Mundo Operário

CORRUPÇÃO

Gráfica controlada pelo Sindicato de Bancários de SP suspeita de envolvimento na Lava Jato

sexta-feira 24 de julho de 2015| Edição do dia

Da Redação

Em relatório divulgado recentemente pela Polícia Federal a Gráfica Atitude, controlada pela presidente do Sindicato de Bancários de SP, Juvandia Moreira, que também conta com a participação do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Aparecido Nobre, aparece como suspeita de receber propina de um dos delatores da operação Lava Jato, o empresário Augusto Ribeiro de Mendonça.

Segundo matéria publicada no site do jornal O Estado de São Paulo a gráfica vem sendo investigada desde que Mendonça declarou que o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, teria lhe pedido que “doasse” R$ 2,4 milhões para o PT por meio de depósito em conta da gráfica. No período entre 2010 e 2013 a conta da gráfica teria recebido, de empresas controladas pelo delator, depósitos totalizando o valor de R$ 2,25 milhões.

A direção do Sindicato de Bancários de SP, um dos principais do país e ligado à CUT e ao PT, além das suspeitas de recebimento de propinas e envolvimento com esse escândalo de corrupção, cumpre um papel nefasto quando se trata da organização dos bancários.

Conversamos com bancários da CAIXA delegados sindicais eleitos pela base e que fazem parte do Movimento Nossa Classe para saber sua opinião:

Thaís Oyola: “Essa notícia teve bastante impacto na agência onde trabalho, isso pode desestabilizar e muito a burocracia e, nesse sentido, fica muito mais patente a necessidade de os bancários entrarem em cena para tomar o sindicato de volta para categoria e não mais encarar a campanha salarial da mesma forma e com o mesmo ceticismo dos anos anteriores. Ao mesmo tempo temos de nos atentar ao fato de que essas denúncias vão ser utilizadas não só contra a burocracia corrupta, mas também contra a organização sindical em geral. Cabe à nós trabalhadores e ao movimento de oposição um combate contra a burocracia e também contra a direita e os banqueiros, que inclusive se privilegia dos acordos com essa mesma burocracia, que tentarão enfraquecer nossa organização. ”

Eduardo Máximo: "Nós já vivenciamos as manobras dessa direção burocrática que, em acordo com os diretores do banco, divide nossas assembleias e envia gestores fura-greve para enterrar a nossa greve. Essa denúncia, se comprovada, é mais uma expressão de como a direção do nosso sindicato está atrelada até o pescoço nas derrotas dos trabalhadores. Também não deixa de ser escandalosa a naturalidade com a qual a presidente do sindicato declara ter se reunido em um jantar com as principais figuras da patronal para discutir conjuntura nacional. Um sindicato que representasse de verdade os interesses dos trabalhadores construiria espaços pra discutir a conjuntura com a categoria, não com os patrões. Por isso precisamos seguir lutando para fortalecer uma forte corrente de oposição que organize os bancários em cada agência e local de trabalho e que lute pela independência do governo e dos banqueiros, contra o ajuste fiscal e o avanço da terceirização."

Gabriel Moreno: ”Ano a ano nas ultimas campanhas salariais estamos enfrentando essa burocracia, enfrentando a postura criminosa dessa direção que faz corpo mole quanto se trata de organizar uma greve pela base, que de fato impacte diretamente no lucro dos banqueiros. No ano passado tivemos que lutar também para que a prioridade do sindicato fosse a greve e não a campanha para a reeleição de Dilma. O papel que a direção do sindicato cumpriu foi de um verdadeiro “estelionato eleitoral”, um terrorismo para que os bancários votassem no PT contra a retirada dos direitos trabalhistas. Vemos agora justamente que a conta da crise está sendo descarregada sobre nós pelos grandes empresários, banqueiros e capitalistas com a benção do governo Dilma, Levy e do PT. ”




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