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Governo quer mudar a forma de divulgação das estimativas do PIB que está em constante queda

Ministério da Economia quer acelerar a divulgação da estimativa do PIB em uma tentativa de diminuir a defasagem com o mercado

segunda-feira 24 de junho| Edição do dia

O Governo anunciou que cortará pela terceira vez a previsão oficial de crescimento do PIB para 2019. O PIB (Produto Interno Bruto) é o medidor dos bens e serviços produzidos no país, em valores monetários, durante um certo período; e indica o ritmo da atividade econômica. Diante da atual crise econômica, com 13 milhões de desempregados, trabalhos e salários precários, a situação de produção no país não é positiva, e os analistas demonstram preocupação. Só no começo do mês de junho deste ano, houve a 15ª queda consecutiva na previsão do PIB.
Com a rápida queda nas expectativas de crescimento, o Ministério da Economia, de Paulo Guedes, planeja acelerar a divulgação da estimativa para diminuir a defasagem entre o cálculo da pasta e o do mercado financeiro.

O secretário de Política Econômica do Ministério da economia, Adolfo Sachsida, afirma em entrevista com a Folha que a queda acelerada nas estimativas tem feito o número oficial ficar defasado em relação ao do mercado. “Está caindo tão rápido que, quando é publicado, estamos destoados”, disse.

As projeções do Governo para o PIB são tornadas públicas a cada dois meses nos relatórios bimestrais de avaliação de receitas e despesas. A justificativa dada por técnicos do Governo é que estes documentos são fechados semanas antes de serem publicados, enquanto os relatórios feitos pelos analistas de investidores internacionais são publicados logo após serem fechados.

Para Sachsida, uma solução seria o PIB pode ser divulgado no dia seguinte ao do cálculo. “Por exemplo, estimamos na segunda. Passa para o ministro e demais autoridades, e na terça a gente divulga”, diz. O Ministério ainda está checando com o Tribunal de Contas da União (TCU) a possibilidade da alteração.
No entanto, isso não será a solução para o PIB brasileiro. A atual e constante queda na projeção do PIB vai diminuir também o saldo nos cofres públicos, o que pode levar o Governo a anunciar novos cortes. Sachsida diz que “cada anúncio do PIB é um desespero, porque bate no contingenciamento. Já estamos com dificuldade para fechar o ano em alguns ministérios”.

Na tentativa de estabelecer um pacto com o centrão e o STF, a fim de passar a Reforma da Previdência, o governo de Bolsonaro terá grandes dificuldades, já que não existe uma sinalização concreta de melhora da economia; o que dificulta sustentar seus projetos. O Ministério de Paulo Guedes, que no ano passado previa crescimento na economia para 2019 de 2,5%, em março, cortou a projeção para 2,2%; em maio, para 1,6%. Economistas do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, rebaixaram para 1,23% a antiga previsão de 3%. E a tendência é que a nova previsão oficial do governo se aproxime mais àquela feita pela pesquisa Focus (desta segunda-feira, 24), que prevê uma baixa para 0,87%. Hoje já há valores bloqueados por conta da queda na projeção do PIB e das receitas do Governo.

A medida anunciada pelo Governo de Bolsonaro diante da dificuldade de se cumprir a meta fiscal do ano, que prevê um déficit de R$ 139 bilhões, foi anunciar o corte de R$ 30 bilhões na educação – e o Governo foi respondido com massivos atos da juventude e dos trabalhadores nos dias 15M e 30M.

Mesmo com dificuldade, Sachsida afirma que não há discussão para alterar a meta. “Nenhuma, nenhuma, nenhuma. A cada novo contingenciamento, o ministro é muito duro e exige o cumprimento da meta. Porque nós fizemos um discurso de zerar [o déficit] e já está em menos R$ 139 bilhões”, disse. E segundo ele, as estimativas do governo não indicam um PIB negativo em 2019. “Nas nossas estimativas, não. Para ele vir negativo, dado o carregamento no primeiro ano, teria que ser um desastre”, diz.

Para eles, o crescimento da economia depende da aprovação da reforma da previdência. Sachsida afirma que a aprovação da Reforma da Previdência pode ajudar o PIB em 0,4 ponto percentual em 2020. No entanto, ele mesmo admite que outras medidas seriam necessárias, ou seja, admite que a Reforma da previdência não é suficiente para salvar os cofres públicos. E ele propõe que se aprovem medidas voltadas à produtividade, defendendo os interesses de banqueiros e empresários, que tiveram uma dívida de R$ 476 bilhões (em 2018) perdoada pelo Governo, dinheiro que poderiam estar à serviço da Educação e Saúde dos trabalhadores e do povo pobre; assim como os bilhões gastos todo ano na fraudulenta Dívida Pública.

Seria necessário parar de pagar a dívida pública e que o orçamento da união comece a ser investido nas melhoria das condições de vida dos trabalhadores brasileiros, principalmente na saúde e educação pública. Exigimos o não pagamento da dívida pública e a cobrança de empresas e bancos que devem à União, para que se invista nos serviços públicos, respondendo às necessidades dos trabalhadores e do povo pobre.




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