Sociedade

PRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS

Guedes afirma que se fosse presidente da Petrobrás demitiria grevistas que lutam contra privatização

Paulo Guedes não conseguiu conter a boca e admitiu qual o seu verdadeiro desejo em relação Petrobras, entregar a estatal para a iniciativa privada e demitir todos os trabalhadores. Guedes ainda afirmou que: "Petroleiros deveriam estar celebrando a recuperação financeira da empresa".

terça-feira 26 de novembro de 2019| Edição do dia

O ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu que demitiria os grevistas da Petrobras se a estatal fosse uma empresa privada comandada por ele. "Você tem excelentes salários (na Petrobras), bons benefícios, você tem quase estabilidade de emprego e tenta usar o poder político para tentar extrair aumento de salário no momento em que há desemprego em massa? Se fosse uma empresa privada e eu fosse o presidente de uma empresa privada, eu sei o que eu faria", afirmou o ministro. "Cheio de gente procurando emprego e tem gente que fica fazendo greve?", criticou o ministro, em entrevista coletiva em Washington, nesta segunda-feira, 25.

O ódio de Guedes aos trabalhadores fez com que ele não contivesse sua boca e admitisse seus reais desejo em relação a gigante estatal brasileira. O sonho de Guedes é que a empresa fosse privatizada e chantageasse seus trabalhadores com demissões sumárias caso tentassem se colocar contra o desmonte da empresa que ele e a atual diretoria levam a cabo. O caso da BR Distribuidora é ilustrativo dessa estratégia, após a privatização da segunda maior estatal do país que pertencia a Petrobras, 30% dos funcionários estão sob ameaça de demissão.

Guedes busca apresentar a categoria como corporativista, a greve dos petroleiros, que ocorre sob o máximo controle da burocracia, se coloca contra esse processo paulatino de entrega da empresa e do patrimônio nacional para os interesses imperialistas. Na última semana a Petrobrás já assinou o contrato para venda da Liquigás e prepara a entrega de 4 grandes refinarias para a iniciativa privada. 2 refinarias estão no Nordeste e outras 2 no Sul do país. São elas, Abreu e Lima (RNEST) em Pernambuco, Landulpho Alves (RLAM) na Bahia, Presidente Getúlio Vargas (REPAR) no Paraná e Alberto Pasqualini (REFAP) no Rio Grande do Sul. Junto com as refinarias vai ser vendida toda a estrutura auxiliar, ou seja, o conjunto dos oleodutos e os terminais de armazenamento destas refinarias.

VEJA MAIS: Petrobrás privatiza no atacado: 4 refinarias e a Liquigás estão sendo entregues na encolha

O deboche de Guedes em relação aos trabalhadores ainda contou com outras frases escandalosas como: "Petroleiros deveriam estar celebrando a recuperação financeira da empresa. Quando ela estava quebrada ninguém pediu para abaixar o salário, né?". Em suas palavras o ministro tenta confundir o plano de entrega da Petrobras, com uma suposta "recuperação", sendo que a empresa nunca parou de dar lucros, porém, que não são suficientes para satisfazer os ímpetos dos investidores estrangeiros que detém a maioria das ações.

"O que eu sei é que a Petrobras foi destruída e eles (petroleiros) estavam trabalhando lá, deveriam ter evitado a destruição da Petrobras. Tomara que eles estivessem bem alertas nesse tempo todo para merecer o aumento (salarial)", disse o ministro.

Nessa outra declaração, Guedes confunde propositalmente a administração petista, que envolveu a empresa em casos de corrupção, com a vontade dos trabalhadores. Se a Petrobras fosse gerida pelos próprios petroleiros ela certamente estaria voltada a assegurar que os frutos da imensa riqueza da exploração do petróleo retornasse à população, e não fosse desviada por um punhado de acionistas ou políticos corruptos. Esse programa por uma Petrobras 100% estatal, gerida de forma democrática e transparente pelos petroleiros, com o controle da população, para impedir o roubo das nossas riquezas pelos grandes empresários e também qualquer forma de corrupção, é a única maneira da produção de petróleo de fato estar à serviço da população.




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