da U.E ou dos EUA, e seus bilionários recursos financeiros, logísticos e tecnológicos.

Esses recursos sob controle dos trabalhadores permitiriam criar institutos de pesquisa junto de cientistas e populações da região para concretizar novas relações entre os seres humanos e destes com a natureza.




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