Teoria

GUERRA VIETNÃ

Há 40 anos da derrota militar do imperialismo ianque

terça-feira 12 de maio de 2015| Edição do dia

Como imperialismo hegemônico desde a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos haviam sido derrotados militarmente. Demonstrou-se que seu poder não era invencível. As manifestações de apoio ao Vietnã desenvolveram-se especialmente no movimento da juventude e antirracista nos EUA. Também houve fortes protestos na França e na Alemanha. A tendência era a unidade dos oprimidos com os trabalhadores e estudantes da nação opressora imperialista. O maio francês de 1968 irrompeu quando o governo reprimiu uma manifestação pró Vietnã. Em 1968 também o povo checoslovaco se levantou contra a burocracia stalinista que dominava o país. Estavam sendo questionados os acordos feitos entre os EUA, a Grã-Bretanha e a URSS stalinista em Yalta e em Potsdam antes do fim da guerra, quando o mundo foi dividido em zonas de influência.

Três lutas de libertação triunfantes

Indochina, o antigo Vietnã, era uma colônia francesa desde 1859. Em 1930, com uma industrialização relativa do país (essencialmente camponês), o povo lutou contra o imperialismo francês. Na Segunda Guerra Mundial, a França "aliada", sob o domínio dos nazistas, a burguesia nativa e seu exército coexistiram durante cinco anos no governo do Vietnã junto ao imperialismo japonês. Ho Chi Minh, do Partido Comunista da Indochina, começou a crescer entre os camponeses. Desde a sua criação o PCI seguiu a política do stalinismo russo, passando do ultra-esquerdismo à colaboração de classes em 1935.

Na Indochina, a derrota japonesa em 1945 produziu uma insurreição de massas, com o estabelecimento de comitês populares e sindicatos, revoltas camponesas, milícias armadas e manifestações massivas em Saigon. Essa foi a primeira vitória, uma insurreição de massas contra o imperialismo francês. Os japoneses tentaram "atrasar" sua retirada, mas criou-se um vácuo de poder que foi ocupado por Ho Chi Minh.

O imperialismo britânico ajudou a França a reocupar a Indochina. Com a ajuda do PCI (que se transformou em Viet Minh) e seu líder Ho, formou-se um governo de colaboração de classes que se juntou a nova União Francesa. O custo desta política foi pago pelo povo indochino, o qual teve que iniciar uma nova guerra de libertação em 1946, que se desenvolveu em uma guerra de guerrilha com milhares de mortos. Em 1949, Mao triunfou na China. O Vietnã foi dividido em uma região comunista e outra capitalista em 1953. Em 1951, o general Giap foi derrotado com o uso de napalm pela França.

Apenas em 1954 o Viet Minh impulsionou a reforma agrária, deflagrando as forças do campesinato e fortalecendo o exército guerrilheiro. Também foram mobilizados 100 mil trabalhadores para Dien Bien Phu. Nguyen Giap, o ministro do interior do governo de Ho e futuro general na guerra contra os EUA, dirigiu as manobras militares, cercando os franceses e construindo uma estrada através de 150 quilômetros de selva para levar 24 canhões fornecidos pelos China. As tropas fizeram esconderijos nas áreas elevadas do vale e, escondidos ali, bombardearam a base militar francesa. Em seguida eles cavaram túneis, os quais os transformaram em um inimigo invisível, capaz de atacar a qualquer momento e em qualquer lugar. Giap, considerado um grande estrategista, não teria conseguido esta vitória sem a força moral do povo por sua libertação. Essa derrota da França, a segunda, foi total. Apesar disso, o Partido Comunista na França apoiava o "seu" imperialismo contra o povo indochino. Os grupos trotskistas, ao contrário, tanto na Indochina como na França, lutavam pela libertação da colônia.

Em Genebra foram realizados acordos declarando um armistício e a divisão da Federação Indochina. O Vietnã foi dividido em dois: a República Democrática do Vietnã do Norte nas mãos do Viet Minh e o Vietnã do Sul que permaneceu sob o domínio francês e governado por um imperador. Dois anos depois, iriam ser realizadas eleições para reunificar as duas zonas, mas os EUA, que não assinaram os acordos de Genebra, temiam uma reunificação comunista. Começou, então, uma nova guerra em 1959 entre a Frente de Libertação Nacional, ou Viet Cong e o exército do Vietnã do Norte contra a ofensiva estadunidense. O incidente no Golfo Tonkin foi utilizado pelo presidente estadunidense Lyndon Johnson para que o Congresso votasse pela intervenção maciça no Vietnã.

Em 1968, na chamada Ofensiva do Tet, os vietnamitas sofreram uma nova e pesada derrota. No entanto, apesar da inegável superioridade militar dos EUA, apesar das migalhas de apoio que lhes deram a China e a União Soviética, apesar de sua direção não ser revolucionária, os vietnamitas derrotaram os EUA militar e politicamente. Já nos acordos de paz de Paris, em 1973, os EUA admitiram sua derrota, reconhecendo a independência do Vietnã. A despeito de sua retirada, os estadunidenses apenas reconhecerem sua derrota total em 1975. O maior custo foi pago pelos vietnamitas: 3 milhões de mortos contra 58 mil (e cerca de 300 mil feridos, mutilados e vítimas de suicídio) do Exército dos EUA. Ainda hoje existem pessoas que nascem com deformidades físicas resultantes das armas químicas lançadas pelos estadunidenses sobre a população. Mas seu poderio militar não pôde vencer a moral do povo vietnamita e as manifestações contra a guerra, principalmente nos EUA, as quais aumentaram com a chegada dos soldados mortos.

Enormes triunfos que poderiam dar um golpe mortal ao imperialismo

Apesar dos terríveis sacrifícios e, acima de tudo, da vitória sobre os ianques, não houve o impacto mundial necessário para derrotar o capitalismo como sistema. O Vietnã conseguiu se firmar como um Estado operário depois de 1975. Mas para conseguir sua libertação, a reforma agrária e a reunificação, o povo vietnamita teve de lutar durante 45 anos. As condições eram muito favoráveis logo após o ascenso de 1968. No entanto, o que impediu esse desenvolvimento foi a política do stalinismo, do maoísmo e do "Tio Ho". Todos eles colocaram os trabalhadores e o povo por trás de blocos de colaboração de classes. Uma concepção contrária à independência de classes e à estratégia revolucionária que Lênin e Trotsky aplicaram durante a Revolução Russa. O Exército Vermelho dirigido por Trotsky conseguiu derrotar 14 exércitos imperialistas em três anos (apesar da situação calamitosa da população).

O stalinismo, que também saiu como vencedor na Segunda Guerra Mundial, utilizou-se desse prestígio para dividir esferas de influência com o imperialismo. Então veio a chamada "Guerra Fria" entre os EUA e a URSS. O imperialismo aproveitou esta política que ajudou a desviar a revolução portuguesa de 1974. Na América Latina, os EUA começaram a promover golpes ditatoriais contra o ascenso operário e estudantil que simpatizava amplamente com Cuba e com o Vietnã. A política stalinista de "construir o socialismo num só país" impediu que tal triunfo estivesse a serviço da revolução mundial. Como previu Trotsky, se não fossem realizadas revoluções contra as casta burocráticas que dirigiam esses Estados, estes retrocederiam, de uma forma ou de outra, à restauração do capitalismo. Infelizmente hoje o Vietnã segue o caminho da China, com sua restauração capitalista sob a liderança do Partido Comunista.




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