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Grupo de Michel Temer vence disputa no PDMB e fortalece ala pró-impeachment

Executiva do PMDB barra manobra para reconduzir Picciani à liderança na Câmara

quinta-feira 17 de dezembro de 2015| Edição do dia

Em uma articulação costurada pelo vice-presidente Michel Temer e a ala do PMDB pró-impeachment, a Executiva Nacional do partido aprovou, na manhã desta quarta-feira, 16, resolução obrigando que todas as novas filiações de deputados e senadores tenham de ser aprovadas pelo comando nacional da sigla. A decisão foi aprovada por 15 votos a favor e 2 contra. O vice-presidente da legenda, senador Valdir Raupp (RO), conduziu a reunião e se absteve de votar.

A medida, na avaliação de integrantes do partido, fortalece a posição de Temer e da legenda, uma vez que o objetivo da decisão foi barrar articulação da bancada do PMDB do Rio de Janeiro e do Palácio do Planalto para reconduzir Leonardo Picciani (RJ), pró-governo, à liderança do partido na Câmara. O parlamentar carioca foi destituído do cargo na semana passada, após deputados da ala pró-impeachment apresentarem lista com 35 nomes para indicar Leonardo Quintão (MG) ao cargo.

À cúpula da legenda chegou a informação de movimentação de que ao menos quatro deputados do Rio poderiam embarcar na sigla ou dar espaço para que suplentes do PMDB ingressassem na bancada, para dar apoio a Picciani.

A reunião da Executiva durou cerca de 30 minutos e ocorreu na sede da legenda, na Câmara dos Deputados. O senador Valdir Raupp substituiu o vice-presidente da República e presidente nacional da legenda, Michel Temer. O peemedebista desistiu de participar da reunião, na véspera, diante da possível retaliação da ala governista do partido, que ficou irritada com a proposta de mudar as regras das novas filiações.

Contrariado com a decisão da maioria, o deputado Leonardo Picciani afirmou que irá recorrer da decisão da Executiva na Justiça e reafirmou que pretende apresentar até o fim desta semana uma nova lista com apoio da maioria da bancada por sua recondução à liderança do PMDB.

"Creio que hoje a Executiva escreveu uma página triste da história do PMDB. O partido por decisão da maioria aprovou uma resolução ilegal, que vai ser contestada judicialmente, porque invade a competência do estatuto do partido, invade a competência da convenção. Tirar dos diretórios regionais a liberdade que sempre teve de processar filiações", disparou.

Raupp rebateu Picciani e afirmou que é "normal" que a Executiva Nacional possa avalizar filiações. Segundo ele, essa prática já ocorre na filiação de vereadores e deputados estaduais. "A resolução é para fazer uma espécie de filtros nas filiações, sobretudo de deputados federais", ressaltou o senador.

Renan Calheiros faz críticas a votação

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou nesta quarta-feira, 16, o vice-presidente e presidente do partido, Michel Temer, de ser o culpado por realizar uma reunião da Executiva Nacional da legenda para impedir a filiação de novos integrantes.

"O presidente Michel é o presidente do partido. Se alguém tem responsabilidade com relação a isso, é o presidente Michel", criticou.

Para Renan, "um partido democrático, que não tem dono", realizar reunião para proibir a entrada de deputados é um "retrocesso que deve estar fazendo o doutor Ulysses (Guimarães) tremer na cova"

O presidente do Senado disse que o PMDB tem "muita culpa" com os problemas pelos quais o País passa. Segundo ele, quando foi chamado a coordenar o processo político da coalizão, "o PMDB se preocupou apenas com o RH".

"Eu adverti sobre isso na oportunidade. O PMDB perdeu a oportunidade de qualificar sua participação no governo. O PMDB tem muita culpa, o governo tem culpa, claro, mas o PMDB tem muita culpa com o que está acontecendo", afirmou.

A importância da votação no jogo político do impeachment

Certamente muitos fatores são muito importantes na influência do processo de impeachment. As combinações entre as diversas forças no parlamento, a influência do judiciário (particularmente do STF), as federações burguesas como a FIESP e FIRJAN e as posições do capital financeiro e mesmo os atos de rua que estão ocorrendo são parte dessas determinações.

No entanto, a importância dessa votação se refere a um dos elementos fundamentais da correlação de forças pró e contra o impeachment: a luta interna das forças no PMDB.

E no interior das disputas, vai se consolidando o grupo de Michel Temer, que sem se colocar diretamente com o discurso de impeachment, vai se articulando nos bastidores por um PMDB mais deslocado do governo e mais favorável ao impeachment.
Parte fundamental dessa disputa está se dando para ver que força se consolida com a liderança na câmara dos deputados. Uma das vitórias de Michel Temer foi retirar, com 35 deputados contra o total de 66 do PMDB, o líder da câmara do partido, Leonardo Picciani, que esteve nesse último período mais alinhado com o governo federal.

O grupo de Picciani, no entanto, buscava reverter esse processo com a filiação de alguns deputados no PMDB, que poderia modificar a apertada votação (dois votos) para que ele voltasse a liderança da câmara. A resposta de Temer foi votar na executiva do partido que apenas ela poderia avaliar as filiações, o que coloca sob controle de Temer esse processo.
A intervenção de Renan Calheiros no entanto mostra que ainda segue a divisão no partido, que expressa o jogo de forças entre os mais pró-governo e os que querem consolidar uma força favorável ao impeachment.

Como vai se consolidar esse jogo de forças pode ser muito importante para os próximos passos do impeachment no país. O PMDB e seu fisiologismo, aberto a todo tipo de acordos espúrios entre seus deputados, pode ter uma papel destacado nesse processo. Resta saber se com a possível queda de Eduardo Cunha nos próximos dias pode se embaralhar o jogo de forças interno no partido.

AE / Esquerda Diário




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