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Enchentes no RS | Grendene sugeriu que trabalhadores doassem cesta básica, mas deu R$ 2 milhões para Bolsonaro em 2022

“Neste momento difícil, onde passamos pela pior tragédia de nossa história, que tal doar os itens da sua cesta básica para as pessoas que mais precisam agora?”. Esse foi o email recebido pelos trabalhadores da Grendene, gigante calçadista dona de marcas como Melissa, Rider e Ipanema, cujos donos doaram R$ 2 milhões para a campanha de Bolsonaro em 2022. Os capitalistas querem que paguemos pela crise da qual são cúmplices.

domingo 12 de maio | Edição do dia

Como podemos ajudar os atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul? Essa é uma pergunta que vem sendo feita por diversos trabalhadores em seus locais de trabalho por todo o país, mostrando o incrível espírito de solidariedade de que é capaz a nossa classe. Do outro lado, capitalistas como os ligados à Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), que querem a liberação da suspensão temporária do contrato de trabalho, do teletrabalho, antecipação de férias individuais e coletivas, aproveitamento de feriados, bancos de horas, além da suspensão do recolhimento do FGTS.

Nesse mesmo espírito mesquinho inerente ao grande empresariado, os donos da Grendene, gigante calçadista dona de marcas como Melissa, Rider e Ipanema, sugeriram aos seus “colaboradores” que estes doassem suas cestas básicas. Um absurdo vindo de quem teve lucro líquido de R$ 558 milhões em 2023. Esses mesmos capitalistas, em 2022, doaram R$ 2 milhões para a campanha de Bolsonaro, que com Ricardo Salles rifou o meio ambiente para o agronegócio, um dos principais responsáveis pelas transformações climáticas na América Latina que estão secando a maior parte do país e transformando o Rio Grande do Sul em foco de fenômenos climáticos extremos.

Complementam essa lama a extrema-direita populista, radicalmente “anti-Estado”, financiada por setores de influencers e empresários como Pablo Marçal, Luciano Hang e as igrejas evangélicas, que arrebanham atrás de si negacionistas e conspiracionistas climáticos para fugir do fato de que o que nos trouxe até aqui foram as políticas neoliberais, o desmonte de empresas públicas, a farra do agronegócio e o negacionismo científico que promovem.

No caminho contrário ao do governo Lula-Alckmin, que deu mais de R$ 350 bilhões ao agronegócio exportador através do Plano Safra e que agora se nega a ameaçar o pagamento da dívida pública aos banqueiros para reconstruir o RS, precisamos enfrentar o projeto de miséria e destruição ambiental dos capitalistas e seus governos com um programa operário e anticapitalista para enfrentar a crise e transformar radicalmente a sociedade e a relação com a natureza.

Um programa que batalhe pela garantia de não haver demissões por tempo indeterminado e nem redução salarial, com indenizações e moradias para todos os atingidos pela enchente, com a concessão de um salário mínimo mensal a cada desempregado, informal e MEI. Recursos esses que devem vir da revogação do Regime de Recuperação Fiscal, do não pagamento imediato da dívida do estado com a União, e da taxação progressiva das grandes fortunas (começando pelas poucas famílias aristocráticas do país), com cobrança e confisco de bens dos sonegadores. Somente com um programa verdadeiramente radical é que seremos capazes de superar as crises que o capitalismo produz.




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